Aluguel de roupas de bebê: como funciona, vantagens e motivos para aderir à moda circular

A moda circular é uma tendência que está crescendo em todo o mundo, inclusive no Brasil. Alugar as roupas do enxoval do seu filho é uma alternativa mais sustentável e também pode ser a solução para o problema de “perder” as peças que mal foram usadas

Resumo da Notícia

  • Durante o primeiro ano de vida do bebê, ele passa por cinco tamanhos diferentes de roupa
  • Isso significa que muitas peças se perdem antes mesmo de serem usadas - e, as que são aproveitadas, têm uma vida útil muito curta
  • É pensando no problema de "perder peças" muito rápido que o aluguel de roupas vem para tornar o dia a dia mais prático
  • Além de ser pensado para facilitar o ato de vestir uma criança que cresce na velocidade da luz, essa é uma alternativa muito sustentável
  • Entenda mais sobre o que é, quais são as vantagens do armário compartilhado e porque aderir ao movimento de moda circular

Ao longo do primeiro ano de vida do bebê, o guarda-roupa dele muda de tamanho cinco vezes. Criança cresce rápido e perde roupa na velocidade da luz – muitas vezes, aquela peça do enxoval que ficou guardada para uma ocasião especial nem chegou a ser usada porque, só de piscar, pronto: seu filho já está duas vezes maior. E, falando em termos práticos, muito dinheiro vai nessa brincadeira.

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Além desses dois fatores, podemos somar outro ponto (também muito importante): a vida útil daquele body de recém-nascido ou o macacão fofo que seu filho só conseguiu usar uma vez antes de ficar pequeno demais para ele. A produção de cada peça dessas tem um impacto grande no meio ambiente – seja na quantidade de água utilizada para confeccionar o tecido, na emissão de gás carbônico envolvido em todo o processo, ou depois que aquela roupa já saiu do armário e foi descartada com apenas poucos meses de uso quando poderia ser vestida por anos (não fosse a velocidade com que crianças crescem).

É pensando nessas questões que o aluguel de roupas de bebê vem ganhando espaço no mercado brasileiro. “É algo necessário e que vai ser cada vez mais uma exigência do consumidor, seja pelo lado da preocupação com o meio ambiente ou forçado pela necessidade de economizar”, explica Luanda Oliveira, mãe de Léonard e fundadora da Circulô, marca especializada em locar roupas de bebê. “As coisas de segunda mão são mais baratas. Alugar em vez de comprar um enxoval com peças de qualidade semelhante oferece de 40% a 60% de redução de custo”, completa.

Para Gabriela Miranda, também fundadora da Circulô e mãe de Lis, Yamaya e Aina, essa é uma onda em ascensão. “A gente está plantando sementes e abrindo caminhos trazendo informação e consciência para o público. Acredito que cada vez mais as pessoas tendem a se responsabilizar pelo próprio consumo e optar por opções mais sustentáveis”.

Durante o primeiro ano do bebê, ele usa até cinco tamanhos de roupa diferente. Optar por alugar o enxoval é economizar tempo, dinheiro e recursos naturais
Durante o primeiro ano do bebê, ele usa até cinco tamanhos de roupa diferente. Optar por alugar o enxoval é economizar tempo, dinheiro e recursos naturais (Foto: Divulgação / Use Circulô)

A Tuga, outra empresa de aluguel de enxoval, segue pelo mesmo caminho: “Pesquisas apontam que modelos de negócios circulares podem representar 23% do mercado de moda global até 2030 e que uma em cada duas mães planeja vestir seu filho com roupas de segunda mão nos próximos 5 anos. Esses são dados da Fundação Ellen MacArthur e do ThredUp – 2021 Resale Report”, diz Grazi Sirtoli, fundadora da marca e filha de Rogério e Marilza. “Isso mostra o potencial desse mercado e como as pessoas estão abertas a ter um guarda-roupa mais diversificado e um consumo mais consciente”.

Qual a ligação entre moda e meio ambiente?

A indústria da moda é a segunda mais poluente. Ficando para trás somente do setor petrolífero, ela é responsável por emitir 8% de gás carbônico na atmosfera. A produção e descarte de roupas e calçados gera um grande acúmulo de lixo – de acordo com a Associação Brasileira de Indústria Têxtil (ABIT), só no Brasil são 175 mil toneladas de resíduos têxteis.

A moda feita para crianças também faz parte (e muito) dessas estatísticas. “As crianças crescem (numa velocidade incrível), mas as roupas não. Isso gera um ciclo não saudável de compra e necessidade de dar destino ao que não serve mais”, conta Carolina Dutra, mãe de Lia e fundadora da Loop For Good. Ao lado da irmã, Camila, que é mãe de Lucas e Pedro, elas criaram a marca para começar a mudar a realidade da moda infantil. “Queríamos algo que tivesse impacto positivo para o planeta, para ajudarmos na construção do lugar onde desejamos que nossos filhos vivam. Pensamos em resolver esse problema básico, que vivenciamos e que todas as famílias descobrem já nos primeiros meses de vida dos seus filhos”.

Com o aluguel de enxoval, uma mão lava a outra: recursos do planeta são economizados e o ciclo de duração das peças se estende ao máximo possível. “Cada família vai usar um tamanho de 1 a 3 meses e essa peça pode ser usada por várias outras famílias em ótimas condições. A gente otimiza e diminui o consumo de água e as emissões de gás carbônico”, explica Luanda.

A indústria da moda é a segunda mais poluente, só ficando atrás da petrolífera. Por isso, repensar o consumo de roupas desde o início faz toda a diferença para o meio ambiente
A indústria da moda é a segunda mais poluente, só ficando atrás da petrolífera. Por isso, repensar o consumo de roupas desde o início faz toda a diferença para o meio ambiente (Foto: Divulgação / Tuga)

Os benefícios da moda circular

“Alugando [as peças do enxoval] a gente democratiza o uso de roupas que poderiam ser inacessíveis para um grande número de famílias”, defende Gabriela. Além da economia de dinheiro, a energia colocada na demanda armário-do-bebê também cai mais da metade: não é preciso gastar tempo pesquisando e indo até lojas para comprar as peças, organizando os espaços para caber tudo e, depois que os tamanhos passam a ficar pequenos, remanejar tudo de novo para colocar as roupas mais recentes e que servem no seu filho.

Claudia Kievel, mãe de Joaquim, empreendedora e fundadora do grupo Jardim Secreto, optou pelo armário compartilhado para sua rotina com o primeiro filho e acredita muito na iniciativa sustentável da moda circular. “Além de auxiliar com a questão de troca rápida de tamanho, não ter que pensar nisso toda hora e já ter uma mala pronta com as peças pensadas e selecionadas especialmente para aquela fase, é muito mais ecológico reutilizar peças que já estão no mundo, já foram produzidas, ainda mais com a qualidade dessa curadoria, que passa por várias famílias e mantém a durabilidade”.

Essa tendência de mercado vem para romper com o padrão de comportamento focado no consumo excessivo. “Isso é algo muito incentivado e exagerado na maternidade. A gente precisa voltar para o que é simples, natural, minimalista”, defende Gabriela. Para ela, as necessidades do bebê são mais descomplicadas do que imaginamos: “Ele precisa da mãe, do colo, do mínimo de coisas”.

A maternidade não vem com manual de instruções – isso a gente já sabe. Por isso, ter uma rede de apoio é fundamental, assim como se munir de informações durante a gestação, após o parto e para todas as fases de desenvolvimento da criança. “Então, em vez de gastar horas planejando o quarto, o guarda-roupa e outras coisas materiais, vale muito se preparar fisicamente e emocionalmente para a chegada desse bebê”, comenta Grazi.

Existem opções de aluguel de enxoval para cada fase do bebê (Foto: Divulgação / Loop For Good)

Existem desvantagens na hora de alugar o enxoval do bebê?

Depois de todos os pontos positivos levantados sobre o guarda-roupa compartilhado, é difícil pensar que haja alguma desvantagem em alugar o enxoval do bebê. Não escolher as peças de cada kit que a família vai receber ou se apegar muito às roupas que o bebê usou em uma determinada fase ou momento especial podem entrar na lista de possíveis restrições para quem opta por não comprar todas as peças do armário do bebê.

Outra questão é o fato das peças não serem 100% novas. “As pessoas podem ver como desvantagem por receber roupas que já foram usadas por outras crianças, mas não vemos dessa forma. Todas as peças passam por um criterioso processo de higienização e as que já não estão em perfeitas condições de uso, são destinadas para doação”, explica Carolina.

Apesar do conceito (bem fora da moda) de que peças de segunda mão não são boas, estilosas ou não valem tanto a pena assim, para Claudia, o fato de outros bebês terem aproveitado o mesmo body ou macacão que o filho dela é o que faz a experiência valer ainda mais a pena: “Saber que essas peças já vestiram várias outras crianças e acompanharam seus desenvolvimentos é muito especial”.