Aos 23, líder de tecnologia da Grão de Gente, conta sobre o “combo” casamento, duas filhas e auge da carreira

Mayara Ferro é mãe de duas meninas e está há 10 anos trabalhando com os pais – hoje, ela lidera a transformação digital da empresa e prova que é possível conciliar maternidade e carreira, desde que isso te faça feliz

Resumo da Notícia

  • Mayara Ferro, tem apenas 23 anos e é CIO/CTO da Grão de Gente, empresa de decoração infantil
  • Ela também é mãe das pequenas Manu e Mavie
  • Durante bate-papo ela contou sobre como faz para conciliar a maternidade e carreira, já que é uma workaholic assumida
  • Para Mayara, só é possível criar filhos felizes se você for uma mãe feliz consigo mesma

Nos tempos de hoje, muita gente fica chocada que uma mulher aos 23 anos pode conquistar o combo: carreira, um casamento estável e duas filhas no colo. Oi? É isso mesmo? Sim! A Mayara Ferro é mãe de Manu e Mavie, e CIO/CTO – Chief Information Officer e Chief Technology Officer – na Grão de Gente, empresa conhecida por decorar quartos infantis famosos. Aos 23 anos ela prova que só cria filhos felizes a mãe que é feliz – que se conhece e se permite ser ela mesma. Mayara começou a trabalhar aos 13 anos e dez anos depois vive os desafios de ser mulher, filha, esposa, mãe e responsável pela transformação digital da empresa.

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Mayara Ferrero é mãe de Manu e Mavie, e CIO/CTO na Grão de Gente (Foto: Divulgação)

PAIS&FILHOS: Você me contou que tem apenas 23 anos, e já é mãe! Quantos filhos você tem? Me conta como tudo começou.

MAYARA FERRO: Eu tenho duas filhas. Começou há bastante tempo atrás: eu conheci meu marido na escola, então desde os 15 anos a gente está junto. Aos 19 anos descobrimos que a Manu estava à caminho, foi uma gravidez inesperada. Mas a gente sempre quis construir uma família, então foi um pontapé inicial, foi ótimo! E depois de 4 anos a gente estava planejando ter mais um bebê, e aí veio a Mavie, que está com quase dois meses.

P&F: E como foi que você foi parar tão nova na empresa do seu pai e mergulhar na carreira mesmo?

MF: A minha história é um pouquinho diferente, porque comecei a trabalhar com 13 anos. E eu sempre gostei disso, sempre vi muito meus pais trabalhando, conversando sobre trabalho, e eu sempre quis me inserir nesse contexto. Daí eu comecei com coisas super simples. Nas férias escolares, minhas amigas viajavam e eu ia para o escritório – e era uma decisão minha.

P&F: E por que essa vontade de trabalhar desde tão cedo?

MF: Ah, sempre foi uma coisa minha querer trabalhar desde nova, aprender, e conquistar as minhas coisas.

P&F: E você fez faculdade, como foi a sua vida em relação aos estudos depois da escola?

MF: Eu decidi não fazer faculdade, porque eu já estava muito inserida no trabalho. Comecei a fazer vários cursos – de tecnologia, de design, online, presencial, etc.

P&F: Você é uma mulher muito decidida – dá para ver no jeito que você fala – e uma mulher de muita força. Como você já estava totalmente inserida e construindo um futuro para a sua família, como foi receber a notícia da sua gravidez aos 19 anos? Imagino que o baque não foi tão grande, porque você já vinha totalmente planejada…

MF: Eu sou virginiana né? Não sei se é por isso, mas desde que eu tenho 15 anos eu sabia que eu queria casar, ser mãe, o que eu queria fazer da minha vida, o nome dos meus filhos. Eu sempre fui muito sonhadora, e costumo falar que tudo o que eu tenho hoje sempre sonhei muito em ter desde criança.

P&F: E como tudo desenrolou até chegar à família de você hoje?

MF: A gente acabou decidindo casar. É muito legal ver que deu tudo certo e nossos caminhos se juntaram.

P&F: E quando a Manuela veio, como foi essa gravidez para você?

MF: Aí que começam os desafios da minha vida que até então eu não tinha tido (risos). Apesar de ter desafios, eu lidava com eles muito bem, porque eu era super organizada e sempre soube o que queria. Eu comecei a me dividir entre cuidar da gravidez e trabalhar, e foi super tranquilo. Eu trabalhei até a última semana da gestação.

P&F: E depois que a bebê nasceu, como foi encarar a mudança de rotina? Ainda mais porque você é tão acostumada a trabalhar, como foi dar essa pausa?

MF: Foi aí que eu me deparei com o bebezinho em casa, sem saber muito bem o que eu estava fazendo. E tudo o que eu estava acostumada a fazer há 6 anos.

P&F: É aquela velha história de quando você lê sobre gravidez, esse é um daqueles tópicos que ninguém nunca contou, né?

MF: Exatamente! Eu me preparei tanto para a gravidez, li tanto. O médico que me acompanhava era tão parceiro, e eu fiz tudo da forma mais natural possível, procurei tudo para ela nascer e eu saber tudo. Mas para isso eu não estava preparada, porque ninguém fala sobre isso.

P&F: E quando veio o segundo filho, depois de 4 anos, já tô vendo que tá bem diferente! Com um mês você já está no escritório!

MF: Sou uma pessoa que, apesar dos meus sonhos e das minhas metas, eu mudo muito a todo momento! Acho que todo mundo acaba sendo assim.

P&F: Como você contribui, dentro da Grão de Gente, para que outras mulheres tenham que escolher entre ser mãe e ter um trabalho?

MF: A mulher existe, e o julgamento existe junto – são duas coisas que andam muito juntas. Aqui na empresa a gente tem muitas mulheres, acho que 90% da equipe é mulher, e temos que lidar muito com mulheres que querem ser mães ou não, e eu depois que me tornei mãe… Não sei explicar, é como se fosse obrigação se colocar no lugar da pessoa.

P&F: Como você enxerga a diferença entre uma mãe que trabalha, antes e depois de ela ter filho, você acha que muda?

MF: Completamente! Acho que principalmente quando você está em uma posição de liderança, pelo menos para mim, mudou muito o meu jeito de enxergar as pessoas. Porque às vezes a gente só enxerga o profissional ali, e tem que lembrar que por trás de todo profissional existe uma pessoa. E ser mãe – esse negócio de maternidade, cuidar, entender – nos torna seres muito mais humanos. Faz a gente querer fazer as coisas com muito mais humanidade, porque amanhã pode ser nosso filho, nosso irmão.

P&F: Você pretende ter mais filhos?

MF: Olha, quando a gente pensou em ter o segundo, pensamos em ter um menino, mas veio outra menina! (risos) Se o próximo não vier menino, a gente não tenta mais.

P&F: Acho que quando se tem uma rede de apoio consolidada como você tem, as coisas facilitam muito, né?

MF: Eu brinco com a minha mãe que ela não é avó, porque a visão que eu tenho é de avó que cuida do neto, faz bolinho da tarde, bolinho de chuva, e minha mãe trabalha! A mãe do meu marido trabalha. Então é muito engraçado isso, porque elas são avós muito diferentes.

P&F: Avós jovens, né? Ainda com muita energia. Uma quebra da geração das mulheres que ficavam trabalhando em casa.

MF: Sim! E é muito legal também, porque minha mãe e a minha sogra foram avós muito novas, e também deu a possibilidade da gente ter as bisas das minhas filhas muito perto. E foi muito legal poder proporcionar isso pra elas, com tanta gente e cada geração pertinho delas. Isso é muito importante.

P&F: O que você deseja mais para as suas filhas?

MF: A única coisa que eu desejo para elas é que elas sejam felizes e que vivam em paz. O resto não importa muito. Não importa muito se elas vão querer ser mães, vão querer viajar o mundo todo ou se elas vão querer ficar comigo até elas serem velhinhas – que é o que eu mais queria! (risos). Acho que o que mais importa é que elas encontrem o jeito delas de serem felizes.

P&F: Mayara Ferro, mãe de Manu e Mavie, pra você, família é tudo?

MF: Com certeza! Pra mim é tudo: não existiria Mayara sem família. Eu sou completamente e 100% minha família e minhas filhas.