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Até que enfim! Ministério da Saúde dará curso para pais de autistas

Quando a família é treinada, crianças evoluem mais

Aline Oliveira

Aline Oliveira

autismo

O Brasil dá mais um passo para inclusão de autistas. O Ministério da Saúde vai capacitar 1.000 pais de crianças, de 2 a 9 anos de idade, com autismo e outros atrasos de desenvolvimento. Isso é importante porque “vários estudos científicos provam que crianças autistas cujos pais são treinados apresentam melhoras, passam a interagir mais, ter mais contato visual, conseguem identificar os membros da família e diminuem aspectos negativos do comportamento, como, por exemplo, irritação e agressividade”, explica Clay Brites, pediatra, neurologista infantil do Instituto NeuroSaber e pai da Helô, do Gustavo e do Maurício.

O treinamento é inédito no País e integra o Programa Internacional de Capacitação de Familiares e Cuidadores de Crianças, da Organização Mundial da Saúde, presente em 29 países. Por aqui, o Governo Federal fechou uma parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e investirá R$ 2,5 milhões. A previsão é treinar, além das 1000 famílias, 60 supervisores nacionais e 160 multiplicadores. Primeiro, serão treinados os profissionais de saúde, que repassarão o conhecimento a agentes do SUS. Em seguida, ocorrerá a capacitação com as famílias, com sessões nas casas delas. “Vamos implementar o curso em 10 estados com segurança e cuidado, para depois em uma segunda etapa, disseminar em todo o território nacional”, explica o coordenador da Saúde Mental do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro. Estima-se que 1% da população no Brasil tenha autismo.

Tudo será gratuito. Os pais aprenderão, por exemplo, como lidar com situações características de crianças com autismo e exercícios. Clay nos explica o porquê de ser fundamental os pais estimularem os filhos – e não somente médicos ou especialistas : “Só pai e mãe estão com os os filhos em diversos contextos. Um dos problemas do autista é que ele é incapaz de agir da mesma forma em contextos diferentes. Se ele aprende algo em um consultório médico, dificilmente consegue fazer isso na casa dele. Agora, se os pais souberem ensiná-lo, ele evolui”.

 

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