Família

Atenção, mãe: é preciso dar espaço para o pai também

Segundo um estudo norte-americano, controlar as ações paternas pode prejudicar o desenvolvimento das habilidades dos pais

Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

Quem é cuidadosa sabe que as vezes existe um desconforto quando outra pessoa faz de uma maneira diferente o que você está acostumada a fazer. E muitas vezes, essa outra pessoa é interrompida. Mas e quando essa outra pessoa é o pai tentando cuidar do seu filho e você não aceita os cuidados dele?

Ter um filho recém nascido é um grande aprendizado para os pais, mas agora um estudo feito nos Estados Unidos mostra que pais que são criticados por suas parceiras nos primeiros dias de paternidade terão problemas de confiar em suas habilidades conforme a criança for crescendo.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio observaram o impacto que a “proteção da maternidade” tem sobre as habilidades parentais dos pais e sobre a confiança geral e descobriram que ela é uma barreira significativa.

“O comportamento das mães pode mudar a maneira como os pais interagem com os filhos”, explica Lauren Altenburger, principal autor do estudo que foi publicado no Journal of Child and Family Studies.

Eles examinaram dados de 182 casais que ganhavam dois salários e eram pais pela primeira vez.

Os pais tiveram que responder uma série de perguntas, quando seus filhos tinham 3 e 9 meses de idade, sobre a frequência que suas parceiras assumiam as tarefas (porque não achavam que eles estavam fazendo o certo) e quão frequentemente elas expressavam irritação com a maneira que eles tomavam conta das crianças. Eles também foram precisaram dizer exemplos dessa proteção, incluindo quantas vezes elas encorajavam a cuidar das crianças e quantas vezes elas pediam ajuda.

O resultado mostrou que, para os pais que relataram o comportamento mais “fechado” de suas parceiras durante os três primeiros meses de idade, as habilidades parentais aos nove meses eram piores, mostrando que eles ficavam mais vulneráveis à críticas.

“É sobre dar espaço para os pais cuidares dos filhos também”, disse Altenburger. “Ambos os pais precisam manter a comunicação aberta e não criticar tanto”.

Dina Cooper, autora do livro “Paternidade Inteligente”, disse que começou a trabalhar com pais para ajudar a criar fortes laços e trabalhar em equipe depois que ela percebeu que tinha uma postura muito crítica em relação ao seu marido.

“Eu me lembro de ficar em cima do meu marido enquanto ele trocava o bebê. Era o nosso primeiro filho e ele tinha por volta de 6 meses na época, então ele se contorcia quando o pai tentava trocar a fralda suja”, Cooper disse. “Eu estava preocupada que o cocô se espalhasse por todo lugar se ele não o trocasse rapidamente e que ele faria xixi se não tivesse algo cobrindo seu pênis durante o processo”.

“Eu ficava muito agitada quando isso acontecia e dizia que ele precisava ser rápido. ‘O que você está fazendo?’, eu perguntava, e não era de maneira gentil. Eu queria que ele trocasse a fralda da maneira que eu fazia, ao invés de dar espaço para ele trabalhar a sua maneira e aprender a trocar fralda.”

Rapidamente, ela percebeu que assim como ela, ele também estava aprendendo novas habilidades e precisava dar a ele tempo e espaço para ele cometer seus próprios erros.

“Eu comecei a ficar atenta quando eu queria que as coisas fossem feitas do meu jeito. Passei a me permitir fazer pausas e me perguntar ‘O que é mais importante: meu relacionamento com o meu marido ou a maneira como ele troca fralda/cozinha/limpa os cômodos?'”, ela contou.

Além disso, ela disse que as pessoas precisam lembrar que virar um pai é difícil, e que não se pode colocar toda a  culpa em cima de um parceiro, enquanto a criança é uma responsabilidade de todos.

“De ser solteiro, a virar uma pessoa casada a ter uma família existem transformações significativas na vida – que levam tempo e esforço para prosperar. Neste contexto, o estudo está falando sobre mães e pais, mas é claro que os pais podem ser mães e mães, pais e pais e assim por diante. Estamos todos aprendendo e há muitos desconhecidos se tornando um novo pai. Ter empatia um pelo outro é fundamental”, completa Cooper.

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