Babá sabia que Henry teria sido agredido por Dr. Jairinho e mentiu em depoimento à polícia

Após Dr. Jairinho e Monique Medeiros serem presos na manhã desta quinta-feira, 08 de abril, pelo caso de Henry Borel, a Polícia da 16ª DP cumpriram também um mandado de busca e apreensão na casa de Thayná de Oliveira

Resumo da Notícia

  • Polícia da 16ª DP cumpriram também um mandado de busca e apreensão na casa da babá do menino
  • Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou provas de que a babá teria mentindo no depoimento
  • Celular de Thainá foi apreendido após polícia descobrir que ela mentiu em depoimento

Após Dr. Jairinho e Monique Medeiros serem presos na manhã desta quinta-feira, 08 de abril, pelo caso de Henry Borel, a Polícia da 16ª DP cumpriram também um mandado de busca e apreensão na casa da babá do menino Thayná de Oliveira, que perdeu a vida no dia 8 de março.

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Polícia diz que babá sabia que Henry havia sido agredido por Dr. Jairinho e que mentiu ao depor (Foto: Reprodução / Vídeo R7)

Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou provas de que a babá teria mentindo no depoimento prestado no último dia 24, onde afirmou que não sabia das agressões de Dr. Jairinho contra Henry. Celular de Thainá foi apreendido após polícia descobrir que ela mentiu em depoimento.

De acordo com o G1, ao ser questionada sobre como seria o relacionamento no apartamento da família, Thayná disse que “esteve na presença dos três, no máximo, quatro vezes, sem que passasse de duas horas em cada ocasião, mas não percebeu nada de anormal”.

Porém, os investigadores reuniram provas de que ela saia do ocorrido e que o menino teria sido agredida pelo padrasto ao menos uma vez, em fevereiro. A bebá, que foi contratada para trabalhar como babá em 18 de janeiro deste ano, também foi questionada sobre marcas que Henry poderia ter, mas disse que nunca viu nenhuma lesão no menino.

Thayná ainda disse que não foi trabalhar no dia 8 de março, esperando uma resposta de Monique e que, por olta das 8h30, a mãe de Henry telefonou chorando para dar a notícia de que Henry havia falecido. “Você não precisa trabalhar hoje. Henry caiu da cama. Estou em choque, perdi meu bem mais precioso”, disse ela em depoimento, reforçando o amor da mãe pelo garoto.

A última vez que a babá esteve no apartamento de Monique e Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, foi em 5 de março e só voltou a falar com a mãe do menino no dia 18, um dia após a imprensa publicar sobre o caso. No mesmo dia, a irmã de Jairinho, Thalita, telefonou para a babá, pedindo que fosse até a casa, em Bangu, para conversar com o advogado de defesa do médico.

“Ao chegar à casa de Thalita, não chegou nem a sentar, pois o motorista chegou para levá-la juntamente com Rosângela (empregada do casal) até o escritório do advogado”, disse a babá. Ao chegar no escritório, ela falou com o advogado André França Barreto, onde respondeu as perguntas e falou com a imprensa. Tayná contou à polícia “que respondeu aos repórteres as mesmas perguntas formuladas” pelo advogado.

Pai lamenta perda de Henry após prisões

Leniel Borel de Almeida, pai de Henry Borel, de 4 anos, lamentou a perda do filho logo após a prisão do padrasto Dr. Jairinho, e da mãe Monique Medeiros, na manhã desta quinta-feira, 8 de abril. O casal é suspeito pela participação na morte da criança, que ocorreu no dia 8 de março.

Pai de Henry Borel lamenta a perda do filho (Foto: Reprodução/ G1)

“Esta infeliz matou meu filho. Meu filhinho deve ter sofrido muito”, disse em entrevista ao G1. “Como pode uma mãe apoiar um negócio desses? Meu filho falou (que estava sendo agredido) e ela disse que era mentira. Como ela apoiou isso?”, completou Leniel.

Na madrugada de hoje, o pai do menino chegou a publicar uma homenagem ao filho nas redes sociais, mesmo antes de saber do pedido de prisão da ex-mulher e do médico. Na mensagem, o pai se declara para o filho e pede desculpas por não conseguir protegê-lo.

Pai de Henry Borel publica homenagem ao filho (Foto: Reprodução / Instagram)

“30 dias desde que te dei o último abraço. Nunca vou esquecer de cada minuto do nosso último final de semana juntos. Deixar você bem, cheio de vida, com todos os sonhos e vontades de uma criança inocente. Desculpa o papai por não ter feito mais, lutado mais e protegido você muito mais. Confiamos que Deus fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia”, escreveu Leniel na legenda do post.

Entenda o caso Henry

Henry Borel, segundo o G1, não resistiu na madrugada da segunda-feira, 8 de março, na Barra de Tijuca, Zona Oeste do Rio. No dia, o menino estava na casa da mãe, Monique Medeiros da Costa Almeida, e do padrasto, o vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Caso Henry Borel (Foto: Reprodução/ G1)

No laudo médico é relatado que a criança já deu entrada no hospital sem vida, sendo a causa uma hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente. A criança apresentava:

  • Múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores;
  • Infiltração hemorrágica na região frontal do crânio, na região parietal direita e occipital, ou seja, na parte da frente, lateral posterior da cabeça;
  • Edemas no encéfalo;
  • Grande quantidade de sangue no abdômen;
  • Contusão no rim à direita;
  • Trauma com contusão pulmonar;
  • Laceração hepática (no fígado);
  • Hemorragia retroperitoneal.

O pai, no depoimento, contou que recebeu uma ligação de Monique às 4h30 pedindo que ele fosse até o Hospital Barra D’Or, porque o filho não estava respirando. Ela contou a Leniel que fez respiração boca-a-boca em uma tentativa de reanimar a criança.

As médicas que atenderam o menino no hospital também foram ouvidas pela polícia e as três pediatras garantiram que Henry chegou sem vida ao local. A mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, vereador Doutor Jairinho, também realizaram os depoimentos e houve divergências entre eles.

Para a equipe médica que tentou socorrer o menino, a mãe dele disse que havia acordado após ouvir um barulho no quarto. Ao chegar no local, ela contou ter visto o menino caído no chão. Nesta primeira versão, que consta no Boletim de Atendimento Médico (BAM), eles encontraram o garoto gelado, pálido e sem poder de resposta. O padrasto chegou a pensar que o menino estava em parada cardiorrespiratória e a família foi para o Hospital Barra Dor, na Zona Oeste do Rio.

Já o padrasto contou alguns pontos diferentes. O primeiro ponto de divergência foi em relação ao barulho citado pelo casal na noite em que tudo aconteceu. Durante o relato feito à polícia, nem a mãe nem o padrasto mencionaram terem ouvido um barulho vindo do quarto da criança. Ela afirmou que acordou por volta das 3h30 com o barulho da TV ligada e foi ver o filho — quando o encontrou desacordado. Já o Doutor Jairinho contou que ele e a esposa estavam assistindo a uma série no quarto de hóspedes para não incomodar o sono do enteado e adormeceram. Quando Monique acordou, foi até o quarto do casal e encontrou Henry já caído, com os “olhos revirados e mãos e pés gelados”. Desde a perda do menino, os policiais estão ouvindo testemunhas para tentar desvendar o caso.

Desde o dia 8 de março, os policiais ouviram pelo menos 18 testemunhas e reuniram provas técnicas que descartaram a hipótese de acidente. Além de dois laudos periciais no apartamento 203 do bloco 1 do Condomínio Majestic, no Cidade Jardim, na Barra da Tijuca, dados extraídos dos telefones celulares do casal, apreendidos no último dia 26 de março, formaram utilizados nas investigações. Os policiais descobriram ainda que, após o início do caso, o casal apagou conversas dos telefones celulares.