Recém-nascida deixa hospital 16 dias após mãe morrer de Covid-19

Catarina Vitória recebeu alta da UTI do Hospital Vita, em Curitiba, 16 dias após a mãe, Daiana Costa, perder a vida para a doença

Resumo da Notícia

  • Catarina Vitória recebeu alta da UTI 16 dias após a mãe, Daiana Costa, não resistir às complicações da Covid-19.
  • O parto aconteceu enquanto a grávida estava entubada e inconsciente
  • A bebê nasceu prematura e permaneceu internada até ganhar peso

Catarina Vitória recebeu alta da UTI do Hospital Vita, em Curitiba, 16 dias após a mãe, Daiana Costa, não resistir às complicações da Covid-19. O parto, realizado no dia 3 de dezembro, aconteceu enquanto a grávida estava intubada e inconsciente. A bebê nasceu prematura e permaneceu internada até ganhar peso.

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Catarina deixou o hospital no sábado, dia 9 (Foto: Reprodução / BBC)

A alta da menina foi comemorada pelos familiares e pela equipe médica do hospital que ficou comovida com a história da mãe. “Agradeço toda a equipe médica e de enfermagem, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e psicólogos que cuidaram da Catarina, de modo tão especial, em todo esse período de UTI. Eles estenderam essa atenção, amor e carinho a toda a nossa família. Pessoas especiais que convivem com o risco da morte, mas que exalam vida!”, disse a madrinha da criança, Tatiane Lima, em entrevista à BBC.

O pai comemora a boa notícia em meio ao luto

Daiana não sabe que a filha nasceu (Foto: Reprodução / G1)

Para o pai de Catarina, Helton Silva, a felicidade em ver a filha saindo do hospital foi capaz de ajudá-lo com o luto e a saudade da esposa. “Desde o dia 1 até o dia 26 de dezembro, que foi o dia que minha esposa faleceu, foram os piores dias da minha vida. Eu tinha muito medo de chegar para ver a Catarina e meu sentimento de dor e tristeza ser maior que o de alegria por ter ela na nossa vida. Mas quando olhei para a Catarina, me desmanchei em chorar, algo maravilhoso me tocou e é ela a nossa fonte de energia, a gente se agarra nela para buscar forças nesse momento tão difícil”, conta.

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Daiana não sofria de comorbidades e foi internada aos 7 meses de gravidez, quando começou a apresentar os sintomas da doença. Em poucas semanas o caso se tornou grave e a mulher de 33 anos acabou não resistindo. “Ainda sem entender como uma mulher nova, saudável, cheia de planos pela frente, acaba perdendo a vida, são situações inexplicáveis”, desabafa o viúvo.

Catarina uniu a família

Catarina nasceu de 7 meses (Foto: Reprodução / G1)

Após a perda da mãe de Catarina, a família precisou se adaptar para cuidar da bebê. A madrinha, Tatiana, conta que se mudou para a casa do irmão para conseguir ajudar na criação da menina.

“A madrinha é a mãe na falta da mãe, hoje estou vivendo um misto de sentimentos, a dor do luto da falta da minha irmã, que era a minha cunhada, e a alegria de presenciar o milagre da vida na pequena Catarina. Vou cuidar dela e do meu irmão, já me mudei com a minha família para a casa dele – e agora somos verdadeiramente uma só família”, explicou.

A família também está organizando uma vaquinha online para conseguir comprar um novo enxoval para a bebê, que por nascer prematura, não serve nas roupas e fraldas que haviam sido preparadas. Cataria também deve tomar um leite especial para recém-nascidos, embora não faça mais uso de nenhum medicamento.

“Minha missão agora é honrar tudo que a mãe dela deixou, dar muito amor para ela e para a Helena, a irmã mais velha, que tem se mostrado muito forte também. Temos que dar muito carinho e amor para as duas, isso que nos motiva todos os dias”, finaliza o pai.

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