Bebê se recupera da covid-19 após realizar mesmo tratamento feito por Paulo Gustavo

Maria Vitória, de 6 meses, ficou com 95% do pulmão comprometido e sobreviveu com o auxílio do ECMO, uma técnica usada em pacientes mais graves

Resumo da Notícia

  • Maria Vitória tem 6 meses e se recupera da covid-19
  • Ela teve 95% dos pulmões comprometidos
  • Os médicos usaram o ECMO, o mesmo tratamento do Paulo Gustavo

Maria Vitória ficou 28 dias internada, sendo 22 deles na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e sobreviveu à covid-19 aos 5 meses de vida, após ser tratada com ECMO , a Oxigenação por Membrana Extracorpórea. O tratamento também sendo feito com Paulo Gustavo.

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Os sintomas dela, começaram como os de uma gripe comum, e mesmo sendo medicada, eles evoluíram de maneira agressiva. No quinto dia, a tosse seca levou e insistente, deixou a Maria Vitória sem ar, como relembrou a mãe, de 24 anos, Rayane da Silva.

“Ela tossiu até ficar roxa. Corri pro hospital pedindo socorro, porque ela já estava desfalecendo nos meus braços. O médico disse ‘mãezinha, se não intubar agora, ela vai parar’. E me desesperei”, Rayane contou em entrevista para o Diário do Nordeste.

O estado clínico do bebê se justificou, depois que uma radiografia foi feita. O comprometimento dos pulmões chegou a 95% e ela foi transferida para um leito da UTI infantil no Sopai, um hospital infantil filantrópico que fica em Fortaleza, no Ceará. Maria ficou ali durante 5 dias.

Entretanto, mesmo com o tratamento intensivo, o quadro clínico continuava grave. “O doutor pediu pra eu e o pai entrarmos pra ver ela, como se fosse pra gente se despedir. Disse que tinha tentando de tudo, mas ela não tinha nenhuma melhora. O último recurso era a ECMO, que só tinha no Hospital do Coração”, explicou a mãe.

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Rayane descreve que precisou levar a menina “às pressas” para o Hospital do Coração de Messejana (HM), em Fortaleza e que depois “de muita burocracia”, Maria Vitória iniciou a intervenção por ECMO. A mãe falou sobre aqueles momentos: “A máquina é enorme, foi assustador quando vi minha neném tão pequenininha ligada nela”. E relembra o que os médicos disseram: ” A ECMO era a esperança, já que o pulmão dela praticamente não estava funcionando”.

Durante sete dias, ela foi assistida pela oxigenação artificial e apresentou uma melhora significativa no quadro. Após a retirada do aparelho, o bebê precisou ficar mais duas semanas intubado e mais dez dias com suporte de oxigênio, até ter alta da UTI.

A internação começou no dia 10 de março de 2021, devido à coivd-19 e terminou no dia 06 de abril, quando mãe e filha saíram juntas do hospital e foram para casa. No dia 12 de abril, ela completou seis meses de vida. Mas, essa não foi a primeira vez que Maria Vitória ficou internada, ela nasceu prematura em  outubro de 2020 e passou o primeiro mês de vida em uma UTI neonatal para se fortalecer.

Eu pensei que ia perder minha filha, fiquei muito apavorada. Em certo período, ela não tinha fisionomia de bebê, tava toda inchada. Eu dizia pra Deus que não ia suportar, e Ele ajudou ela. O médico disse que ela tinha muita vontade de viver”, fala Rayane.

Maria Vitória está bem, mas continua sendo acompanhada por um pneumologista e um otorrinolaringologista para verificar possíveis sequelas do período em que ficou hospitalizada.

Como funciona a ECMO

O cirurgião cardiovascular da equipe de transplante e assistência circulatória cardíaca do Hospital do Coração de Messejana, Daniel Trompieri, explicou em uma entrevista para o Diário do Nordeste como a ECMO funciona: “Nessa modalidade, extraímos o sangue antes de chegar no coração, pobre de O2, passa pela bomba ECMO, e devolve o sangue oxigenado na artéria. Essa assistência é não apenas pulmonar, mas circulatória também”.

A Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea (SBCEC) estima que um infectado por Covid-19 tem cerca de 40% de chance de se recuperar com ajuda da ECMO. Entretanto, se ele apresentar apenas outras morbidades, como cardíacas ou pulmonares, essa porcentagem aumenta.