Boate Kiss: Familiares criticam argumento de advogados no julgamento

Entre os parentes está Alan Turcato que perdeu o irmão e a cunhada no incêndio em 2013

Resumo da Notícia

  • O julgamento do incêndio na boate Kiss começou na última terça-feira
  • O evento está sendo em Porto Alegre
  • As famílias presentes se sentem revoltadas com a defesa dos advogados

O julgamento do incêndio na boate Kiss começou na última terça-feira em Porto Alegre. Os familiares ainda assistem a repetidas cenas de momentos prévios à morte dos parentes e a defesa de teses das defesas dos quatro réus. Alan Turcato perdeu o irmão e a cunhada no incêndio, e esteve presente todos os dias no julgamento.

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“Eu vim muito preparado para ver muita falsidade, muito cinismo”, diz Alan, irmão de Lincon, uma das 242 vítimas do incêndio. Ele perdeu também a cunhada Maria Moreira, que na época tinha 19 anos. Eles estavam celebrando na área VIP a conquista do mestrado de Lincon, infelizmente Alan foi quem teve que receber o diploma pelo irmão, com apenas 15.

“Cada um dos réus montou uma tese. O Ministério Público se acovardou muito tempo atrás. Era para ter muitos mais no banco dos réus. Agora, os erros e o corporativismo do Ministério Público não isentam os réus”, pontuou. “Não isentam esses quatro covardes que mataram o meu irmão e a minha cunhada“, acrescentou.

Alan perdeu o irmão e acunhada no incêndio na boate Kiss
Alan perdeu o irmão e acunhada no incêndio na boate Kiss (Foto: Reprodução/Matheus Beck/G1)

Alan viajou do Nordeste até Porto Alegre e afirma ter ficado revoltado com os testemunhos, principalmente de Nathália Daronch, esposa de Kiko, um dos sócios da boate, que estava grávida na época. “O cara não teve a capacidade de voltar para buscar ela, mostrando o covarde que é. Para um cara como eu, que perdi um irmão e a cunhada, que morreu abraçado com ela, que um não sairia um sem o outro, ver que o dono da boate saiu sem prestar socorro para a própria namorada grávida na época foi o auge da falsidade e do cinismo”, afirmou.

O sobrinho e promoter da casa, Willian Renato Machado, de 27 anos, relatou ter visto Elissandro no lado de fora da boate, após o incêndio, mas afirma que ele foi impedido de reingressar no prédio. “Ele queria voltar. E a gente não queria deixar porque a gente não tava entendendo o que tava acontecendo”, disse.