Brasileiro busca por pais desaparecidos em guerra na Ucrânia e diz que familiares foram atingidos por bombas

O casal Silvana Vicente e Vasyl Pilipenko, estão desaparecidos desde o início de março de 2022. O prédio em que estavam foi atacado por bombas

Resumo da Notícia

  • O Gabriel Pilipenko, filho da brasileira Silvana e do ucraniano Vasyl, disse que não tem mais notícias dos pais desde o início de março
  • O prédio que a família morava foi atingido por bombardeios
  • Segundo uma conhecida da família, o casal foi visto pelo centro da cidade

O Gabriel Pilipenko (26) é filho da brasileira Silvana Vicente e do ucraniano Vasyl Pilipenko. O rapaz, em entrevista à BBB News Brasil, conta que não tem notícias dos pais desde o início de março. O casal mora em Mariupol, cidade mais atacada da Ucrânia. Por conta da falta de informações do paradeiro dos familiares, o Gabriel solicitou um afastamento temporário do trabalho, para que fosse possível se concentrar apenas na busca dos pais.

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“Não conseguiria continuar trabalhando tranquilamente sem notícias dos meus pais. Estava pensando nisso toda hora. Seria perigoso continuar embarcado, porque é um trabalho que requer muita responsabilidade e seria difícil continuar enquanto estava com a mente ocupada por problemas pessoais”, disse Gabriel, atual Marinheiro Mercante.

Quando começou os bombardeios da Rússia à Ucrânia, a Silvana e o Vasyl estavam em Mariupol. Logo em seguida, ambos avisaram aos familiares que ficaram sem comunicação, devido a falta de energia elétrica que tinha acabado de se estabalecer na cidade. Desde então, o Gabriel não tem mais notícias dos pais.

“Já passou muito tempo. A cidade está com problemas com abastecimento de água, sem água para beber, e sem comida. Isso me deixa muito preocupado, porque mesmo que eles estejam bem, podem estar passando por dificuldades”, contou o filho.

Devido a grave situação dos ataques russos, o Gabriel, por hora, optou em não ir à Ucrânia para procurar por seus pais. No entanto, foi à Alemanha para aguardar por mais notícias dos familiares: “Ainda não tenho certeza, estou pensando sobre ir para a Ucrânia. Mas para sair daqui (na Alemanha) para chegar a Mariupol teria que passar por muitas estradas perigosas, então fico receoso de ficar preso em algum lugar e não poder ajudar os meus pais”.

Guerra na Ucrânia
Silvana e Vasyl Pilipenko estão desaparecidos após bombardeio atingir Ucrânia (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Como forma de estratégia para encontrar os pais, o Marinheiro mantêm contato com pessoas que também tem familiares em Mariupol. “Estou tentando ser o mais informado possível para saber como posso ajudar os meus pais. Tenho tentado arranjar um jeito de tirar a minha família de lá e sei que vou conseguir”, contou.

O último contato que Gabriel teve com os pais foi em 2 de março de 2022,via ligação telefônica. “A ligação ficava caindo, mas consegui conversar com eles e me explicaram que a situação estava ficando pior, que estavam cortando a luz e estavam com problemas de internet e sinal. No dia seguinte não consegui conversar com eles mais. Alguns conseguem achar sinal de celular raramente em alguns cantos de prédios altos, mas meus pais infelizmente não devem ter conseguido achar”, disse.

Recentemente, Gabriel soube que o prédio que a família estava, foi atingido por uma bomba. Durante a manhã deste domingo, 20 de março, o rapaz recebeu mensagens de uma conhecida, que disse que avistou, de longe, a família do Gabriel. Porém, a moça não detalhou o acontecimento.

O filho em busca dos pais, relata que o Itamaraty deve ser mais ativo no caso de desaparecimento de brasileiros. “O Itamaraty apenas disse que estava em contato com a Cruz Vermelha, mas falou que não está resolvendo casos individuais, apenas tentando mandar comida para a cidade. Na minha opinião, não estão se esforçando o suficiente […] Para onde a minha família vai, após ser encontrada, não tem a menor importância agora. Só preciso que eles estejam bem. Agora, basicamente, quero que eles sejam retirados de Mariupol e levados para algum outro país da Europa que esteja dando suporte moral e financeiro a refugiados da Ucrânia”, finalizou.

Em nota à BBC News Brasil, a instituição disse que está em busca da brasileira e afirma ter acionado organizações internacionais de apoio humanitário, para que seja possível localizar a cidadã.