Butantan começa a produção de vacinas trivalentes contra a gripe que contém nova cepa

O imunizante terá proteção contra H1N1, H3N2, do subtipo Darwin, e a cepa B

Resumo da Notícia

  • Vacinas trivalentes já estão sendo produzidas pelo Butantan
  • Elas terão proteção contra contra H1N1, H3N2, do subtipo Darwin, e a cepa B
  • O Instituto também informou que as vacinas tetravalentes já estão sendo trabalhadas e futuramente poderá substituir a trivalente

O Brasil tem enfrentado um surto de influenza H3N2, e por esse motivo, o Instituto Butantan iniciou a produção da vacina atualizada contra a gripe. Dessa vez ela terá a imunização contra três vírus: H1N1, H3N2, do subtipo Darwin, e a cepa B.

-Publicidade-

“Já produzimos 100% do IFA do H1N1 em setembro. Estamos em vias de terminar o IFA da cepa B e em janeiro começamos a produzir o IFA do H3N2. Na primeira quinzena de fevereiro está previsto o início das formulações e do envase”, afirmou o diretor de produção do Instituto Butantan, Ricardo Oliveira.

Vacinas trivalentes contra a gripe já estão sendo produzidas
Vacinas trivalentes contra a gripe já estão sendo produzidas (Foto: Getty Images)

A vacina será aplicada através do SUS (Sistema Único de Saúde). O imunizante é produzido em uma fábrica do Butantan que produz os IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) das três cepas. Depois disso, são misturados em outra fábrica. As variantes do vírus são importadas da Europa.

O instituto também informou que há uma outra versão da vacina que está sendo trabalhada, a tetravalente, contendo duas cepas de vírus A e duas cepas do vírus B. Ela poderá substituir a trivalente quando estiver pronta.

Vírus Influenza

O Vírus Influenza H3N2 é o responsável pela alta incidência de casos de gripe em grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belém, nas ultimas semanas. O aumento do aparecimento dessa doença entre a população durante o mês de dezembro é incomum, já que esse vírus circula predominantemente nos meses do outono e inverno, mas pode ter relação com à falta de vacinação contra a gripe e também à flexibilização das medidas de restrição adotadas como prevenção à Covid-19, bem como o relaxamento dos critérios sanitários como higienização das mãos e o uso de máscaras.

Neste ano, a procura da vacina contra o Vírus Influenza foi baixa. “É absolutamente excepcional os surtos e epidemias de Influenza que a gente está vendo agora no Brasil no mês de dezembro. Provavelmente esse deslocamento temporal se deve ao fato de estarem diminuindo as medidas de distanciamento por conta do controle progressivo  da Covid-19, com o avanço da vacinação”, diz o infectologista Dr. Gerson Salvador, pai de Laura, Lucas e Luís.

A incidência de casos de gripe causadas pelo vírus influenza não é comum em dezembro
A incidência de casos de gripe causadas pelo vírus Influenza não é comum em dezembro (Foto: Unsplash)

Em relação ao perfil genético do vírus, as variações não são desconhecidas pela comunidade científica. Em entrevista ao portal CNN Brasil, Fernando Motta, virologista do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, afirmou que os casos estão associados principalmente à linhagem “Darwin” do Vírus Influenza A (H3N2), cepa predominante da última temporada de gripe no hemisfério Norte que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluí-lo, em setembro, nas recomendações para atualizações das vacinas contra Influenza para 2022 no hemisfério sul.

A variante recebeu o nome de H3N2 Darwin pois foi identificada pela primeira vez em 1999 na cidade de Darwin, na Austrália. Essa é uma mutação recente que até então não tinha chegado ao Brasil. Uma das hipóteses para o aumento de casos no país é que a linhagem Darwin ainda não foi incluída na composição das atuais vacinas em uso no hemisfério Sul.

Tipos de vírus da gripe

O Vírus Influenza se divide em quatro grupos: A, B, C e D — sendo os dois primeiros responsáveis por epidemias sazonais em várias regiões do mundo e o terceiro causador de infecções mais leves. Já o vírus Influenza do tipo D foi identificado nos Estados Unidos e não é conhecido por infectar ou causar a doença em humanos, apresentando casos isolados em suínos e bovinos.

O H3N2 é uma variante do Vírus Influenza do tipo A, grupo que apresenta maior variabilidade. Elas são definidas pelas glicoproteínas essenciais para a capacidade de infecção do Vírus Influenza- hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Na superfície do Vírus A (H3N2) estão presentes as hemaglutininas do subtipo 3 e neuraminidases do subtipo 2. Esse é um tipo de vírus que sofre constantes mutações em sua glicoproteína da hemaglutinina, o que afeta a ação dos anticorpos humanos contra a doença.

Sintomas

Os sintomas são parecidos aos da Covid-19
Os sintomas são parecidos aos da Covid-19 (Foto: Getty Images)

Embora haja diferenças genéticas, todos os tipos de Vírus Influenza podem provocar os mesmos sintomas. Além disso, são muito parecidos com os sintomas da Covid-19. Confira:

  • Febre alta
  • Tosse
  • Coriza
  • Garganta inflamada
  • Dores de cabeça, no corpo e nas articulações
  • Calafrios
  • Fadiga

O Dr. Gerson afirma que para diferenciar de forma definitiva os sintomas de Covid-19 aos sintomas de H3N2,  é preciso fazer o teste molecular. “A Covid não costuma dar febre tão alta nos primeiros dias de doença, costuma ter menos coriza e é mais frequente ter alteração no paladar e olfato, mas um sintoma ou outro não são suficientes para fazer um diagnostico definitivo e saber de que vírus se trata”, explica.

Prevenção

Em casos graves, a doença causada pelo Vírus Influenza H3N2 provoca complicações tão graves que podem levar à morte. Por isso, é importante conhecer os métodos de prevenção e colocá-los em prática, sendo o principal deles, claro, a vacinação. Pelo fato de o Influenza ser um vírus respiratório, a prevenção contra ele ocorre da mesma forma que a da Covid-19:

  • Não compartilhe objetos de uso pessoal, como copos e garrafas
  • Higienize as mãos com água e sabão constantemente
  • Sempre cubra a boca e nariz ao tossir e espirrar
  • Evite ambientes com grandes aglomerações
  • Adote hábitos de alimentação saudáveis
  • Evite contato com doente

“Quem estiver com sintomas respiratórios deve procurar atendimento médico”, aconselha Dr. Gerson.