Família

Casal surdo brasileiro decide adotar criança com surdez

Após anos tentando engravidar, eles decidiram partir para a adoção

Nathália Martins

Nathália Martins ,Filha de Sueli e Josias

(Foto: Reprodução/Defensoria Pública)

Após anos tentando engravidar, eles decidiram partir para a adoção (Foto: Reprodução/Defensoria Pública)

Germana Araújo, de 32 anos, e Leonardo Rodrigues, 29 anos, sempre tiveram o sonho de serem pais, mas mesmo após muitos anos de tentativa, o bebê não veio. No final de 2016, eles conheceram a história de Pedro Igor, um menino de 3 anos que morava em um abrigo em Fortaleza.

Além da realização de finalmente conseguir um filho, algo fazia com que a ligação entre eles fosse ainda mais forte: os 3 eram surdos. A mãe já havia nascido surda, o pai adquiriu meningite com 6 meses de vida, o que prejudicou sua audição, e agora Pedro, que também tinha a mesma deficiência, estava entrando na vida do casal.

“Nunca tinha pensado em adotar. Mas quando soube do Pedro Igor me interessei. Por ele ser surdo, ajudaríamos ele a se desenvolver mais, na parte da comunicação, principalmente, para que ele não enfrentasse tantos percalços quanto nós. Conversei com o Leonardo e com nossa família. Tivemos total apoio”, explicou Germana em entrevista ao Tribuna do Ceará.

Eles separaram a documentação para dar início ao processo, mas assim que começaram receberam a notícia de que o menino tinha acabado de ser adotado por uma família que estava na fila antes. 2 semanas depois, o abrigo ligou para o casal para informar que o menino tinha voltado porque a família não sabia libras.

Essa foi a chance do casal, que se dedicou completamente ao menino durante o processo. Em fevereiro deste ano eles conseguiram a guarda provisória. “No primeiro dia, ele ficou um pouco assustado, mas fomos explicando que ele tinha o quarto, as roupas, um novo lugar. Passou um tempo dormindo no nosso quarto, mas logo se acostumou e hoje dorme sozinho”, contou a mãe.

Em setembro deste ano, o casal concluiu o processo que oficializava a guarda definitiva, mas percebeu que o processo precisa ser acessível para todo tipo de público. “Ainda existe muito preconceito. As próprias pessoas com deficiência, muitas vezes, não sabem que podem realizar esse sonho de ser pai e mãe por adoção. Por isso, é necessário uma maior divulgação dessas informações, em linguagem adequada e acessível para todos os públicos sobre o procedimento da adoção”, disse.

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