Caso Henry Borel: investigadores encontram diferenças nas versões apresentadas pela mãe e padrasto

O principal ponto de divergência nos relatos está no motivo pelo qual o casal teria acordado de madrugada para ver como o filho estava. Relembre o caso

Resumo da Notícia

  • Investigadores encontram diferenças nos relatos da mãe e do padrasto sobre o caso Henry Borel
  • O principal ponto de divergência está em um barulho ouvido pelo casal
  • O padrasto e a mãe depuseram sobre o caso na última quinta-feira, 18 de março
  • Relembre o caso

A Polícia Civil encontrou algumas diferenças nos relatos dados sobre o caso Henry Borel, de 4 anos. As contradições foram observadas nos relatos da mãe da criança, Monique Medeiros, e o padrasto, vereador Doutor Jairinho.

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Dr. Jaiminho e Monique deixaram a delegacia após depoimento sobre Henry Borel, na madrugada desta quinta-feira, 18 de março (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Para a equipe médica que tentou socorrer o menino, a mãe dele disse que havia acordado após ouvir um barulho no quarto. Ao chegar no local, ela contou ter visto o menino caído no chão. Nesta primeira versão, que consta no Boletim de Atendimento Médico (BAM), eles encontraram o garoto gelado, pálido e sem poder de resposta. O padrasto chegou a pensar que o menino estava em parada cardiorrespiratória e a família foi para o Hospital Barra Dor, na Zona Oeste do Rio

A equipe médica relatou ter observado pequenos hematomas nos membros superiores, abdômen e escoriação no nariz. Durante o depoimento que durou 12 horas dado à polícia na última quinta-feira, 18 de março, o casal relatou os fatos de forma muito parecida, mas com alguns pontos diferentes, como apontado pelo G1.

O primeiro ponto de divergência foi em relação ao barulho citado pelo casal na noite em que tudo aconteceu. Durante o relato feito à polícia, nem a mãe nem o padrasto mencionaram terem ouvido um barulho vindo do quarto da criança.  Monique afirmou que acordou por volta das 3h30 com o barulho da TV ligada e foi ver o filho — quando o encontrou desacordado.

Já o Doutor Jairinho contou no depoimento que ele e a mulher estavam assistindo a uma série no quarto de hóspedes para não incomodar o sono do enteado. Os dois, então, pegaram no sono. O vereador disse que estava em um sono pesado, à base de remédios, quando Monique acordou, foi até o quarto do casal e encontrou Henry já caído, com os “olhos revirados e mãos e pés gelados”.

Pai de Henry também ouviu a versão do barulho no quarto

Além dos médicos, o pai de Henry, Leniel Borel, disse ter ouvido deles a versão que teriam ouvido um barulho no quarto. A mesma versão que o casal contou aos médicos. “Cheguei no hospital e vi o médico em cima do coração do menino perguntando para mãe o que tinha acontecido. Falaram que o menino estava, houve um barulho, foi ver lá o que estava acontecendo e quando chegou lá o menino estava revirando o olho com dificuldade de respirar”, contou ele, como apontado pelo G1.

Peritos questionam o que foi dito

Ainda no depoimento, quando questionada sobre o que poderia ter acontecido com o filho, Monique disse acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão. Os peritos que estão investigando o caso, no entanto, acham essa versão da mãe pouco provável, devido a gravidade das lesões reveladas no laudo da necropsia.

Entenda o caso de Henry

Henry Borel, segundo o G1, não resistiu na madrugada da segunda-feira, 8 de março, na Barra de Tijuca, Zona Oeste do Rio. E o motivo do acontecimento está sendo investigada pela Secretaria de Polícia Civil. No dia, o menino estava na casa da mãe, Monique Medeiros da Costa Almeida, e do padrasto, o vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Detalhes do depoimento da mãe e do padrasto de Henry Borel (Foto: Reprodução/ TV Globo)

No depoimento à polícia o pai disse que passou o final de semana antes do ocorrido com Henry e o deixou no condomínio onde mora a mãe por volta das 19h de domingo, 7 de março. Segundo ele, os dois passearam em um shopping e assistiram televisão juntos.

Ele ainda contou que às 4h30, quando se preparava para ir a Macaé, onde trabalha, recebeu uma ligação de Monique, pedindo que ele fosse até o Hospital Barra D’Or. O pai disse que ela falou que o menino estava sem respirar. “Meu filho brincou, comeu, se divertiu. Nosso final de semana foi maravilhoso. Poderia falar até perfeito se não fosse o final”, relembrou Leniel.

De acordo com o pai, Monique fez respiração boca-a-boca em Henry até chegarem no hospital. Não só, mas como Jaiminho é médico, perguntaram se ele fez algum procedimento para reanimar a criança, mas segundo Leniel, aparentemente o vereador não fez nada.

Na tarde do mesmo dia, a polícia chegou a fazer uma perícia no apartamento de Monique e Dr. Jairinho. Mas, quando os peritos chegaram, uma funcionária do casal já tinha feito a limpeza do local.

No laudo médico é relatado que a criança já deu entrada no hospital sem vida, sendo a causa uma hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente. A criança apresentava:

  • Múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores;
  • Infiltração hemorrágica na região frontal do crânio, na região parietal direita e occipital, ou seja, na parte da frente, lateral posterior da cabeça;
  • Edemas no encéfalo;
  • Grande quantidade de sangue no abdômen;
  • Contusão no rim à direita;
  • Trauma com contusão pulmonar;
  • Laceração hepática (no fígado);
  • Hemorragia retroperitoneal.