Caso Henry: Peritos mostram lacunas na investigação mas não excluem crime

Peritos concordam com as falhas apontadas no laudo de necropsia produzido pela Polícia Civil, mas dizem que elas são insuficientes para derrubar a tese de que a criança de 4 anos foi assassinada

Resumo da Notícia

  • Peritos concordam com as falhas apontadas no laudo de necropsia produzido pela Polícia Civil
  • Henry Borel foi assassinado pelo padrasto Jairinho em Março
  • Mesmo contestando as evidências a promotoria alega que o menino foi de fato assassinado

O UOL ouviu peritos que afirmaram que existem lacunas na investigação e falhas apontadas no laudo de necropsia produzido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após a morte do menino Henry Borel na madrugada de 8 de março. Mas dizem que elas são insuficientes para derrubar a tese de acusação: de que a criança de 4 anos foi assassinada.

-Publicidade-

Segundo o técnico de enfermagem em uma UTI em São Paulo, José Alberto Faustino, a manobra de Jairinho de tentar reanimar Henry foi errada: “Não foi uma tentativa de socorro. Ele [Jairinho] deveria ter colocado o menino no chão do elevador, que tem uma superfície mais rígida, para fazer a tentativa de reanimação. E a mãe deveria ter pedido ajuda”, afirma.

A enfermeira Mara Bastos, intervencionista no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Rondônia, explica que a massagem cardíaca e a respiração boca a boca são as manobras para salvar a vida de uma criança nas condições de Henry no vídeo —a polícia diz, contudo, que Henry já se encontrava sem vida àquela altura. No entendimento dela, a manobra feita por Jairinho não é adequada. “Se não tapar o nariz, o ar vai entrar e sair. Não é o correto, já que queremos que os pulmões recebam a ventilação”, explica.

Imagens mostram que Henry chegou morto ao hospital
Imagens mostram que Henry chegou morto ao hospital (Foto: Reprodução/G1)

O laudo elaborado pelo legista Sami El Jundi, aponta as críticas do laudo feito pela Polícia Civil. Sami foi contratado pela defesa de Jairinho para elaborar um documento com análise do trabalho feito pela Polícia Civil: “O laudo [da Polícia Civil] é ruim e incompleto. Inicialmente, não há descrição de lesão na face de Henry. Depois, em complementação a um questionamento do delegado, ele fala em lesões nos lábios”, contesta.

“Infelizmente, o relatório de autópsia permitiu a existência de lacunas e que existissem essas dúvidas, dando origem a essas contestações, que são legítimas. Mas essas lacunas não excluem a existência de lesões compatíveis com um homicídio.”, contou o especialista em Medicina Legal e perícias médicas, Carlos Durão que analisou o relatório de perícia feito pela defesa de Jairinho.

“Temos o laudo que comprova que o menino foi espancado, temos o histórico do réu de agressões contra crianças. Não é só o laudo pericial. Há um conjunto de provas que incriminam Jairinho e Monique”, diz o promotor. Para conferir os depoimentos completos clique aqui!