Caso Henry: Polícia nega pedido da defesa de mãe e padrasto para adiar simulação em apartamento

Os advogados do casal alegaram não ter tido tempo suficiente para a preparação de um profissional para acompanhar a encenação do que aconteceu no apartamento no último dia 8 de março

Resumo da Notícia

  • A Polícia Civil da 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro negou o pedido para adiar simulação
  • O pedido foi feito pela defesa de Dr. Jairinho e da mãe do menino Henry, de 4 anos
  • A ideia é simular as circunstâncias e o ambiente do apartamento na madrugada do dia 8

A Polícia Civil da 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro negou, na noite desta quarta-feira, 31 de março, o pedido da defesa de Dr. Jairinho e da mãe do menino Henry, de 4 anos, para adiar a reprodução simulada no apartamento no dia do caso.

-Publicidade-
Polícia nega pedido de Dr. Jairinho e mantém reprodução simulada para esta quinta-feira (Foto: Reprodução/TV Record)

A defesa pediu para a reconstituição simulada que vai acontecer nesta quinta-feira, 1 de abril, fosse reagendada a partir de 12 de abril. A ideia é simular as circunstâncias e o ambiente do apartamento na madrugada do dia 8. Um boneco usado em treinamentos do Corpo de Bombeiros, com características semelhantes às de Henry, irá ajudar os investigadores.

Segundo o extra, os advogados do casal alegaram não ter tido tempo hábil para a preparação de um assistente técnico que os acompanharia na encenação do que ocorreu no apartamento no último dia 8 de março. A defesa também afirmou que Monique Medeiros sofre de forte quadro depressivo e, por isso, não teria condições de participar da simulação.

Henry Borel, faleceu no último dia 8, mas as circunstâncias ainda não foram esclarecidas. De acordo com o G1, na versão apresentada à polícia, o casal estava com a criança no apartamento, Henry foi encontrado desacordado e socorrido para o hospital.

Monique disse acreditar que o filho possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama e se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona. Segundo os responsáveis pela investigação, a queda da cama não provocaria lesões em todo o corpo, mas na parte que eventualmente tivesse tido contato com o chão. No laudo médico é relatado que a criança já deu entrada no hospital sem vida, sendo a causa uma hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente.

Os investigadores da 16ª DP (Barra da Tijuca) já ouviram depoimentos de 17 pessoas sobre o caso. Ao todo, 11 celulares foram apreendidos – são aparelhos de Jairinho (padastro), Monique (mãe de Henry) e Leniel (pai do menino).

A polícia também disse que vai usar um programa para tentar recuperar dados e acessar mensagens que foram apagadas dos celulares da mãe e do padrasto, já que uma análise preliminar nos aparelhos apontou que as mensagens foram apagadas em um dos celulares apreendidos.

André França Barreto, advogado de defesa, disse que não sabe se o casal apagou as conversas. “Se apagaram ou não, não tenho essa informação. (…) Desconheço essa informação. E também não estranharia se apagasse porque é comum apagarem dos celulares, eu apago dos meus”, afirmou ao G1.

Após a apreensão dos celulares, Monique disse que notou que o celular tinha sido sido invadido por um hacker. O advogado disse que, na ocasião, ela tentou fazer um registro na delegacia de crimes de informática, mas não conseguiu. Então, logo depois, Monique foi fazer um registro online na própria delegacia da 16ª DP.

Polícia descarta participação do pai de Henry Borel no caso

A Polícia Civil descartou a participação de Leniel Borel, pai de Henry Borel, de 4 anos, no caso da criança, que não resistiu no dia 8 de março. A informação é de uma fonte da BandNews FM ligada à corporação.

Polícia descarta participação de Leniel Borel, pai de Henry Borel, no caso da criança (Foto: Reprodução/ G1)

De acordo com as informações, os investigadores têm a convicção de que é quase impossível que a morte tenha sido causada em um acidente doméstico, no quarto do menino, como a mãe, Monique Medeiros, disse durante o depoimento. A professora disse acreditar que o filho possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama e se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona.

Segundo os responsáveis pela investigação, a queda da cama não provocaria lesões em todo o corpo, mas na parte que eventualmente tivesse tido contato com o chão. No laudo médico é relatado que a criança já deu entrada no hospital sem vida, sendo a causa uma hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente.

Um dos motivos para descartarem o envolvimento do pai no caso, são as imagens de câmeras de segurança, que mostram Henry bem após após o fim de semana, no dia 7 de março. Os policiais ainda descartam que a lesão no fígado – uma das causas da morte – tenha sido provocada antes do menino voltar para a casa da mãe e do padrasto, já que se já tivesse sido provocada antes, o menino iria apresentar dor nas imagens em que ele aparece abraçado com a mãe, ao subir para o apartamento.

Imagens inéditas dos últimos momentos de Henry Borel com vida

O programa ‘Fantástico’, da TV Globo, mostrou imagens dos últimos momentos de vida de Henry Borel, de 4 anos. Na gravação, o menino aparece entrando no condomínio no colo da mãe, Monique Medeiros, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Imagens de elevador mostram últimos momentos de Henry Borel com vida (Foto: Reprodução/TV Record)

Na sequência, Monique, Henry e Dr. Jairinho  aparecem dentro do elevador. As últimas cenas do menino com vida foram registradas por volta das 19h30 do dia 7 de março. O apartamento do casal foi interditado por 30 dias até que a polícia realize novas perícias.

Além das últimas imagens, o programa também mostrou um áudio inédito de uma ex-namorada do Dr. Jairinho, que procurou o pai do menino, Lebiel Borel pouco tempo após o caso, para contar que ela e a filha teriam sido agredidas pelo médico.

A ex-namorada, que teve a identidade preservada, já prestou depoimento à polícia sobre as agressões e, por conta das acusações, uma nova investigação foi aberta contra Jairinho. No áudio encaminhado para o pai de Henry Borel, a ex-namorada diz não ter feito nada antes por medo.

“Hoje já se passaram quase… quase não, oito anos de tudo que aconteceu comigo. E eu nunca fiz nada, nem nunca procurei nada por medo. A verdade é essa. E esse medo, eu vou ser bem sincera, eu tenho até hoje. Hoje, nessa data de hoje, eu tenho medo de alguma coisa acontecer, por ele saber as coisas que eu sei, em relação a mim, que aconteceram comigo e com ele”, conta.

André França Barreto, advogado de defesa de Jairinho e de Monique Medeiros, mãe de Henry, nega qualquer tipo de ‘conduta violenta’. “Jamais, jamais aconteceram (agressões). Esses episódios teriam acontecido há mais de uma década atrás e sem qualquer testemunha. O que a gente está tentando desmonstrar é, subjetivamente: o Jairinho não tem qualquer conduta violenta de agressão”, afirma.

De acordo com a mulher, a filha, que na época tinha 4 anos, foi  agredida quando os dois ainda tinham um relacionamento, cerca de oito anos atrás. A ex-namorada ainda disse que a filha ficava nervosa, chorava e vomitava ao ver Jairinho. O que  é parecido com o depoimento do pai de Henry, que afirmou que o filho também vomitava e chorava ao voltar para casa da mãe, com quem morava desde o início do ano com Jairinho.

Ainda no áudio enviado, a ex-namorada ainda fala sobre culpa. “Mas, assim, o que mais eu posso te falar é questão de você não desistir, sabe? De não se culpar, não se martirizar porque eu passo por isso todos os dias da minha vida, todos os dias, e por mais que a minha filha olhe no meu olho, como ela já olhou e disse pra mim: ‘Você não teve culpa’, eu sei, não adianta, é muito ruim”.

O advogado ainda ressalta que a investigação não tem nenhuma probabilidade de culpa contra o padrasto e mãe de Henry. “De tudo o que tem sido apurado até agora, tudo que a gente teve acesso, família ou conhecidos, da natação, do futebol, a gente categoricamente afirma que existem elementos concretos a demonstrar que o Jairinho e a Monique não têm qualquer condição, probabilidade, possibilidade de terem feito dolosamente ou ainda que culposamente qualquer ato de agressão ao Henry”, disse.