Caso Henry: Vínculo da babá com Jairinho expõe ‘conflito de interesse’

Thayná mudou a versão de seu primeiro relato à polícia. Jairinho e Monique Medeiros respondem por homicídio triplamente qualificado

Resumo da Notícia

  • Thayná mudou a sua versão de seu primeiro depoimento
  • Ela foi indiciada pela Polícia Civil por falso testemunho
  • Thayná foi cabo eleitoral do político em duas campanhas

A babá de Henry Borel, Thayná de Oliveira Ferreira, foi indiciada pela Polícia Civil no mês passado por falso testemunho por suspeita de ter mentido no seu primeiro depoimento, quando negou atos de violência do padrasto contra a criança.

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Ela mudou a sua versão ao dizer no primeiro dia de audiências sobre o assassinato do menino nunca ter visto agressões cometidas pelo ex-vereador Doutor Jairinho. Ele e Monique Medeiros, mãe de Henry, respondem por homicídio triplamente qualificado.

Monique Medeiros e Jairinho são acusados de assassinar o menino
Monique Medeiros e Jairinho são acusados de assassinar o menino (Foto: Reprodução/TV Record)

Thayná foi cabo eleitoral do político em duas campanhas.  De acordo com  o portal UOL, o nome dela consta na prestação de contas de Jairinho nas eleições de 2016 e 2020 do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ela foi remunerada por prestação de serviços de panfletista e recebeu R$ 675 nas eleições de 2016 e R$ 900 na campanha de 2020.

O pai e o noivo de Thayná também atuaram como cabos eleitorais de Jairinho e constam na mesma relação de despesas do político. O noivo da babá trabalhou como panfletista nas eleições de 2016. O pai dela exerceu a mesma função no pleito de 2020. A mãe de Thayná ainda trabalha como babá do sobrinho do político e foi ela a responsável pela indicação da jovem para trabalhar como babá de Henry, função que começou a desempenhar a partir de 18 de janeiro, dois meses antes do crime.

Nesta semana, após a nova mudança de versão de Thayná sobre a relação de Henry com Jairinho, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e a defesa de Monique apontaram possível influência da família do ex-vereador sobre a babá de Henry.

A advogada Priscila Sena disse ter falado pessoalmente com Thayná por mais de 3 horas na casa da mãe da babá, em Bangu, zona oeste do Rio, um dia antes do segundo depoimento à polícia.

Na conversa ela demonstrava nervosismo e acreditava que poderia ser presa. “Thayná me perguntou: ‘Doutora, eu vou ser presa?’. Eu só falei que ela precisava contar a verdade. Aí, ela me contou exatamente o que está no depoimento, relatando os três casos de agressões, quando o menino aparecia machucado após estar com Jairinho”, lembrou.

Questionada sobre a primeira versão sobre o caso, quando disse à polícia que a relação da família era harmônica e não relatou os episódios de violência, a advogada disse que a babá se sentiu pressionada pela mãe do menino. No depoimento desta semana à Justiça, a babá pediu que Monique fosse retirada da sala de audiência.