Caso Miguel: “Querem transformar meu filho num demônio e Sarí, em santa”, diz mãe

A primeira audiência do caso aconteceu na quinta-feira. Apenas Mirtes Souza, a mãe do menino de 5 anos, foi ouvida

Resumo da Notícia

  • Na última quinta-feira, 3 de dezembro, aconteceu a primeira audiência do Caso Miguel, ocorrido em 2 de junho deste ano
  • Apenas a mãe do menino de 5 anos, Mirtes Souza, foi ouvida pelo jurí
  • Além dela e de Sari Corte Real, oito testemunhas de acusação e oito testemunhas de defesa presenciaram a sessão

Na última quinta-feira, 3 de dezembro, aconteceu a primeira audiência do Caso Miguel, ocorrido em 2 de junho deste ano. No dia, apenas a mãe do menino de 5 anos, Mirtes Souza, foi ouvida pelo jurí. Além dela e de Sari Corte Real, oito testemunhas de acusação e oito testemunhas de defesa presenciaram a sessão.

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A primeira audiência chegou ao fim depois de 8 horas (Foto: Reprodução / TV Globo)

Em depoimento, a mãe de Miguel acusou a antiga chefe. “Querem transformar meu filho num demônio e Sarí, em santa. Meu filho era uma criança saudável, educada, e eles querem transformar meu filho na pior criança do mundo e querem fazer que Sarí pague de doida. Ela é uma mãe de família, mãe de dois filhos, empresária. É muito fácil colocar a culpa numa pessoa que já está debaixo de sete palmos de terra”, disse, de acordo com o G1.

O caso está em julgamento (Foto: Reprodução / Facebook Mirtes Renata)

Em uma coletiva de imprensa realizada no Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares, no Centro do Recife, Mirtes falou sobre o racismo da ex-patroa com a criança.

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“Meu filho era educado, cheio de saúde, de vida, cheio de sonhos para realizar. Sarí fez o que fez com ele e diz que não fez nada. E o que mais me revolta que era algo que eu vinha negando desde o começo com relação ao racismo, hoje ficou explícito. Sarí não poderia cuidar dele, porque ela era filho da empregada doméstica, era preto. Por isso, ele não teria o direito de ser criança, se ser protegido. Vou lutar para mostrar que ele merecia ser cuidado, como toda criança”, afirmou.

Sarí Corte ficou em silêncio durante primeira audiência

A primeira audiência de instrução do caso Miguel acabou na tarde desta quinta-feira, 3 de novembro, cerca de 8 horas depois de ser iniciada. A audiência aconteceu no Cica (Centro Integrado da Criança e do Adolescente). Ao contrário do que era previsto, Sarí Corte Real não foi interrogada. O TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco) irá marcar uma nova data para a oitiva da ré. Além dela, falta falar em juízo uma testemunha de defesa.

Sarí Corte Real não foi interrogada (Foto: Reprodução/TV Globo)

Nove testemunhas foram convocadas indicadas pelo MPPE (Ministério Público de Pernambuco). Mas somente oito foram ouvidas na 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, localizada dentro do Cica. O MPPE desistiu da nona testemunha, que seria ouvida por meio de videoconferência e a defesa concordou com a retirada.

Como afirmado pela UOL, da defesa, foram arroladas nove. Quatro foram ouvidas em juízo nesta quinta-feira e outras quatro irão depor por carta precatória – segundo o TJPE, isso acontece quando há “testemunhas ou partes processuais que residem em outra comarca, de cidades ou estados diferentes”. A nona, que também é testemunha de acusação, irá depor presencialmente como defesa na mesma data do interrogatório de Sarí.

Depois da audiência, que durou cerca de 8 horas, nem Sarí nem Mirtes Renata, mãe de Miguel, falaram com a imprensa. Mirtes se dirigiu a sede do Gajop (Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações), para dar uma entrevista coletiva aos jornalistas sobre o dia de hoje.

Mirtes faz desabafo antes da audiência

Mirtes Renata Souza, mãe do menino Miguel Otávio, de 5 anos, que morreu ao cair de um prédio de luxo no Centro do Recife (Foto: Reprodução/G1 / TV Globo)

“Estou bem esperançosa de que vai dar tudo certo, bastante confiante. Nesse momento agora é só rezar e pedir a Deus que seja feita a vontade dele”, disse Mirtes antes da audiência para a Jovem Pan.

A mãe disse ainda que está encerrando o ano sem motivo para comemoração como nos anos passados quando estava ao lado do filho. “Não tenho motivo nenhum para comemorar Natal e Ano Novo. Não tenho motivo para estar me confraternizando porque diante de tudo o que eu venho passando não vejo sentido em nada disso mais”, reforçou.

O que tem motivado Mirtes Renata é a data de início do curso de Direito que passou. “Eu só estou aguardando a faculdade definir a data do início das aulas. Vou seguir minha vida e estudar para me formar e ajudar outras pessoas”.

Relembre o caso:

Caso Miguel: relembre o que aconteceu (Foto: reprodução / Instagram @cristinarosa.psicologia)

Miguel caiu do 9º andar do edifício Píer Maurício de Nassau, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife, no dia 2 de junho. A queda aconteceu após a mãe dele deixá-lo com Sarí Corte Real para passear com a cadela da ex-patroa.

O menino quis acompanhar a mãe, então, pouco depois da tragédia, imagens do elevador do prédio mostraram Sarí Real junto de Miguel no elevador do prédio.  Depois de convencer Miguel a sair do elevador quatro vezes, a primeira-dama desiste de acompanhar o garoto.

Ela então parece apertar o botão do elevador, deixando que a porta se fechasse com o garoto, sozinho, dentro. De acordo com as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Sarí então voltou ao apartamento, para continuar seu tratamento com uma manicure.

Ao chegar ao nono andar, Miguel abriu a porta corta-fogo do andar e seguiu pelo corredor. Ele pulou o peitoril da janela, colocou os dois pés na caixa de compressores e, já na área técnica, subiu na grade, momento em que uma peça se soltou e o menino caiu.

Na época, Sarí chegou a ser presa preventivamente um dia depois da morte, mas pagou fiança de R$20 mil, para responder ao processo em liberdade.