Cerca de 3.500 bebês morrem enquanto dormem, por ano, nos Estados Unidos

A Academia Americana de Pediatria atualizou as dicas para prevenir o problema

Resumo da Notícia

  • A Academia Americana de Pediatria está com seu guia de orientações para mães e pais atualizado! O novo guia americano tem claramente o objeto de diminuir a morte súbita em bebês
  • A síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) é a principal causa de óbito de bebês com menos de 1 ano de vida, e geralmente ocorre durante o sono noturno
  • O órgão dá orientações sobre o sono do bebê, aleitamento materno, chupeta e cama compartilhada

A Academia Americana de Pediatria está com seu guia de orientações para mães e pais atualizado! A cada ano nos Estados Unidos, cerca de 3.500 bebês morrem de mortes infantis relacionadas ao sono, incluindo síndrome da morte súbita infantil (SIDS) e asfixia acidental e estrangulamento no leito. E por isso o órgão destaca os cuidados fundamentais antes de colocar a criança para dormir. Aqui no Brasil, o último material divulgado pela Sociedade Brasileira de Pediatria foi em 2017, entretanto os dois materiais têm direcionamentos muito parecidos. Segundo o pediatra André Laranjeira, pai de Sofia e Manuela, eles se baseiam nos estudos mais recentes e fazem essa atualização a cada cinco anos.

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A camomila pode ajudar seu filho a ter um sono tranquilo
A orientação é que o bebê durma de barriga para cima, já que está comprovado que essa medida reduz em até 50% os riscos de SMSL (Foto: Getty Images)

O novo guia americano tem claramente o objetivo de diminuir a morte súbita em bebês.  A síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) é a principal causa de óbito de crianças com menos de um ano de vida, e geralmente ocorre durante o sono noturno – sem causa aparente. O problema pode estar relacionado com o atraso na maturidade do tronco cerebral do recém-nascido, dormir com os pais ou irmão, e de bruços ou de lado – em vez da posição correta, que é com a barriguinha para cima -, calor excessivo no ambiente, ou quando a mãe fuma durante a gravidez ou após o parto.

A fim de diminuir esse problema recorrente, a orientação americana reforça algumas medidas simples que reduzem em 50% o risco de mortes acidentais. São elas:

  • colocar o recém-nascido para dormir no mesmo quarto dos pais até completar seis meses de idade, mas em cama separadas;
  • deixar o bebê dormir em uma superfície plana, firme e livre de brinquedos e cobertas, com inclinação menor do que 10 graus;
  • não deixar o recém-nascido passar a noite em carrinhos de bebê ou cadeiras adaptadas em carros;
  • não dormir com o bebê no colo no sofá da sala, em puffs e colchões super macios também não é aconselhável, já que aumenta substancialmente o risco de lesão não intencional.

A AAP destaca também o cuidado com a cama compartilhada. “Uma grande porcentagem de bebês que morrem enquanto compartilham a cama são encontrados com o rosto ou a cabeça cobertos por roupas de cama. Portanto, é aconselhável não usar travesseiros, lençóis, cobertores, animais de estimação ou outros itens macios ou soltos que possam obstruir a respiração do bebê ou causar superaquecimento na cama”, sugere o documento.

Aqui no Brasil, as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria seguem a mesma linha das americanas e a morte súbita também é uma das principais preocupações. Orientam que o bebê durma de barriga para cima, já que está comprovado que essa medida reduz em até 70% os riscos morte súbita, em crianças até um ano de idade. Falam também sobre o cuidado com cobertores e outros objetos no berço e pedem que a inclinação do berço deve ser de no máximo 5%.

Ainda de acordo com a SBP, a literatura científica demonstra que a cama compartilhada aumenta o risco de Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL). Entretanto, reforçam que não há regra fixa, certo ou errado. Existe o que funciona para cada família, sempre levando em conta a segurança da criança.

Hora de mamar

O aleitamento materno é incentivado nos Estados Unidos até um ano de vida, visto todos os benefícios conhecidos para mãe e bebê, com aleitamento materno exclusivo até seis meses de idade, se possível. Já, aqui no Brasil, a recomendação é amamentar o bebê até 2 anos de idade. Segundo especialistas, os benefícios do aleitamento são muitos, previne que o bebê tenha diarreia, alergias e até casos de morte durante o sono.

E por falar em prevenção, outro alerta extremamente importante emitido pelo órgão americanos às famílias é sobre a imunização das crianças. No Brasil, a queda dos índices da cobertura vacinal tem se mostrado uma preocupação em todo o país. E falam também sobre outras coisas que podem ser nocivas à criança, como exposição à nicotina, álcool, maconha, opióides e drogas ilícitas que são nocivos para a mãe e para o bebê.

O aleitamento materno é recomendado até os primeiros seis meses de vida. A prática de amamentar, no entanto, é aconselhada até os 2 anos da criança — ou mais, segundo OMS (Foto: Getty Images)

E a chupeta?

O uso da chupeta é outro ponto moderado pelo guia norte americano. “Oferecer uma chupeta na hora da soneca e na hora de dormir é recomendado para reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita”, está em um dos trechos. Porém, no caso de bebês que são alimentados com leite materno a introdução da chupeta deve ser retardada, até que a amamentação esteja firmemente estabelecida para não atrapalhar o processo. Mas alertam: nunca pendure uma chupeta no pescoço do bebê ou prenda-a na roupa do bebê quando o bebê for colocado para dormir pelo risco de estrangulamento.

Aqui no Brasil, a escolha sobre o uso do acessório fica a escolha da família. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que os pais façam a opção do uso ou não da chupeta após conhecimento dos “prós e contras” junto ao pediatra da criança.  Já sobre as questões de segurança também deixam o alerta dos acessórios relacionados que podem causar asfixia ou estrangulamento.

Vale lembrar que as dicas dos órgãos pediátricos são criados pensando na segurança das crianças e não se referem a educação e comportamento das famílias.