Hormônio “Chip da beleza” é classificado como anabolizante pela Anvisa

O medicamento chegou a ser contra indicado pelas associações médicas pelo excesso de prescrição e uso indiscriminado para fins estéticos

Resumo da Notícia

  • A  Anvisa incluiu o hormônio gestrinona, popularmente conhecido como o “chip da beleza”, na lista de controle especial das substâncias anabolizantes
  • A substância gerou polêmica, no ano passado, por ser utilizada de forma indiscriminada para fins estéticos
  • Entenda o que é a gestrinoma e qual a sua finalidade

A  Anvisa inclui o hormônio gestrinona, popularmente conhecido como o “chip da beleza”, na lista de controle especial (C5), onde ficam discriminadas as substâncias anabolizantes.

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Da família dos anticoncepcionais, a gestrinona é uma substância, usada desde a década de 80, criada para tratamentos ginecológicos, como a endometriose e que nos últimos anos foi utilizada de forma indiscriminada e gerou grande repercussão na comunidade médica.

O uso indiscriminado do medicamento pode causar sérios problemas de saúde (Foto: iStock)

Segundo o ginecologista e especialista em endometriose da Universidade de São Paulo e do Hospital Albert Einstein e  Igor Padovesi, pai de Beatriz, Guilherme e Cecília, a gestrinoma tem ação antiandrogênica, ou seja, é capaz de bloquear as ovulações e a menstruação, eliminando as cólicas e TPM, e com um diferencial, ao contrário dos outros anticoncepcionais, ela aumenta ou níveis da testosterona no organismo feminino.

Ainda segundo o ginecologista, nos últimos três anos a substância foi disponibilizada no mercado em forma de implantes absorvíveis e essa facilidade levou a um “boom” de aplicações. “Por falta de informação e em busca de promessas milagrosas a gestrinona começou a ser aplicada sem as devidas prescrições médicas, para fins estéticos e ficou maldita como “chip da beleza”. O fato é que o hormônio estimula a produção da testosterona que pode gerar alguns efeitos colaterais como emagrecimento,  aumento da libido, melhora da disposição,  entre outros, porém não é essa a sua finalidade. O uso incorreto da medicação pode causar sérios problemas à saúde, como aumento de colesterol, problemas hepáticos e cardiorespiratórios.”, alerta o médico.

Por este motivo, no ano passado, as sociedades médicas entraram num embate contra a substância, por não possuir um registro específico dentro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).  Em novembro de 2021, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) divulgou uma nota contraindicando a utilização desse recurso para qualquer tipo de finalidade, seja estética ou terapêutica. O uso da substância também foi criticado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), que alertou a falta de dados suficientes que validem o dispositivo.

Dr. Igor explica que diante da banalização, o excesso de prescrição e o uso irresponsável do medicamento as comunidades médicas fizeram o papel delas de alertar para os riscos da medicação. “O problema não é o hormônio e sim a forma como ele tem sido utilizado  – para fins estéticos. Por isso vale reforçar que quando usado corretamente, para os tratamentos ginecológicos, a gestrinona pode ser ter excelentes resultados para a saúde feminina”.

A partir da nova regulação da Anvisa, o hormônio só poderá ser comercializado com apresentação da Receita de Controle Especial (RCE) em duas vias. Esse documento deve conter o CPF do médico e o número CID da doença (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde).