Família

Conheça a família de Mauricio de Sousa além dos quadrinhos: “Ter um filho é dobrar de tamanho”

Eles são patrimônio nacional. Armamos esse encontro icônico e exclusivo para mostrar como é a casa deles. Nesse caso, consideramos o lar a Maurício de Sousa Produções, o lugar que toda geração gostaria de entrar

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Mauricio com as filhas Mônica, Magali e Mariângela (Foto: Acervo pessoal Pais&Filhos)

Família é tudo de bom. E para Mauricio de Sousa, quanto maior, melhor. Presente na vida e memória de muitas gerações, o cartunista sempre sonhou com a paternidade. O desejo era tão forte que ele se tornou pai de dez.

E como na maioria das famílias grandes, é difícil juntar todo mundo. Os filhos de Mauricio não se reuniam há mais de três anos. Mas a gente conseguiu armar esse encontro icônico, que ficou marcado na nossa história (e dessa família). “Eu nunca pensei em não ser pai. Quando se tem um filho, você dobra de tamanho. Não só pela responsabilidade, mas pela companhia e tudo o que a gente aprende com a criança. Não tem nada melhor do que ser pai”, conta Mauricio, que acredita que o nascimento de cada filho trouxe também uma nova transformação.

E foi com esse pensamento que ele criou (e muito bem!) todos eles, que estão distribuídos em três gerações – já que a primogênita, Mariângela, nasceu em 1959 e o caçula, Marcelinho, tem apenas 20 anos. Por isso, cada um dos dez acompanhou uma fase e conheceu uma proposta de pai diferente.

Para Mônica, a segunda filha, a melhor lembrança da infância é de quando o pai ainda trabalhava em casa. “Ele não era superconhecido. A sala do nosso apartamento funcionava como escritório, os desenhistas ficavam lá e era uma delícia. Parecia que a gente estava num mundo mágico!”, lembra.

Com o passar do tempo e a agenda cheia, as filhas mais velhas aprenderam na prática que a qualidade do tempo juntos era o que realmente importava. Qualquer oportunidade de levá-las a uma entrevista na TV ou na aprovação de desenhos, lá estavam as três meninas: Mariângela, Mônica e Magali.

Todos os filhos de Mauricio reunidos na Mauricio de Sousa Produções (Foto: Thais Galardi / Acervo da Pais&Filhos)

E mesmo depois do divórcio do primeiro casamento, a atenção não se perdeu. “O tempo era pra gente, ele olhava nos nossos olhos e isso foi fundamental. Recebemos muito amor, carinho e atenção”, Mônica lembra.

Apesar da rotina ter mudado com o tempo, a dedicação para criar e manter o vínculo com cada um dos filhos nunca mudou. Com ligação muito forte com todos eles, o costume de abraçar e beijar ainda faz parte dos hábitos da família que, claramente, tem muito amor envolvido. “Sou um pai presente e gosto de ser assim. Até hoje, quando encontro cada um, tenho a sensação agradável de companhia permanente”.

Inspiração dentro de casa
Mauricio é filho de Petronilha e Antonio Mauricio, ambos artistas. Criado em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, e em meio às poesias escritas pelos pais, o instinto de artista não demorou muito para aparecer. “Passei minha infância em uma casa cheia de livros, meus pais estavam sempre escrevendo. Eu adorava!”, ele conta.

Foram as lembranças da época de criança que também deram vida ao seu primeiro personagem, o Bidu. E ele não perdeu essa mania (ou o dom) de tirar ideias de seu cotidiano. Mônica é uma bela prova disso. A menina mais famosa dos quadrinhos surgiu dois anos depois do nascimento da filha do cartunista, que queria criar um personagem feminino.

Não precisou de muito, já que ela estava logo ali, com toda a sua personalidade forte pronta para virar desenho. “Pra você ver a força dela: eu não tinha nenhuma menina e depois virou a Turma da Mônica. Ela veio pra ficar, nasceu empoderada”.

Roda-gigante e cenário de gibi compõem o escritório da empresa (Foto: Thais Galardi / Acervo da Pais&Filhos)

Segunda casa
Apegado à família, ele fez questão de que o Estúdio Mauricio de Sousa Produções, localizado em São Paulo, ficasse próximo à casa dele (e dos filhos). “Eu consegui induzir todos a se mudarem para perto de mim (risos). Menos a Magali, que mora em Belo Horizonte, Minas Gerais”, conta.

Pelos corredores do estúdio, trabalho e família se misturam – e não teria como ser diferente, já que além de fazerem parte das histórias em quadrinhos de alguma maneira, quatro deles compõem as equipes que trabalham por lá.

Mônica, apesar de ser formada em desenho industrial e de ter resistido fazer parte da empresa quando era mais jovem, hoje ocupa o cargo de Diretora Executiva. Vanda, formada em comunicação visual, faz parte da equipe de projetos especiais.

Já Marina é publicitária e Diretora de Conteúdo Editorial. Mauro, formado em artes cênicas e músico, levou sua experiência para o estúdio e criou o departamento responsável pelos eventos da Turma da Mônica, ocupando o posto de Diretor de Produção. “A gente é privilegiado por nascer nessa família, somos sortudos pelo pai que temos e por ele ser a pessoa que criou tudo isso”, diz Mauro.

E as portas da empresa estão sempre abertas para a família toda – literalmente! Por lá, eles trabalham muito, mas também aproveitam para matar a saudade.

Compromisso com a edução e inclusão
E se você pensa que o único lado bom dessa história é poder ter a família sempre por perto, está enganado. Assim como os filhos de Mauricio aprenderam muito sobre o amor e o carinho, também cresceram entendendo o compromisso da Turma da Mônica com a educação.

E isso como um todo, seja com os gibis incentivando a leitura ou com a representatividade na criação de personagens e enredos. Exemplo disso são os mais novos vizinhos da rua do Limoeiro: Milena, seus pais e irmãos, que formam a primeira família negra. Além de André, que é autista; Edu, portador de Distrofia Muscular de Duchenne; Dorinha, que é cega; Tati, que tem síndrome de Down; e Luca, cadeirante.  “A gente costuma dizer que a Turma da Mônica é para toda criança, não importa como ela seja”, Marina explica.

Um dos novos projetos e que veio para modernizar as histórias da turma é o Donas da Rua, criado em março de 2016 com apoio da ONU Mulheres. Nele, algumas mudanças sutis foram feitas: as personagens mães não aparecem mais vestindo aventais e sempre na cozinha, por exemplo. E tudo isso é a prova de que esses herdeiros foram muito bem educados e estão tão comprometidos com a educação de outras famílias quanto o pai.

Mauricio no lançamento da revista no Parque da Mônica (Foto: Pais&Filhos)

Vocação pai
Em meio aos filhos, já adultos, Mauricio não esconde a felicidade de vê-los todos juntos, brincando e conversando. De sorriso discreto no rosto e assoviando, ele chega tímido, com o celular na mão e faz questão de registrar tudo em fotos e vídeos. “As minhas crianças quando se reúnem voltam à infância, com toda aquela algazarra e alegria da convivência”.

Magali, Mônica, Mauricio de Sousa e Mauro, na Feirinha Gastronômica da Magali (Reprodução / Instagram)

MÔNICA SOUSA
É filha de Mauricio e Marilene, mãe de Maria Carolina e Marcos, e avó de Marcos
P&F: Quais os valores que você trouxe dos seus pais para a criação dos seus filhos?
O que eles me ensinaram foi o respeito pelo próximo. Fomos criados em um mundo de diversidade de credos, raças e etnias, então para a gente sempre foi muito normal viver com todas essas diferenças.
P&F: Família é tudo pra você?
Com certeza! E pode ser muito mais do que as pessoas que moram com a gente ou que nasceram como irmãos. É também quem você vai conquistando. É segurança, felicidade, é poder contar um com o outro, é uma delícia!

Mônica, uma das mais velhas, lembra com carinho de alguns momentos. “Ele era muito criativo nas brincadeiras, usava qualquer coisa: papel e caneta, no trânsito… Coisas que eu também fiz com os meus filhos e vou fazer com meu neto. A presença do meu pai era muito maior do que qualquer coisa que se possa comprar”, conta.

Segundo Mauro, o oitavo filho, um dos mais novos, todo esse cuidado continua. “Mesmo sendo workaholic, quando meu pai estava com a gente, era realmente presente. Sempre feliz e nos amando muito”, lembra.

Hoje, o cartunista é pai, avô e bisavô. E segundo ele, com o tempo, esse papel só fica mais fácil, enquanto a responsabilidade vai afrouxando conforme as gerações. “Ser avô é muito mais fácil! Você só precisa estragar tudo!”, brinca. E mesmo sem o costume de reunir a família inteira de uma vez, algo nunca muda por ali: o tempo de qualidade como principal objetivo. “Melhor do que ser pai, é ter os filhos por perto”.

De olho no futuro
Para Mauricio, o convívio e o trabalho feitos diretamente para meninos e meninas trazem à tona todos os sentimentos e sensações da infância. “A minha relação com as crianças não terminou e não pretendo que acabe. Eu sou a continuação do moleque que eu era”, conta. E é dessa forma – com a curiosidade, o humor, a criatividade e a liberdade infantil – que ele encara a vida. “Tenho mais de 80 anos e não sinto a minha idade. Gostei tanto dessa experiência, que estou esticando minha infância até hoje!”.

O lançamento mais recente de Mauricio de Sousa é em parceria com ninguém menos do que Monteiro Lobato: os livros “Narizinho Arrebitado”, que custa R$ 34,90, e “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, por R$ 39,90, da Editora Girassol.

Há anos ele foi convidado para fazer uma releitura das obras, mas recusou. “Apesar de leitor voraz, tive excesso de respeito e achei que não podia mexer em algo que já estava feito. Era uma coisa sagrada pra mim”, lembra. Para a nossa sorte, e dos nossos filhos, assim que as histórias de Lobato se tornaram de domínio público, Mauricio voltou atrás e resolveu colocar a mão na massa. “É um reencontro. Eu comecei a ler com Lobato e agora posso realizar esse sonho!”

Leia também:

É oficial! Veja como foi o lançamento da Pais&Filhos de abril com Mauricio de Sousa

Mauricio de Sousa ilustra livro de Monteiro Lobato e leva a Turma da Mônica ao Sítio do Picapau Amarelo

Mauricio de Sousa prova que é um paizão e posta foto ao lado do filho com o namorado: “Meu genro”