Coronavac é a “vacina mais segura de todas já testadas”, afirma Dimas Covas

O índice preciso de eficácia da vacina, contudo, não foi divulgado nesta quarta (23) pelo governo paulista, como estava previsto

A CoronaVac, vacina contra covid-19 desenvolvida em parceria com o laboratório chinês SinoVac, tem eficácia superior a 50% e terá o registro pedido à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O índice preciso de eficácia, contudo, não foi divulgado nesta quarta (23) pelo governo paulista, como estava previsto.

-Publicidade-
(Foto: Getty Images)

Em coletiva de imprensa realizada hoje, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou que a CoronaVac “é a vacina mais segura de todas já testadas”, apesar de não divulgar os dados de eficácia. “Atingimos a superioridade da eficácia da vacina para covid-19. No ponto de vista da segurança, é a vacina mais segura no Brasil. Na China, por exemplo, já são mais de 300 mil pessoas vacinadas”, afirmou.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, as primeiras análises da vacina corroboram que a CoronaVac é a mais segura de todas que estão em teste atualmente. Além disso, foi anunciado que a CoronaVac apresentou eficácia suficiente, na fase 3 de testes, para pedir registro de uso emergencial.

-Publicidade-

Em relação aos efeitos colaterais da vacina, Dimas afirmou que houve manifestações adversas leves, com frequência baixa. “A reação mais frequente foi dor no local da injeção, e mesmo essa manifestação não foi substancialmente diferente entre o grupo vacinal e grupo placebo. Atingimos o limiar de eficácia que permite o processo de solicitação de uso emergencial, seja no Brasil ou na China”.

(Foto: Getty Images)

Sigilo na divulgação dos dados de eficácia

Dimas Covas explicou por que a porcentagem de eficácia não foi divulgada hoje. Segundo ele, foi um pedido do SinoVac, previsto em contrato. O objetivo é que os dados sejam comparados a resultados de pesquisas em outros países, evitando que a vacina tenha diferentes índices de eficácia anunciados.

“A Sinovac solicitou que não houvesse divulgação do número, porque precisam analisar cada um dos casos para poder mandar para a Anvisa da China. A Sinovac solicitou um prazo de 15 dias pra analisar os dados, por razões contratuais, mas acreditamos piamente que essa data será adiantada”, completou Dimas Covas.

Durante a coletiva de imprensa, o jornalista Alvaro Pereira, da GloboPlay, questionou o Governo de São Paulo em relação ao motivo para a não divulgação dos números de eficácia da CoronaVac, como estava previsto para esta quarta (23).

“O número efetivo da eficácia é muito importante para o programa de vacinação. Esse número, ainda que seja sigiloso, decepcionou vocês? Ele pauta a campanha de vacinação pra saber quantos milhões serão imunizados no Brasil?”, questionou.

“Nosso objetivo é que ela fosse acima de 50%. Se fosse 51%, já seria suficiente, principalmente porque vivemos uma crise sanitária. Uma vacina que representa essa mínima superioridade já é bom. Os dados que foram levantados são números sigilosos e restritos por acordos comerciais”, justificou João Gabbardo, coordenador executivo do centro de contingência covid-19.

-Publicidade-