CoronaVac: veja os dados de eficácia da vacina do Butantan e entenda como a imunização funciona

Em uma coletiva de imprensa no início da tarde de hoje, 7 de janeiro, o governador do estado de São Paulo falou sobre as porcentagens da eficácia e explicou como a vacina se comportou nos casos da doença

Resumo da Notícia

  • João Doria falou sobre os dados de eficácia da vacina
  • Ao todo, 12.416 foram voluntários no estudo
  • O Instituto Butantan tem capacidade de produzir cerca de 1 milhão de doses por dia da vacina

Nesta segunda-feira, 7 de janeiro, o governo do estado de São Paulo se reuniu para divulgar os dados de eficácia da Coronavac, também conhecida como Vacina do Butantan, durante uma coletiva de imprensa no início da tarde. “Nós conseguimos a vacina do Brasil, que vai salvar milhões de brasileiros a partir de agora. Já temos a vacina em solo brasileiro e pronta para a imunização”, disse João Doria, governador do estado de São Paulo.

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A tecnologia da vacina é feita a partir do vírus inativado (Foto: Unsplash)

Sobre a eficácia, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan explicou que o estudo foi realizado com 12.416 profissionais da saúde, que cuidam diretamente de pacientes contaminados. Das pessoas que receberam a vacina, 100% delas não apresentou casos graves da doença, além também da eficácia de 100% nos casos moderados. Foi comemorado ainda a não necessidade de internação de nenhum dos voluntários.

Já no atendimento ambulatorial, 78% não precisou buscar por um hospital e o mesmo número apresentou apenas os casos leves da doença. Segundo o diretor do Instituto, pode haver contaminações, mas a vacina irá evitar que a doença não progrida e gere os casos mais graves que necessitam de internação. “A vacina é eficaz e a única disponível hoje para o controle da pandemia no Brasil. Além disso, ela está entre as mais seguras do mundo”, explica Dimas Covas. “Estamos presenciando hoje um fato histórico”. Segundo a Anvisa, é necessário que as vacinas tenham acima de 50% de eficácia.

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Sérgio Cimerman, infectologista no Instituto Emílio Ribas, afirmou que o Butantan tem uma capacidade de produzir cerca de 1 milhão de doses da vacina por dia. Já Rosana Richtmann, também infectologista do mesmo instituto, disse que “o primeiro objetivo é diminuir o impacto da doença, tanto na fase aguda, como nas consequência que ela pode trazer”.

A vacina tem 78% de eficácia nos casos leves e 100% em casos de moderado a grave (Foto: reprodução / vídeo / YouTube)

O que significa a eficácia da vacina?

A taxa de eficácia é um conceito que se aplica a vacinas em estudos e representa a proporção de redução de casos da doença contra a qual ela quer proteger entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado. Por exemplo: se uma vacina tem 78% de eficácia, significa que 78% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. A taxa mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 50%.

A Pais&Filhos conversou com o infectologista Dr. Gerson Salvador, pai de Laura, Lucas e Luís, que explicou como funciona as diferentes estudos de vacina com o vírus inativado, adenovírus ou RNA. “A tecnologia utilizada vai interferir nos resultados, mas a eficácia vai variar de produto para produto. Ela é obtida através do estudo de fase 3 e irá ser comparado um desfecho entre as pessoas que receberam a vacinação e os pacientes que receberam placebo. É nessa comparação que conseguiu-se observar essa proporção de 78% para casos leves e 100% para os moderados e graves”.

Sobre a eficácia da vacina, Gerson reforçou a importância do compartilhamento de informações e falou dos resultados positivos: “As planilhas com os dados ainda não estão abertas, então é importante esperar para ter uma compreensão geral sobre a vacina. Mas, saber que ela tem uma proteção de 100% para casos moderados e graves, e que do grupo que foi vacinado não teve nenhuma morte, é bastante alentador”.

Durante a coletiva, os dados da eficácia da vacina foram apresentados (Foto: reprodução / vídeo / YouTube)

Uso emergencial da Vacina do Butantan

Pela manhã, Dimas Covas contou que a equipe se reuniu com a Anvisa para abordar o assunto. “O rito que a Anvisa estabeleceu é que o pedido para uso emergencial deve começar com uma apresentação de dados e uma reunião introdutória”. Ainda hoje, o diretor disse que haverá mais uma reunião: “Haverá mais uma reunião que que, a partir da documentação, possa ser feito o pedido para uso emergencial“. O relatório com todos os dados será disponibilizado assim que for apresentado ao órgão.

Início da vacinação

Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde de São Paulo, reforçou que a vacinação ainda segue as datas já anunciadas. A primeira fase terá início em 25 de janeiro, para os profissionais de saúde, indígenas e quilombolas. “Nós vivemos uma crise sanitária, e a única forma de salvarmos vidas de forma democrática é imunizando a todos a partir do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

Homenagem aos profissionais de saúde

Durante toda a coletiva, João Doria e os especialistas agradeceram por todo apoio dos profissionais de saúde desde o início da pandemia. Esper Kallas, médico infectologista do HC/USP, reforçou: “Os profissionais de saúde arriscaram a própria vida para salvar vidas, mas também tiveram um ato muito nobre de serem voluntários”.

Emocionado, o governador deixou ainda uma mensagem para as famílias: “Aos familiares que choram a perda de seus pais, filhos, irmãos, avós, a nossa solidariedade, a nossa compaixão. Fico feliz em saber que a maioria dos brasileiros tem amor no coração. Sigam se protegendo, siga orientando seus familiares e amigos a se protegerem. A todos os brasileiros que tem amor, compaixão e fé, a minha homenagem como cidadão e pai de família”, concluiu.

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