De geração em geração: as tradições familiares são muito importantes na vida do seu filho e da sua família

É isso que faz da sua família única, cria memórias inesquecíveis e dita o futuro do seu filho. E não existe melhor data para praticar (ou criar!) rituais exclusivos e especiais do que o Natal. Aproveite!

 

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(Foto: Thalita Castanha)

Um pinheiro com enfeites, bolas vermelhas e pisca-pisca, bem no meio da sala. Guirlanda na porta de entrada. Bonecos de Papai Noel pela casa. Uma ceia recheada de comidas gostosas e um brinde à meia-noite. Com certeza uma dessas tradições faz parte do Natal da sua família – e está sendo passada ano a ano, de geração para geração, tornando as reuniões de final de ano muito mais especiais.

“É assim, nas repetições desses ritos, que a criança vai entendendo e criando a sensação de pertencimento”, explica Regina Politi, mãe de Ricardo, Guilherme, Fernanda e Simone, psicóloga especialista em família e nossa colunista. A data, que nos lembra todos os anos a importância de nos reunir com quem amamos, celebrar e ser gratos, traz muitas tradições populares – mas há quem tenha algumas que representam um verdadeiro legado familiar. Nesses casos, não precisa ser algo grandioso, mas, sim, que seja único e tenha significado para vocês. “É assim que seu filho percebe que existe um entorno, um cuidado entre os membros da família. Ele entende que mesmo sendo diferentes, aquelas pessoas se cuidam e se gostam porque têm a mesma origem. A criança percebe que é parte de uma cadeia geracional de longa data”, a especialista esclarece.

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Tudo tem uma origem
Tradições familiares são importantes para lembrar que cada família é única. Elas trazem a sensação de pertencimento, dão aquela aquecida no coração e nos lembram de onde viemos e o legado que queremos levar para frente. “As tradições trazem a marca de cada família e dão aos seus membros a confiança em um vínculo que podem contar na alegria e na tristeza”, comenta Silvia Lobo, mãe de Adriana, Suzana e Mauricio, e psicóloga, psicanalista e socióloga. Segundo Regina, a repetição periódica desses ritos e o encontro entre gerações ensinam na prática para as crianças sobre a origem da família e os seus costumes, o que, no futuro, reforça a sensação de pertencimento e a representação de que família é porto-seguro. “O fato de ela perceber que tem história e origem, faz com que ela se sinta importante para aquele grupo – ela entende que tem significado e um papel para cumprir nessa família. Isso vai permitir que essa criança se desenvolva de maneira saudável, percebendo as diversas relações dentro da sua tribo”, comenta Regina.

E conviver com avós, tios, primos e parentes – encontros geralmente propiciados pela noite de Natal – desde cedo, ajuda a criança a formar a sua primeira identidade. “Chamamos de identidade matriz e ela vai mudando ao longo da vida, mas tudo começa ali, com a família. Conhecer suas origens traz segurança – porque sem as histórias, tradições e hábitos, ela não entende de onde veio e não se sente importante, não se sente incluída naquele grupo e isso pode gerar insegurança”, ela explica.

 

Na família Rossi Ferrari, que estamparam nossa capa e matéria, não existe uma tradição diferentona. Mas Jéssica e Rahi, pais de Mell e Anne, fazem questão de se reunir com a família no Natal. E isso quer dizer que até os parentes que moram fora do Brasil vêm para participar da ceia na casa da avó materna. “Ficamos todos juntos e fazemos uma oração à meia-noite. O Natal é muito importante para nós”, ela comenta (Foto: Thalita Castanha)

Passado, presente e futuro

Entender de onde veio e o porquê a vida, a família e os costumes serem como são agora, no presente, vão fazer toda a diferença para o futuro do seu filho – essa é a base. “A Família é como um útero materno. É um ninho, é o ambiente saudável daquela criança”, Regina exemplifica. Por isso, conviver com parentes que mesmo com suas diferenças cuidam e prezam uns pelos outros, vai refletir na personalidade e na vida adulta do seu filho.

“Precisamos pensar na criança como uma árvore: ela precisa de raízes para crescer, se desenvolver e ter uma vida de sucesso. Então, o passado e costumes da família são tão importantes como levar esse legado para o futuro”, explica Regina. Na prática, as tradições são importantes para conectar os três tempos: passado, presente e futuro. É o que traz significado à vida, é o pilar das relações familiares. “Esses rituais permitem que as receitas de família, por exemplo, cheguem à mesa e se perpetuem através das novas gerações. Eles permitem união e a fraternidade. Acredito que cultivar as tradições vale muito a pena!”, comenta Silvia.

E se por acaso você não vive mais com o pai ou a mãe do seu filho, deve estar se perguntando como manter essa convivência e ensinar a ele sobre as raízes familiares. Pois bem, a dica aqui é revezar – véspera com a mãe e Natal com o pai, por exemplo. Mas o que é mais importante é que a criança tenha a oportunidade de se conectar com a história de cada lado da família e criar laços com os parentes maternos e paternos.

Cada um do seu jeito

E se na sua família ainda não existe um ritual ou ele se perdeu ao longo das gerações, criar uma tradição do zero pode ajudar vocês a encontrar novas maneiras de se relacionar uns com os outros – o que, convenhamos, é essencial nos dias de hoje. “É importante criar rituais e tornar o tempo da família juntos uma prioridade. Essas atividades não são apenas por diversão. Elas trabalham para manter a família unida durante estágios cruciais de desenvolvimento na vida das crianças. Elas também ajudam a dar a cada família sua identidade única, baseada na própria história, herança e religião”, explica Laura Doerflinger, terapeuta familiar de Kirkland, em Washington, nos Estados Unidos.

Esses hábitos, sejam passados de geração em geração ou iniciados como algo novo na sua família, têm a capacidade de transformar um dia normal em uma memória que durará anos, e (tomara!) até gerações. A dica da especialista em tradições familiares e autora do livro “The Book of New Family Traditions: How to Create Great Rituals for Holidays and Every Day” – ou, em português, “O Livro das Novas Tradições Familiares: Como Criar Grandes Rituais para Feriados e Todos os Dias” –, Meg Cox, é começar com algo que vocês se identifiquem. “Se vocês são uma família musical, por exemplo, façam um show de férias. Se vocês são mais aventureiros, programem uma viagem de acampamento todos os anos”, exemplifica. “Alguns pais acham que precisam fazer algo grande para criar memórias, quando, na realidade, as pequenas ações e rituais que fazem juntos tendem a ficar para sempre na mente da criança”, explica Susan Newman, mãe de cinco filhos, psicóloga social e autora. Independente de como vocês prefiram curtir o Natal, passar um tempo com a família e amigos nesta data pode ser uma ótima maneira de começar sua própria tradição familiar. Afinal de contas, a chave para uma família unida é um repertório de rituais únicos e divertidos.

QUEM VEIO ANTES?

Alguns hábitos que estamos acostumados a repetir anualmente, mesmo que em diferentes religiões ou lugares do mundo, têm significados históricos e bem curiosas. Separamos alguns, e quem nos ajudou foi João Ivo Fonseca, professor de história e à frente do canal do YouTube Na Cola da Prova.

Reunir-se à mesa

Não tem Natal se não tiver família completa na mesa. Mas essa tradição começou lá com nossos primeiros ancestrais humanos. “Era uma forma de proteção num momento de certa fragilidade, diante de possíveis ataques de animais ou outras comunidades”, João explica. E tem mais, como ter comida não era assim tão comum, essa reunião também era uma espécie de celebração. “Existem registros de que os povos da Europa durante a Antiguidade celebravam as grandes caçadas convidando membros da comunidade para cearem todos juntos”, ele completa. Ou seja, com o passar do tempo esse hábito foi mantido e virou o que conhecemos hoje.

Papai Noel existe, sim!

A versão mais famosa dessa história é, sem dúvidas, a de Santo Nicolau – que foi um membro do clero durante o século III d.C.. “Ele ficou conhecido por distribuir presentes para crianças e por ser muito generoso com elas”, João conta. Segundo o professor, durante o processo de cristianização da Europa, a igreja católica se apropria de alguns costumes – como a troca de presentes para celebrar as mudanças de estação, que faziam parte da cultura pagã – e para cristianizar 25 de dezembro, que celebrava o solstício de inverno, estabeleceram como o nascimento de Cristo. “Segundo documentos da época, o primeiro relato de celebração de Natal ocorreu em 354 d.C., e vale lembrar que a palavra Natal vem do latim natalis, que significa nascer”, comenta.

Árvore de Natal
Essa tradição também tem origem dos povos pagãos europeus, já que em dezembro na Europa é uma das épocas mais frias do ano e as árvores perdiam suas folhas. “Por conta disso, eles levavam uma árvore para dentro de casa para lembrar a fertilidade e rezar para que ela ressurgisse na próxima estação. Parte do ritual era enfeitar essa árvore com adereços, para homenagear os deuses”, ele explica.

PAPAI NOEL EXISTE, SIM!
Falando nisso, assistimos antes de todo mundo a primeira animação da Netflix, Klaus. Rodrigo Santoro, pai de Nina, deu voz a Jesper, personagem principal e nós batemos um papo exclusivo com ele.

P&F: Você acreditava em Papai Noel quando criança?

RODRIGO SANTORO: Como assim acreditava? Eu ainda acredito! Eu acho que ele é a encarnação de algo lúdico
e de esperança, um sentimento de generosidade, compaixão, altruísmo e todas essas coisas boas

P&F: E você tem alguma tradição de família?

RS: O reecontro com a família inteira, com primos que não vejo durante o ano. A família completa é só no Natal. A gente se reconecta, tem uma troca, ri e chora, enfim!

P&F: E como a sua vida mudou depois da paternidade?

RS: Muda completamente. Muda dentro, muda a sua percepção. O foco sai de você e passa para outra pessoa. E é um amor indescritível, incomparável, é uma coisa muito forte. Tudo muda para melhor.

P&F: E como é ser pai? 

RS: É um trabalho enorme, mas é um amor de uma profundidade tão grande que ele é o que realmente te ensina as coisas. É incrível, muito bonito, o maior presente que já recebi.

EM OUTRAS RELIGIÕES

  •  Tradicionalmente uma festa cristã, o Natal lembra e comemora o nascimento de Jesus.
  • Os judeus celebram a data em uma festa que leva o nome de Hanukkah (Festa das Luzes, em português), que é a comemoração de uma vitória militar no século II a.C. e uma reivindicação espiritual.
  • Para os hindus a data é uma mistura entre o Natal ocidental e o Diwali (festival das luzes).
  • Na umbanda não existe a tradição comercial do Natal, eles celebram a divindade de Jesus.
  • Pentecostais e neopentecostais celebram somente o nascimento de Cristo, sem banquetes e presentes.
  •  A celebração do Natal para os islãs radicais é proibida, já para os que têm maior abertura a data é algo comercial.
  • Budistas e xintoístas, celebram o Natal, mas a data se tornou algo comercial e mais uma oportunidade para comemorar e demonstrar o amor.

TRADIÇÕES MUNDO AFORA…

  • FRANÇA:  É também o dia da reconciliação, de renascimento de velhas amizades. É comum presentear
    e tentar fazer as pazes com algum desentendimento.
  • ESTADOS UNIDOS:  Por lá, pisca-pisca e muitos enfeites é regra dentro e fora de casa. E tem mais: só é permitido abrir os presentes na manhã do dia 25 de dezembro.
  • ITÁLIA: Fechando o ciclo do Natal, por lá existe a lenda da Befana – uma bruxa que aparece no dia 6 de janeiro (quando eles desmontam a árvore de Natal) e traz doce para as crianças boazinhas e carvão para as levadas.
  • FILIPINAS: Um sábado antes do Natal, todos os anos, acontece um festival de lanternas gigantes. A mensagem é de luz e esperança para todos.
  • SUÉCIA: Por lá a onda é ter o que chamam de Yule Goat – na prática, uma cabra ou bode com mais de 10
    metros. Na véspera de Natal eles incendeiam a decoração.
  • ÁUSTRIA: Enquanto o Papai Noel recompensa crianças boas com presentes, na cultura deles as más são assustadas pela figura de Krampus, que tem chifres e usa correntes e sinos.
  • MÉXICO: A graça são as piñatas, figuras feitas de barro em forma de estrela e enfeitadas de papéis coloridos. Recheada de doces, as crianças batem nela até quebrar e aproveitam as guloseimas.
  • IRLANDA: A tradição é usar as balas Christmas Crackers na decoração, que é recheada com brinquedos. No dia de Natal, cada pessoa fica numa ponta da mesa e puxa ela até estourar. Quem pegar a parte da surpresa, fica com ela.

FELIZ NATAL! OU…
Merry Christmas!
Buon Natale!
Joyeux Noel!
Bom Nadal!
Sheng Tan Kuai Loh!

Esses hábitos, sejam passados de geração em geração ou iniciados como algo novo na sua família, têm a capacidade de transformar um dia normal em uma memória que durará anos, e (tomara!) até gerações. A dica da especialista em tradições familiares e autora do livro The Book of New Family Traditions: How to Create Great Rituals for Holidays and Every Day – ou, em português, “O Livro das Novas Tradições Familiares: Como Criar Grandes Rituais para Feriados e Todos os Dias” –, Meg Cox, é começar com algo que vocês se identifiquem. “Se vocês são uma família musical, por exemplo, façam um show de férias. Se vocês são mais aventureiros, programem uma viagem de acampamento todos os anos”, exemplifica.

“Alguns pais acham que precisam fazer algo grande para criar memórias, quando, na realidade, as pequenas ações e rituais que fazem juntos tendem a ficar para sempre na mente da criança“, explica Susan Newman, mãe de cinco filhos, psicóloga social e autora. Independente de como vocês prefiram curtir o Natal, passar um tempo com a família e amigos nesta data pode ser uma ótima maneira de começar sua própria tradição familiar. Afinal de contas, a chave para uma família unida é um repertório de rituais únicos e divertidos!

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