Dia dos Pais: porque a vida é muito melhor ao lado deles

Ser pai vai muito além de um título, e estar presente na criação dos filhos é fundamental para desempenhar esse papel, que cá entre nós, é digno de protagonismo!

Resumo da Notícia

  • Como a figura paterna é importante para as crianças
  • O papel do pai mudou, é preciso assumir essa função
  • Você é a principal referência do seu filho

“Aquele que cria, que faz com que alguma coisa exista; autor, criador.” Esse é o significado da palavra pai no dicionário. O verbete, no entanto, não era visto dessa forma alguns anos atrás. Antigamente, os pais de família eram os que traziam dinheiro para a casa, enquanto a mulher, a mãe, cuidava dos afazeres domésticos e dos cuidados com os filhos.

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No Dia dos Pais, o mais importante é estar presente (Foto: Reprodução)

De um tempo para cá isso vem mudando. Ainda bem! Os pais deixaram de ser apenas provedores para serem o que devem ser: presentes em tempo integral, participando ativamente da vida do filho, educando e fazendo parte da rotina da casa como um todo, resumindo, assumindo o papel como pai. Isso tem uma importância imensa para as crianças. De acordo com o psicólogo Júlio Rique, lho de Afrânio e Zorilda, a presença do pai no crescimento de um filho, mesmo quando ele não mora na mesma casa, ou seja, separado da mãe, é fundamental para um desenvolvimento saudável da criança. Faz toda a diferença, porque pai é pai!

“A psicologia mostra no jogo de formação da identidade da criança a importância dos valores paternos, das atitudes e, principalmente para os adolescentes homens, a identificação com o pai, ou uma figura que represente paternidade”, explica o psicólogo, que também é Doutor em Desenvolvimento Humano pela Universidade de Wiscosin, em Madison, nos Estados Unidos.

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Essa representação também é muito importante. “Ficar com o pai significa não somente separar-se da mãe, mas também encontrar uma fonte de identificação masculina, imprescindível tanto para a menina, como para o menino”, acrescenta Avany Cardoso Leal, mãe de Henrique e Victor, professora de Psicologia.

A psicóloga acredita também que o modo como o pai se comporta e se apresenta para o mundo faz toda a diferença na vida das crianças. “O pai que ama os filhos não é apenas o que impõe limites, mas aquele que a criança tem orgulho e quer se parecer”, completa. Uma das provas dessa transformação é o dia a dia do nosso embaixador e fotógrafo Ike Levy, pai de Tony e Nina. Ele e a companheira, a cantora Luciana Mello, organizam as agendas todos os dias e preferem não ter babá. “Quando tem show, não marco fotos e vice-versa. Temos certa exibilidade de horário em nossos trabalhos e resolvemos cuidar pessoalmente dos filhos. Sem a pandemia, quando íamos ao cinema ou jantar fora, chamávamos uma das avós pra dormir em casa e dá tudo certo”, conta Ike. “A ausência emocional do pai pode trazer dificuldades de concentração e baixa do rendimento escolar, maior probabilidade de envolvimento com drogas e problemas sociais, já que causa um sentimento de ‘vazio interior’, de angústia, depressão e ansiedade no decorrer da vida. Vale lembrar que não é a quantidade de tempo e, sim, a qualidade do tempo que ele dedica ao filho”, destaca Avany.

Quando as crianças são rejeitadas pelos pais elas podem se sentir mais inseguras e até agressivas, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos. O Ike participa da rotina dos filhos desde o nascimento da primeira filha. Ele era daqueles que cuidava de cada passo da esposa durante a gravidez. A ansiedade era tanta que ele fez a mala para a maternidade ainda no sexto mês de gestação. “Depois cheguei a trocar as roupas, ficou tanto tempo no carro que cansei de me imaginar com elas”, lembra.

Na gravidez do segundo filho, o pai ficou ainda mais protetor. “Eu cuidava da Lu, da Nina e da barriga”. No dia em que o Tony chegou, Ike convenceu a equipe da maternidade a deixar a Nina ficar no quarto junto com a mãe. “Achei injusto ela ter que voltar pra casa naquele momento em que a família cresceu. Fizemos um acampamento no quarto e foi uma delícia. Ela falava baixo e queria ajudar a mãe com o novo irmão. Eu fotografava, chorava e agradecia.” Com a criação dos dois filhos, o fotógrafo acredita que existem, sim, diferenças entre ser pai de menina e de menino. Ele acha que pais e mães têm tarefas diferentes. E isso não por imposições sociais, mas, sim, por aptidões diferentes. Cada um tem algo distinto para oferecer, mas nenhum dos dois supera a importância de cada um da na educação e desenvolvimento dos filhos. Ele afirma que sempre teve aflição em dar banho nos filhos muito pequenos. Luciana, em compensação, sempre teve muita naturalidade e destreza nessa atividade. “Eu faço um ovo frito campeão, mas vivo tomando dura que sujo muito a cozinha. Sou eu quem acordo a Nina todos os dias às 6 da manhã, dou o café da manhã e acordo a Lu apenas pra finalizar o cabelo”, conta o fotógrafo, explicando melhor como funciona a divisão de tarefas na rotina de casa da família.

Aptidões são diferentes, no entanto, não quer dizer que o pai não possa ensinar aos filhos como cuidar da casa ou cozinhar, pontos que são vistos socialmente como “coisa de mulher”, muito pelo contrário. Isso precisa ser desconstruído. É o que acredita o pai Pedro Henrichs. Ele é empresário, militante político e é casado com a assistente social Iara Cordeiro. Eles são pais do Don. “Se eu cozinho, ela lava a louça. Se ela lava a roupa, eu estendo e vice-versa”, explica.

Com os cuidados com o filho, as tarefas também são divididas. Ele nos contou que acorda o menino para ir para a escola, arruma os materiais e a mãe busca. A questão de gênero também é muito pensada pela família. Lá, acontece o que deveria acontecer em todas as casas. Ela ensina para o menino que não existe coisa só de menina ou só de menino. Educação compartilhada é tudo! “Igualdade, fraternidade, direitos sociais civis garantidos são valores que nós tentamos ensinar para ele. Não devemos ter preconceito com pessoas em nenhuma situação, seja por raça, gênero, orientação sexual. Valores que deveriam ser comuns de toda a sociedade”. Como o pai trabalha no setor de alimentação, o menino também quis cozinhar. Sendo assim, ele ganhou um fogão de brinquedo para brincar com o pai. “Eu sempre preparo comida de verdade para ele e ele faz comida de mentira pra mim.”

A questão de gênero também pode ser vista como mudança quando se trata das consultas médicas. De acordo com o pediatra e nosso colunista Claudio Len, a presença masculina no consultório cresceu com o tempo. Uma das apostas para isso ter acontecido, segundo o especialista, é a entrada de mais mulheres no mercado de trabalho. “Os pais estão mais presentes, mas vejo muito revezamento também. O homem traz o filho enquanto a mulher está trabalhando”, comenta.

Antes do filho chegar

É muito comum que as mulheres sintam que são mães logo quando descobrem a gravidez. Os pais podem demorar um pouco mais para terem o sentimento de paternidade aflorada ou para a ficha cair de vez. Ainda assim, existem coisas que ele pode (e deve) fazer pela mãe e pelo bebê antes do nascimento. A primeira coisa é entender que a vida dele e da companheira mudou. Então, é importante fazer de tudo para que não só a mulher se sinta mais tranquila, mas todo o ambiente em que ela está seja adequado. “Já na gestação, o pai pode cumprir a função que lhe cabe. Não estressar, nem cobrar demais”, alerta o pediatra. Respeito e compreensão são as palavras-chaves nesse momento!

Dúvidas e mais dúvidas…

Mais uma prova da importância da figura paterna são as perguntas. As crianças costumam ver o pai como “O sabe tudo”. E dá-lhe conversas cheias de “Por quê”O escritor brasileiro Ilan Brenman, pai de Liz e Íris, que nos diga. Além do “por que” de tudo, as filhas também queriam saber quem tinha inventado diversas coisas. De tanto as filhas chamarem sua atenção questionando quem criou cada coisa, ele escreveu um livro titulado justamente com uma das perguntas mais feitas por elas, “Pai, quem inventou?”. Na obra infantil, você encontra uma imensidade de perguntas e respostas bem humoradas sobre diversos assuntos. Quando a personagem pergunta ao pai quem inventou o doce de leite, ele responde: “Essa é fácil! Foi sua avó Diana”, por exemplo. O autor também é responsável por outros sucessos da literatura infantil, como “Conversa para pai dormir” e “Até as Princesas Soltam Pum”.

Para eles também

A mudança se reflete também no trabalho. Em março de 2016, a licença-paternidade, que são os dias em que o pai pode ficar afastado do emprego quando tem um filho, aumentou de cinco para vinte dias. Esse aumento é para os trabalhadores de empresas inscritas no Programa Empresa-Cidadã. Os empregados também passaram a ter direito a dois dias para acompanhar consultas médicas e exames complementares durante a gravidez da parceira e um dia por ano para acompanhar filho de até seis anos em consulta médica. Para isso, é necessário que o pai siga alguns requisitos.

Já é um começo… Em uma matéria da nossa revista, há 36 anos, publicada em agosto de 1984, nós já tínhamos começado a falar sobre esse assunto. Naquela época, tinha sido apresentado na Assembleia Legislativa um projeto de lei que garantia aos pais mais presença e participação no nascimento dos filhos. Era o começo da licença-paternidade de cinco dias. Algumas empresas estenderam ainda mais a licença-paternidade. A iniciativa que reforça a necessidade da presença paterna, assim como materna, vale também para casais do mesmo sexo e em casos de adoção. A notícia deixou nosso embaixador Fabio Artoni, gerente de marcas masculinas, emocionado. Ele é pai de Maitê, Catarina, e Liz. A notícia foi dada para Fabio junto com a mulher Marcela, quando estava grávida da caçula. “Minha esposa até chorou. É uma situação muito importante, representa um momento de reconstrução da rotina e do núcleo familiar”, afirma.

Um estudo realizado em 2015 nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Dinamarca, apontou que a licença-paternidade não só ajuda a fazer os pais participarem mais nos cuidados com o bebê, como também na alimentação e banho. Outras pesquisas indicam que o contato nos primeiros dias traz segurança para o pai, que se reflete em toda a vida. Depois que a criança cresce, isso se expande para brincadeiras e acompanhamento escolar. Ou seja, ser pai é valioso. Não perca a oportunidade de desempenhar seu melhor papel!

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