Dia dos Pais: veja por que a paternidade ativa traz benefícios para toda a família

A paternidade é um grande presente, pela oportunidade de repensar velhos hábitos e e entender que, às vezes, um simples sorriso pode melhorar o dia, mas para desfrutar de todos os ganhos, é preciso mergulhar de cabeça nesse papel

Resumo da Notícia

  • O Dia dos Pais chegou e merece todas as comemorações
  • Ser pai vai muito além de um rótulo, é necessário participar ativamente da rotina
  • Os benefícios desse vínculo caem tanto para os pais quanto filhos

Ser pai é o máximo! Todo homem que exerce a paternidade de forma ativa tem essa certeza. Mas esse papel vai muito além de um título, ele acontece no dia a dia. Na correria, no sono atrasado, no toque físico, na troca de olhares, enfim, em tudo que envolve a relação entre pai e filho. Cada vez mais, os pais estão participando e se fazendo presentes na vida das crianças (e que bom!). Afinal, elas precisam do amor do pai tanto quanto do da mãe. E isso não é apenas achismo, foi comprovado após a revisão de cerca de 100 estudos publicados entre os anos de 1949 e 2001. As pesquisas apontaram que tanto o amor quanto a rejeição das mães e pais afeta igualmente o comportamento, a autoestima, a estabilidade emocional e a saúde mental dos filhos.

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É preciso estar presente na criação dos filhos e isso significa mergulhar de cabeça na paternidade (Foto: Getty Images)

Como sempre reforçamos aqui, juntos é possível ir muito mais longe. A parceria entre os pais é fundamental para o bem-estar dos filhos e de si próprios. O coautor do estudo Ronald P. Rohner, Ph.D., diretor do Centro para o Estudo de Aceitação e Rejeição dos Pais da Universidade de Connecticut em Storrs, destacou que a questão não é quem é mais importante, mas reconhecer que os pais são essenciais em tudo o que as mães são. “Esperamos que descobertas como essas encorajem os homens a se envolverem mais nos cuidados com os filhos. Então toda a família se beneficia”, completa. Tempo de qualidade exige doação e organização, mas esse esforço é recompensado a cada nova descoberta que faz sobre seu filho.

Como nascem os pais?

Mas afinal, em que momento o homem sente que a chave virou? A forma como cai a ficha é muito pessoal e pode vir de diversas formas para cada pessoa. Beto Bigatti, colunista e embaixador da Pais&Filhos, autor do livro PAI MALA, relatos sinceros de afeto, vínculos e imperfeições que não estão nos manuais, pai de Gianluca e Stefano, por exemplo, se recorda de dois momentos: “O primeiro foi no dia do resultado do exame de farmácia. Apesar do susto e surpresa, porque a gente ainda não estava planejando, naquele mesmo dia eu comecei a conversar com a barriga e nunca mais parei, até o nascimento. O segundo momento e talvez o mais marcante foi quando eu segurei o mais velho na minha mão pela primeira vez. Eu entendi que a partir daquele momento, eu não podia faltar mais para a minha família”.

Thiago Queiroz, pai de Dante, Gael, Maya e Cora, educador parental, colunista e embaixador da Pais&Filhos e criador do Paizinho, Vírgula, também destaca o nascimento do primeiro filho. “Até então, por mais que eu estivesse envolvido, ia nas consultas, via todas as ultrassonografias, dava apoio à minha esposa, acompanhava a barriga crescer, sentia os chutes do Dante, ainda era muito abstrato para mim. Eu fui o primeiro colo que meu filho recebeu do lado de fora do ventre da mãe”, diz. “Eu não sabia o que queria fazer com o meu filho, só sabia que eu queria que fosse diferente de tudo aquilo que eu tive como referência”, acrescenta.

Marcos Piangers, jornalista, parceiro e colunista da Pais&Filhos, pai de Anita e Aurora, acredita que são vários estalos que acontecem ao longo da vida. “Primeiro a descoberta em si. Eu fiquei muito empolgado com a ideia. Eu e a Ana já corremos para o supermercado e compramos um monte de fraldas RN”, recorda, além de citar o ultrassom, a descoberta do sexo do bebê e o nascimento: “O dia do parto é aquele momento que materializa sua paternidade. É bem assustador isso, porque até então era uma ideia meio romântica”. Para ele, o tempo torna o homem mais dedicado e consciente não só em relação à paternidade, mas tudo que o rodeia.

Todo mundo ganha

Aquele conceito ultrapassado do pai como provedor deu espaço a um novo conceito: paternidade ativa, ou seja, homens que estão presentes na criação dos filhos e que participam efetivamente da rotina deles. E é assim que deve ser. Ser pai faz bem para a criança. E ser pai também faz bem para o homem. Um estudo comprovou que quanto mais tempo o homem é pai – e mais envolvido está no processo – maior a queda nos níveis de testosterona presentes no corpo.

“A presença do pai é fundamental para essa caminhada e hoje sua presença efetiva é necessária na segurança e desenvolvimento psíquico das crianças. Essa pesquisa nos confirma o quanto tanto crianças, quanto adultos estão aprendendo ao se relacionarem e o quanto desse processo todos saem transformados. Amar e ser família é mesmo um presente”, afirma Daniella Freixo de Faria, psicóloga, mãe de Maria Luisa e Maria Eduarda.

A paternidade ativa beneficia pais e filhos (Foto: Shutterstock)

A especialista destaca que a paternidade traz junto de si a mudança de propósito e sentido da vida, e assim, poder viver essa experiência na sua plenitude é realmente um presente. “Em nossa cultura tão individualista, a experiência de nos tornarmos família e de sermos pais e mães nos convidam para a vida além do Eu, do meu, do para mim”. Por isso, é importante que pai e mãe ajam como um time, oferecendo um ambiente seguro, amoroso e ao mesmo tempo repleto de direção.

Não há um manual para seguir na paternidade que garante 100% de sucesso, porém a troca de experiências e conhecimentos pode ser muito bem-vinda para se preparar e até entender melhor esse papel. Nesse sentido, livros como The Expectant Father: The Ultimate Guide for Dads-to-Be, de Armin A. Brott e Jennifer Ash, são uma boa alternativa. Nele, o autor e especialista no assunto oferece dicas para cada uma das fases do seu filho, focando tanto na criança, na relação do casal quanto no autocuidado. Outra sugestão é Pai Grávido, de Renato Sá, que aborda a mudança da postura dos pais nos últimos anos e traz orientações para os homens.

Se ser um pai presente faz bem para o seu filho, para você então… É fato que a paternidade vem cheia de dúvidas, preocupações e desafios, mas também traz momentos únicos de diversão e muita alegria. Porém é preciso se jogar, mergulhar de cabeça. Vai, e se der medo, vai com medo mesmo. E sem cobrança de perfeição. O que realmente vale a pena é viver a vida real, com os erros e acertos, com as dores e amores. Seu filho não precisa de um super-herói, ele precisa de você, sem nenhum “super” atrelado a isso, oferecendo apenas o que tem de mais precioso na vida: seu tempo.

A melhor parte de ser pai é…

Alguns homens responderam essa frase é quase impossível escolher só uma opção

  • Voltar a ser criança: a paternidade pode trazer de volta aqueles prazeres simples que ficaram esquecidos no passado
  • As surpresas do dia a dia: como receber um telefonema inesperado ou até aquele abraço apertado no fim de noite
  • Tempo em família: é isso mesmo, todo mundo junto, não importa em que situação
  • Reconhecimento como pai: seja um abraço, um olhar, um sorriso ou até mesmo em palavras
  • Acompanhar o desenvolvimento: ser testemunha de todas as novas lições e descobertas da criança
  • Troca de afeto: aquele momento particular, entre você e seu filho que dispensa qualquer explicação
  • Receber elogios pelo filho: é pra se orgulhar mesmo e ter a certeza que arrasa no papel de pai!