Dia Mundial da Prematuridade: a importância da conscientização, rede de apoio e formação de vínculos

Atualmente, o Brasil está em 10º lugar no ranking mundial de partos prematuros. Infelizmente, a condição ainda é a maior causa de óbitos em crianças de até cinco anos e precisa ser falada. Entenda como ela pode ocorrer, riscos e importância da criação de vínculos com a família

Resumo da Notícia

  • Neste mês, o Novembro Roxo conscientiza sobre a prematuridade
  • No mundo, 15 milhões de bebês nascem prematuros por ano
  • Tire as principais dúvidas com os especialistas e veja a história de uma mãe

Por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15 milhões de bebês nascem prematuros, ou seja, um em cada dez. Infelizmente, a prematuridade ainda é a principal causa de óbito em crianças menores de cinco anos, sendo que aproximadamente 1 milhão delas não resistem anualmente. No percentual, o Brasil está na décima posição de partos prematuros, segundo a UNICEF e o Ministérios da Saúde, e a partir do estudo “Prematuridade e suas possíveis causas”, liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com mais 12 universidades do país, as regiões com as maiores taxas são a Sul e Sudeste.

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Antes das 37 semanas de gestação, os bebês são considerados prematuros (Foto: Shutterstock)

Nesta terça-feira, 17 de novembro, é comemorado o Dia Mundial da Prematuridade, que acontece em paralelo com o Novembro Roxo, cor que representa a sensibilidade e particularidades dos bebês prematuros, além da transformação. A data vem como forma de conscientizar sobre os desafios enfrentados pelas famílias, cuidados básicos, e ainda a amamentação.

Para tirar todas as dúvidas sobre prematuridade, a Pais&Filhos conversou com a cardiologista pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dra. Renata Isa Santoro, a pediatra e neonatologista pela SBP, Dra. Thais Bustamante, a pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dra. Silvana Darcie Maccagnano, Cinthia Calsinski, nossa colunista, enfermeira obstetra, consultora de amamentação e mãe de Matheus, Bianca e Carolina, e com Renata Lopes Francisco de Andrade, mãe da Elis, que nasceu com 26 semanas e um dia.

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Quando um bebê é considerado prematuro?

Antes das 37 semanas de idade gestacional, os bebês são considerados prematuros. Thais explica que ainda assim existem graus de prematuridade, sendo eles:

  • Prematuro tardio: bebês que nascem entre 34 semanas e 0 dias e 36 semanas e 6 dias
  • Prematuro moderado: bebês que nascem entre 32 semanas e 0 dias e 33 semanas e 6 dias
  • Muito prematuro: bebês que nascem entre 28 semanas e 0 dias e 31 semanas e 6 dias
  • Prematuro extremo: bebês que nascem com menos de 28 semanas e 0 dias

Em relação ao peso de nascimento, Silvana completa que também é possível classificar desta maneira:

  • Recém-nascido de baixo-peso: menores de 2500g
  • Muito baixo-peso: abaixo de 1500g
  • Extremo baixo-peso: inferior a 1000g ao nascer

O que pode levar à prematuridade?

Alguns dos motivos que podem levar à prematuridade, segundo a neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, são patologias maternas como: doenças uterinas (miomas, colo do útero curto), infecção urinária na gestação, doenças sexualmente transmissíveis (AIDS e sífilis, por exemplo), infecções adquiridas na gestação e que podem causar infecções congênitas (citomegalovírus e toxoplasmose), gestação múltipla e idade materna (mães adolescentes ou gestantes com mais de 35 anos). Diabetes gestacional, malformações fetais, ruptura prematura das membranas ovulares, hipertensão arterial crônica e doença hipertensiva da gravidez (DHEG – tipo de hipertensão que ocorre após a 20ª semana de gestação) também são motivos que podem levar ao parto prematuro.

É possível prevenir?

Como forma de prevenir, é superimportante transmitir a informação na rede de atenção básica à saúde, falar sobre a necessidade de consultas regulares de pré-natal e orientações médicas, identificar gestações de alto risco (hipertensas e diabéticas, por exemplo) e ainda o encaminhamento precoce das gestantes para os centros de referência especializados no atendimento do prematuro quando necessário.

Após o nascimento existem riscos?

Infelizmente, sim. De acordo com a cardiologista, por conta da rápida mudança de vida do útero da mãe para o mundo aqui fora, os bebês prematuros podem ter algumas complicações no coração. “Em bebês que nascem a termo, ou seja, de nove meses, o canal arterial, que é uma estrutura do coração muito importante durante a vida dentro do útero materno, um tubo aberto que passa fluxo de sangue através dele, se contrai após o nascimento e se torna funcionalmente fechado”, explica.

No caso dos bebês prematuros, o processo é diferente: “o fechamento do canal arterial é retardado, permanecendo aberto em aproximadamente 10% dos bebes nascidos entre 30 e 37 semanas de gestação, 80% daqueles nascidos com 25 a 28 semanas de gestação e 90% daqueles nascidos com 24 semanas de gestação”.

Quando o ducto permanece aberto após o nascimento, ele continua como na vida fetal e há um aumento do fluxo de sangue nos pulmões. Isso pode causar doenças como edema pulmonar, insuficiência respiratória, cardíaca, entre outros. “Quanto menor a idade gestacional ao nascimento, mais imaturo são os órgãos do recém nascido e por isso, seu funcionamento estará comprometido”, completa Thais Bustamante.

Quando o bebê prematuro chega em casa, quais cuidados preciso ter?

Como qualquer bebê recém-nascido, é importante que outra pessoa se dedique 100% do tempo em virtude da fragilidade, dependência de nutrição e higiene. No caso dos prematuros, Silvana orienta sobre a amamentação: “Os bebês prematuros também são mais propensos ao refluxo gastresofágico, portanto é necessário um cuidado maior com o posicionamento do bebê. O mais indicado é manter o recém-nascido em uma posição com o tronco mais elevado após as mamadas”.

É comum ainda uma maior sonolência em recém-nascidos prematuros, portanto é necessário uma atenção maior para serem despertos. “devido a sua imaturidade imunológica, são mais vulneráveis a processos infecciosos e, com isso, a higiene de seus utensílios e de seus cuidadores no seu manuseio desses materiais requer atenção redobrada. Além disso, é importante evitar situações de risco, como saídas ou ambientes com muitas pessoas. Muitas vezes, a alta dos bebês prematuros e seus cuidados pós demandam serviços especializados de saúde, como estimulação motora, acompanhamento mais frequente com pediatra e até mesmo de outros especialistas”, comenta.

Além disso, é superimportante manter a cart nascidoeirinha de vacinação em dia, e vacinar pais, irmãos e outros cuidadores domiciliares contra a gripe, pois o bebê só poderá receber a vacina após seis meses de vida, segundo a neonatologista e pediatra pela SBP.

A rede de apoio é essencial para acompanhar a família durante esta fase (Foto: Shutterstock)

O leite materno é importante para os bebês prematuros?

Os pequenos volumes de leite para bebês prematuros podem fazer um superdiferença, de acordo com Cinthia Calsinski. “Que a amamentação é de extrema importância para o crescimento, desenvolvimento e imunidade dos bebês não há dúvidas, porém, muitos pensam que os bebês prematuros devem ser amamentados por fórmula láctea por não terem ‘força’ ou reflexo de sucção, quando comparados aos bebês que nasceram a termo, mas não. A amamentação é padrão ouro de alimentação também para bebes prematuros”.

Acolher é sinônimo de amor

Sem dúvidas! “São muitas expectativas diferentes a cada dia, esperanças muitas vezes frustradas, fé, medo, angustias, ansiedade, inseguranças e incertezas”, explica Thais. Na UTI neonatal, a presença de um psicólogo é de extrema importância para dar apoio aos pais, pois é necessário carinho e afeto para as famílias mais fragilizadas.

“A internação em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal muitas vezes geram diferentes sentimentos nos pais, especialmente nas mães, como frustração, dificuldade de aceitar a situação da gestação ter terminado antes da hora e de ter tido um bebê bem menor, frágil, gerando sentimento de culpa, incompetência, medo do desconhecido, medo de perda e muitos outros. Além disso, a UTI Neonatal é um ambiente muito tecnológico e diferente para os pais, por conta da produção de ruídos e alarmes, por exemplo. Dessa forma, a UTI Neonatal é certamente um ambiente para o cuidado intensivo da saúde do prematuro, mas deve também ser um ambiente de acolhimento para os pais”, completa Silvana Darcie.

Vínculos que ficam

Com certeza, e faz toda diferença! Além do estabelecimento do vínculo afetivo, há também a diminuição do estresse causado pela hospitalização. “A assistência ao recém nascido em UTIN sofreu mudanças. Para efetivar esta prática, as UTINs têm permitido livre acesso dos pais para visitar os filhos, além de liberar a permanência continua deles junto ao bebê internado, se assim o desejarem”, comenta Thais.

“Os pais podem oferecer ao bebê experiências agradáveis com seu toque, sua voz e sua presença. Por outro lado, a presença dos pais na UTI Neonatal deve ser aproveitada como um período para a preparação e continuidade com os cuidados com o bebê após a alta. A equipe multiprofissional deverá dar toda a orientação possível quanto à amamentação, a higiene do bebê, por meio de banhos demonstrativos e do envolvimento dos pais nos cuidados, e administração de medicamentos que serão continuados no domicílio, trazendo mais segurança quanto todos estiverem em casa”, conclui Silvana.

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Vida real

Renata Lopes Francisco de Andrade sempre teve o sonho de ser mãe e esperou o melhor momento para realizar o desejo. Às 26 semanas e 1 dia de gestação, em 23 de setembro, ela deu à luz Elis, que ainda está internada na UTI Neonatal e não tem previsão de alta.

Quando segurou a filha pela primeira vez, ela descreveu o momento como mágico e cheio de responsabilidade: “Não dava pra acreditar que um bebê de 780g poderia ‘pesar’ tanto. A responsabilidade e o medo de segurar minha filha com seus monitores e fios foi de tirar o fôlego, mas a recompensa de sentir o cheirinho dela e ver aqueles olhinhos, que começavam a se abrir, foi maravilhoso”, contou.

Renata mandou uma mensagem especial para as famílias de bebês prematuros e falou sobre a importância da conscientização (Foto: Shutterstock)

Em todos os momentos possíveis, ela e o marido não passam um dia sequer sem visitar Elis. “Meu marido segurou firme a barra desde que soubemos que ela nasceria muito antes do tempo e desde então tem sido um pai e esposo muito maravilhoso. Meus pais moveram montanhas para estar conosco neste momento e nos ajudaram e ajudam demais”, disse ao falar sobre a rede de apoio.

Para as famílias que também estão passando por esta fase, Renata deixou uma mensagem especial: “A prematuridade é uma realidade muito presente no nosso meio, mesmo que muitas vezes não saibamos, todos conhecemos um prematuro. Nossos pequenos são muito fortes e lutam para crescer e se desenvolver de uma maneira muito linda”, concluiu.

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