Dia Mundial da Saúde Bucal: entenda por que você deve incentivar esse hábito desde cedo

Manter a saúde bucal do bebê ou da criança em dia deve ser uma preocupação desde antes do nascimento dos primeiros dentes. É estimado que 90% das pessoas irão sofrer com cáries ou doenças periodontais pelo menos uma vez na vida

Resumo da Notícia

  • Menos de 22% dos adultos possuem gengivas totalmente saudáveis
  • A higiene bucal do bebê e da criança deve ser incentivada pela família desde cedo
  • O cuidado bucal começa antes mesmo do nascimento dos primeiros dentes

Você sabia que neste sábado, 20 de março, é o Dia Mundial da Saúde Bucal? A data é superimportante para reforçar (ainda mais!) sobre os problemas que a má higiene bucal pode causar. Seja no bebê ou na criança, vale ficar de olho e incentivar desde cedo essa rotina.

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Segundo a Associação Brasileira de Odontologia, atualmente menos de 22% dos adultos possuem gengivas totalmente saudáveis. Além disso, outros 90% irão sofrer com cáries ou doenças periodontais pelo menos uma vez na vida. Mas, além disso, a má higiene bucal aumenta a possibilidade de cinco doenças físicas e mentais a longo prazo.

Como ajudar a criança a cuidar da saúde bucal

Até os sete anos de idade da criança, é superimportante os adultos ainda serem os responsáveis pela escovação dos filhos, pois elas ainda não possuem a destreza necessária suficiente, segunda a pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria, Dra. Thais Bustamante, mãe de Arthur, Raquel e Felipe. Após este período, os pais podem dar mais liberdade para que a realização da tarefa seja feita com mais autonomia, mas sempre com a supervisão da família. Já aos 10 anos, elas podem realizar a escovação sozinhas.

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O que é o mau hálito

Também conhecido como halitose em bebês, o Cirurgião Dentista, Dr. Fernando Tai, pai de Vitor, Ana Carolina e Gustavo, explica que isso acontece pela fermentação e decomposição dos resíduos alimentares. “No caso de recém-nascido, o resíduo do leite materno, ou leite de outra origem, ficam retidos em toda a cavidade oral do bebê e principalmente na língua por ser mais rugosa”, explica. Geralmente, a família pode notar ainda que a língua do bebê fica com uma crosta esbranquiçada e/ou amarelada por causa do resíduo do leite, causando assim a liberação de mercaptanas e enxofre metabolizada pelas bactérias da cavidade oral. “Existem casos que seriam as exceções, na qual o mau hálito pode ser causado por alguma doença”.

É comum o mau hálito acontecer em bebês?

Sim! O cirurgião explica que isso pode acontecer porque os bebês ainda não tem a capacidade motora de realizar a higienização da gengiva e dos dentes e, principalmente, da língua que é onde mais se retém de alimentos no bebê. Thais complementa: “É importante higienizar a boca do bebê, pois o mau hálito também pode ocorrer pela interação das bactérias com o resquícios de leite na boca”.

Veja como cuidar da saúde bucal do seu filho (Foto: Shutterstock)

Principais causas do mau hálito

O mau hálito em crianças pode acontecer por diversos motivos. Para te ajudar a entender melhor o assunto, Thais Bustamante citou quais são os problemas que podem estar relacionados ao mau hálito em bebês:

  • Má higiene bucal: é normal que bactérias vivam na nossa boca e interajam com partículas de comida localizadas entre os dentes, na gengiva, na língua e até na superfície das amígdalas. Porém, se a comida ficar parada nesses lugares por muito tempo (na falta de uma boa escovação para removê-la), o cheiro piora. Por também abrigar bactérias que podem causar odores desagradáveis e mau hálito, a língua  deve sempre ser escovada.
  • Infecções na boca: cáries, tártaro e abscessos dentários podem provocar mau hálito em crianças de qualquer idade.
  • Boca seca: quando uma criança respira pela boca (comum em crianças alérgicas por estarem com o nariz entupido), a saliva deixa de remover as bactérias, provocando mau hálito.
    Corpo estranho:  às vezes os bebês ou crianças pequenas colocam objetos estranhos no nariz (brinquedos minúsculos, partículas de comida como feijão , ervilha, etc.) . Um objeto estranho alojado no nariz pode causar mau hálito na criança.
  • Medicamentos: algumas vezes, a forma como o medicamento se decompõe no organismo pode causar mau hálito. Este processo libera substâncias químicas que podem resultar no odor desagradável.
  • Chupar dedo ou chupeta: tanto o dedo quanto a chupeta podem ficar com mau cheiro, que passa para a boca, por causa da exposição contínua a saliva e bactérias bucais. Chupetas também podem acumular resíduos alimentares.
  • Doença ou alergia: sinusite, amigdalite , doenças alérgicas podem levar ao mau hálito. Crianças com refluxo também tendem a ter um hálito com odor forte.
  • Alimentos com sabor marcante: em algumas crianças que costumam ingerir alimentos com cheiro forte, como alho, cebola ou especiarias específicas, isso pode afetar o frescor  do hálito, durante o período de processamento deste alimento.

Como evitar o mau hálito em bebês

A pediatra comenta sobre como deve ser a higienização com o aparecimento dos dentes: “Uma boa escovação no dia a dia e visitas semestrais  ao dentista após o surgimento dos primeiros dentes, ajudam  a manter a boa saúde bucal e o hálito fresco”. Quando o problema surgir, é superimportante buscar o auxílio de um profissional: “A orientação correta dada pelo dentista ajuda muito e por isso é de grande importância o pré-natal no seu dentista, pois ele lhe dará todas as orientações para cuidar bem do seu bebê. Uma excelente dica é higienizar a cavidade oral e principalmente a língua do bebê com uma gazes umedecida com água fervida ou filtrada enrolada no dedo do adulto responsável pelo bebê”, explica Fernando Tai.

Como higienizar a boca do bebê

  • Antes dos dentes aparecerem: faça a limpeza apenas com uma gaze ou pano com água
  • Creme dental infantil com flúor: isso irá reduzir a cárie dentária. Quando a criança aprender a cuspir, a quantidade de creme a ser colocado na escova deve ser do tamanho de um grão de ervilha . Antes disso, a quantidade é de um grão de arroz.
  • Limpeza da língua:  instrua e certifique-se de que a criança também limpe a língua, pois as bactérias podem se acumular e crescer em sua superfície.
  • Fio dental: deve ser utilizado diariamente para remover partículas de comida dos dentes, que podem causar odor.
  • Troca da escova dental por uma nova com regularidade: as cerdas desgastadas não conseguem remover efetivamente a placa bacteriana e os detritos dos alimentos, podendo causar assim o mau hálito.
  • Higiene: no caso da chupeta, é importante fazer a esterilização com água fervendo. Além disso, lave sempre as mãos e objetos dos bebês e crianças com água e sabonete, evitando dessa forma a propagação de bactérias na cavidade bucal, que também podem causar o mau hálito.

Como escovar os dentes da criança

Apesar de ser uma preocupação que deve começar desde cedo, a higiene bucal evita o surgimento de cáries, por exemplo, além de outros problemas que comprometem a saúde. Quando os primeiros dentes aparecem, a escovação já pode começar! Colocando um pouco de pasta na escova de dente, faça movimentos suaves e circulares (sem muita pressão!), pois isso pode causar desgaste. Ah, e não se esqueça do fio dental e também da higienização da língua!

5 doenças físicas e mentais que a má higiene bucal pode causar a longo prazo

“Quando a saúde bucal está deficiente, pode interferir em várias funções do organismo e deixá-lo vulnerável a uma série de doenças, que vão muito além da cárie. Isso porque boa parte das bactérias do organismo humano estão presentes na boca. No entanto, quando negligenciamos os cuidados com a saúde bucal, essas bactérias podem se proliferar e migrar para outros órgãos, por meio da corrente sanguínea, comprometendo a saúde em geral”, explica a Dra. Maria Geovânia Ferreira, dentista, membro da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE) e da Sociedade Brasileira de Toxina Botulínica e Implantes Faciais na Odontologia (SBTI).

  • Endocardite bacteriana

Considerado um dos problemas mais graves relacionados a má higiene bucal, a endocardite bacteriana afeta diretamente o coração e pode até mesmo ser fatal. “A infecção causada pelas bactérias bucais pode entrar no sistema sanguíneo por um simples sangramento na boca e atingir válvulas ou tecidos, causando danos ao revestimento interno do coração, sendo um agravante para doenças cardíacas”, comenta a especialista.

  • Pneumonia e artrite reumática

Considerando um processo parecido com o da endocardite, algumas bactérias também podem ter a boca como porta de entrada e afetar órgãos como, por exemplo, pulmões e articulações. O mais preocupante é que essas bactérias não são naturalmente encontradas nessas regiões. Dessa forma, elas não encontram resistência natural e, por isso, o tratamento pode ser mais complexo”.

  • Parto prematuro

A partir de uma pesquisa realizada pela Universidade de Nova York, há indícios da bactéria bucal, actinomyces, causar contrações uterinas e até mesmo a dilatação do colo do útero, resultando assim na antecipação do trabalho de parto. O estudo apontou ainda que por ser bastante preocupante, essa bactéria pode antecipar em dois dias o parto e ainda reduzir o peso do bebê em 60 gramas.

A má higiene bucal pode causar ainda problemas para a mãe e o bebê durante a gravidez (Foto: iStock)

Durante a gravidez, é superimportante passar também por um pré-natal odontológico, pois a elevação das taxas hormonais podem deixar também as gengivas mais sensíveis e suscetíveis a inflamações. O risco de doenças periodontais aumentam ainda com as náuseas e enjoos constantes, porque podem dificultar a higienização correta.

  • Diabetes

A partir da diabetes, há um risco maior para o surgimento de doenças periodentais e inflamações na gengiva como, por exemplo, feridas, boca seca e até mesmo a perda óssea ao redor dos dentes. “Ao mesmo tempo, as doenças periodontais podem agravar o diabetes, criando um ciclo muito perigoso para a saúde geral desses pacientes. Por isso, pessoas que têm diabetes devem ter um cuidado ainda maior com a higiene bucal e manter os índices de glicemia controlados”, reforça.

  • Estresse e ansiedade

Pensando na saúde bucal, o bruxismo é um dos exemplos mais comuns. Com o apertamento ou ranger dos dentes, as consequências podem causar lesões orofaciais, desgastes dentários, distúrbios da Articulação Temporomandibular (ATM) e dor muscular.

A especialista explica que a principal causa do bruxismo são os problemas psicológicos, dando destaque para a ansiedade. “Quando a ATM sofre algum tipo de alteração, é classificada como Disfunção da Articulação Temporomandibular (DTM). Os principais sintomas são mandíbula estalando, dores de cabeça frequentes e até mesmo problemas na coluna e dificuldade para abrir e fechar a boca. Pessoas com quadros de ansiedade crônica e depressão são aquelas que mais sofrem com a DTM”.

No caso do estresse, Maria Geovânia reforça que o problema estimula o excesso de toxinas no organismo, que podem afetar os rins, intestino e outros órgãos, além da cavidade bucal. “Estresse também significa que nosso organismo está liberando mais hormônio cortisol, essencial para manter nosso corpo em atividade e, por isso, é liberado em maior quantidade pela manhã. Porém, em excesso, o cortisol pode causar desequilíbrios no organismo”.

Desde cedo, é muito importante ficar atento aos sinais que o corpo dá e procurar um especialista quando necessário. “Caso você tenha dores na região da face e na cavidade bucal, procure seu dentista imediatamente. Se os problemas tiverem relação com a saúde mental ou física, um tratamento multidisciplinar deverá ser indicado”, conclui.