Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo: o que é, causas e o impacto na saúde mental das crianças

O vitiligo, que é autoimune, pode aparecer do dia para a noite e mexer com a autoestima, levando ainda à retração social

Resumo da Notícia

  • 1º de agosto é o Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo
  • No mundo inteiro, é estimado que 0,5% da população tenha vitiligo
  • Desde cedo, o acompanhamento psicológico é fundamental
  • Por conta das manchas, essa doença pode causar uma retração social e levar à diminuição da autoestima da pessoa

Você sabia que hoje, 1º de agosto, é o Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo? A data é superimportante para conscientizar sobre a condição e entender suas causas e tratamentos. Por isso, esclarecemos algumas dúvidas e batemos na tecla da importância do acompanhamento psicológico.

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De acordo com o Dr. Caio Castro, médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pais de Pedro, Felipe e Giulia, o vitiligo é uma doença genética e autoimune que causa manchas brancas na pele devido à diminuição ou ausência de melanócitos. Mas o que é isso? Bom, melanócitos são células responsáveis pela formação de melanina, pigmento que dá cor à nossa pele. A despigmentação acontece principalmente em áreas de atrito, como braços, cotovelos, mãos e pés.

O Dia Nacional dos Portadores de Vitiligo é fundamental para conscientizar sobre a condição que afeta 0,5% da população mundial (Foto: Shutterstock)

Nem todos os motivos que desencadeiam a doença foram esclarecidos, no entanto, traumas emocionais podem estar relacionados aos fatores que desencadeiam e agravam as manchas. “O vitiligo pode aparecer do dia para a noite em pessoas com tendências genéticas. Elas podem sentir leve coceira na região e a área fica sensível à luz do sol. Mas diferente do que se imagina, essas pessoas não tem mais tendência a ter câncer de pele. Isso acontece porque a pele afetada fica mais grossa e uma proteína chamada P53 a protege”, explicou o médico.

Existem dois grupos que classificam as pessoas com vitiligo: O grupo segmentar, que tem o vitiligo mais localizado apenas em algumas regiões e que começa mais cedo, geralmente com 14 anos, e o grupo comum, que é considerado mais grave, que aparece por volta dos 24 anos e que, geralmente, a pessoa pode estar mais instável e as manchas continuam aparecendo. Apesar dessa classificação, o vitiligo pode aparecer também na infância, até mesmo nos primeiros meses de vida.

Quem tem essa doença, precisa ter alguns cuidados, como usar filtro solar para proteger-se do sol – na verdade, essa é uma regra que deveria ser seguida por todas as pessoas -, controlar o estresse e evitar roupas apertadas ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele. Assim, é possível prevenir que novas lesões apareçam e que as manchas existentes se de acentuem. Os principais tratamentos são feitos com cremes corticoides, com tacrolimus inibidores de calcineurina e em cabines de ultravioleta A e B.

Além das manchas

Os sintomas ‘físicos’ do vitligo, na maioria dos casos, não afetam tanto quanto os psicológicos. De acordo com a doutora Monica Pessanha,  psicoterapeuta infantil e mãe de Melissa, a pessoa pode aprender a conviver com as lesões desde que consiga gostar do que vê e se amar independente do olhar dos outros. Esse papel começa, principalmente no caso das crianças, em casa, com os pais.

O acompanhamento psicológico é fundamental desde cedo (Foto: Shutterstock)

“O ideal é que os pais conversem com os filhos, sobre o papel deles e a importância na família, na escola, como eles são bonitos”, explica. Ensinar as crianças desde cedo a conviver com o vitiligo e gostarem de si mesmas, é essencial. “Tenho uma paciente com vitiligo e fizemos uma sessão de fotos, pra ela conseguir se aceitar, por exemplo. Ela se angustiava muito com as manchas, e por isso, passamos a trabalhar a ideia dela se ver pelo olhar de uma câmera. Começamos a fazer pequenas fotos no consultório e depois fomos para um estúdio. No final, ela levou o álbum para a escola e compartilhou com os amigos. Ficou muito bonito”, contou Monica.

O acompanhamento psicológico é muito importante nos pacientes também para o controle de estresse e alterações emocionais, que podem agravar a despigmentação. “Sempre avalio o nível de preocupação dos pacientes com o com futuro. Tento trabalhar o comportamento deles e a importância deles no presente. Tento fazer com que eles se acalmem e que entendam que podem ser felizes, independente da doença”, disse a médica.