É fake! Relatório da UNICEF não apoia que pornografia seja positiva para crianças: entenda o caso

Após a publicação de um relatório feito pela UNICEF, o conteúdo foi compartilhado de forma equivocada nas redes sociais e WhatsApp. Em nota, o órgão explicou a situação e deu seu posicionamento sobre o assunto

Resumo da Notícia

  • A UNICEF compartilhou um relatório sobre como melhorar a proteção das crianças na internet e apresentou os numerosos riscos e danos associados ao acesso das crianças à pornografia e a outros conteúdos nocivos online
  • É muito importante que as crianças saibam identificar situações de perigo na internet
  • A notícia repercutiu de maneira equivocada, gerando diversas fake news sobre o assunto

Na última segunda-feira, 7 de junho, um texto publicado pela UNICEF , que discutia como melhorar a proteção das crianças na internet e dados sobre os riscos da pornografia infantil, começou a circular na internet e em grupos de Whatsapp. A partir do artigo, surgiram diversas interpretações equivocadas de que o órgão sugeria que a pornografia pode ser positiva para as crianças.

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De acordo com a Dra. Ivanice Cardoso, mãe de Helena e Beatriz, advogada especialista em Direito de Imagem e colunista da Pais&Filhos, tudo começou com a divulgação de diversas fake news que giraram em torno do relatório apresentado pela UNICEF . “O relatório traz informações sobre outras áreas de vulnerabilidade das crianças. Elas estão sim acessando muito material sexual pornográfico. Mas, também estão sendo atacadas em redes sociais, sendo vítimas de publicidade ilegal, tendo os seus dados utilizados ilegalmente, participando de sites de apostas e sendo vítimas de cyberbullying e grooming dentro de chat de games. Os pais não sabem identificar que todos esses fatos são agressivos e nocivos às crianças. Isso é urgente!”.

Posicionamento da UNICEF

Em nota, a Unicef se posicionou contra a divulgações de fake news sobre o relatório e retirou o material do ar para que pudesse ser melhor ajustado. “Em notícias nas redes sociais, um artigo coordenado pelo UNICEF está gerando interpretações equivocadas. O texto discute como melhorar a proteção das crianças na internet e apresenta os numerosos riscos e danos associados ao acesso das crianças à pornografia e a outros conteúdos nocivos online. A posição do UNICEF é clara: nenhuma criança deve ser exposta a conteúdo nocivo, online ou offline.

Um relatório publicado pela UNICEF teve interpretações equivocadas sobre pornografia infantil (Foto: Getty Images)

Após a publicação, alguns trechos levaram a interpretações incorretas e diferentes do que o UNICEF defende. O texto foi tirado do ar para que fossem realizados os ajustes necessários, e está em revisão.

O UNICEF está alarmado com a enorme quantidade de conteúdo pornográfico disponível online e facilmente acessível às crianças. Conteúdo pornográfico é extremamente prejudicial para as crianças. Pode levar a problemas de saúde mental, sexismo e objetificação, agressão sexual e outros resultados negativos.

O UNICEF trabalha para promover a segurança online das crianças. O UNICEF incentiva governos, indústria de tecnologia, escolas, pais e comunidades a que façam tudo ao seu alcance para proteger as crianças de todos os conteúdos prejudiciais. No Brasil, o UNICEF vem trabalhando com seus parceiros na proteção de meninas e meninos contra as diferentes formas de violência”.

O que o relatório da UNICEF quis dizer?

Durante uma live, a Dra. Ivanice Cardoso fez um alerta sobre o tema e explicou o que o relatório apresentou de fato: “Eu tenho o compromisso com famílias, mães e informação. O relatório da UNICEF não diz que pornografia é boa para criança. O que ele diz é que não podemos misturar aquilo que é orientação com exposição da criança. Ou seja, que não se deve proibir de terem acesso às informações para a proteção da vida. A criança não vê maldade, não vê diferença, e é importante que ela saiba que está em uma situação de abuso”.

É muito importante que as crianças saibam identificar quando estão em situações de abuso (Foto: Shutterstock)

Além disso, a advogada comenta a importância das plataformas digitais permitirem esse acesso à informação, sabendo filtrar quando aquilo possui extrema relevância para a criança. “O relatório diz que precisamos ter esse cuidado e, principalmente, as plataformas se proponham a vida digital da criança a terem esse acesso à informação. A criança que precisa ver aquela informação, de que o corpo dela não pode ser tocado por outra pessoa, que ela precisa contar para um adulto que confie e que alguém fez esse toque, ou pediu para ela ver alguma coisa”. Para assistir à live completa, clique aqui.

Em declaração à Pais&Filhos, Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil, reforça que: “A posição do UNICEF é clara: nenhuma criança deve ser exposta a conteúdo nocivo, online ou offline. Conteúdo pornográfico pode ser extremamente prejudicial para as crianças. Pode levar a problemas de saúde mental, sexismo e objetificação, agressão sexual e outros resultados negativos. Alarmamos com a enorme quantidade de conteúdo pornográfico disponível online e facilmente acessível às crianças, e vem trabalhando no Brasil, e em todo o mundo, para promover a segurança online das crianças”, conclui.