Família

E quando os avós não ligam para os netos?

Às vezes, a vida em família não é um mar de rosas

Redação Pais&Filhos

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Foto: iStock

Nem sempre as expectativas em relação às pessoas que amamos correspondem com a realidade. Cada pessoa lida com outra de maneira diferente, assim como sentimentos. Esse relato conta como uma mulher passou por isso, a sua maneira.

“Muitas vezes, quando você escuta avós falando sobre seu neto, provavelmente tem um enorme sorriso no rosto deles enquanto eles conversam. E quando esses avós são os seus pais, você provavelmente receberá alguns conselhos (alguns bem vindos, outros nem tanto) de quando eles criaram você. Eles foram seus pais, seus amigos e agora eles têm que fazer tudo de novo com a nova geração da família.

Mas esses momentos bonitos sobre o que é ser um pai e um avô nem sempre condizem com a realidade. Recentemente, conversei com uma mulher que falava cheia de orgulho que seu filho tinha acabado de fazer 18 anos, o que significava que seu trabalhado “finalmente tinha acabado”. Ela sentiu que já tinha realizado seu trabalho como mãe, e deu ao seu filho as opções de ir embora para outra casa ou começar a pagar o aluguel porque “ele agora é um adulto e está na hora de pagar!”. Meu coração doeu pelo filho dela. Que tipo de mãe ficaria tão feliz em dizer que ela “finalmente” terminou sua vida de mãe? Não é pelo fato de não acreditar em tratar seu filho como adulto, porque eu acredito que isso é seja o certo. Na verdade, acho que se você não o trata como adulto você não está ajudando. Mas, como mãe, meu trabalho nunca estará “acabado”.

Com exceção da minha avó materna, meus avós eram muito parecidos com essa mãe com quem eu falava. Crescendo, eu vi meu pai incansavelmente tentar ter um relacionamento com seus pais. Mesmo sendo criança, eu percebia que tinha algo de errado com o meu pai. Ou comigo. Claro, haviam conversas ao telefone, e de vez em quando nós íamos visitá-los. Mas tudo que eu lembro sobre esses telefonemas e visitas foi a pura estranheza deles misturados com a sensação de que éramos totalmente forasteiros em oposição a uma parte de sua família.

Quando eu estava no colégio, lembro do meu pai gentilmente me dizendo que sua mãe havia falecido. Ele ficou arrasado. Eu lhe disse que sentia muito, dei-lhe um abraço, depois corri para encontrar meus amigos, que estavam me esperando do lado de fora. Minha avó morreu e eu não poderia ter me importado menos. Não porque eu tenha um coração de pedra, mas porque simplesmente não consegui reunir nenhuma dor por uma mulher que nunca conhecera; uma mulher que tinha escolhido não fazer parte da minha vida, exceto por um punhado de telefonemas espalhados pelos meus 17 anos. Então, oito anos atrás, quando meu pai morreu, seu próprio pai e madrasta apareceram tarde e saíram cedo no dia de seu funeral, e eu não soube deles desde então.

Eu nunca entendi isso. Todas as crianças querem se sentir amadas, porque mesmo quando nos tornamos adultos, ainda somos filhos de nossos pais e avós. Quando somos pequenos, queremos saber que nossos pais estão lá como nossos grandes campeões e protetores. À medida que crescemos, queremos nossos pais lá para orientação e apoio (mesmo quando pensamos que não). E como adultos, ainda queremos nossos pais lá, continuando a compartilhar nossas alegrias e tristezas. Queremos que eles estejam lá para nossos filhos; para compartilhar nossa alegria ao celebrar aniversários, batismos, formaturas e todos os outros marcos maravilhosos. E se algo der errado, queremos saber que nossos pais estão lá para nos pegar enquanto caímos. Não por culpa ou obrigação, mas por amor. E quando eles falham, é esmagador.

Ao longo dos anos, descobri que as pessoas raramente mudam. A mãe que pensa que seu trabalho é feito depois de 18 anos provavelmente não ganhará o prêmio de avó do ano. Os pais que não se incomodam com seus próprios filhos certamente não vão sair do caminho deles para os netos. Mas tudo o que podemos fazer é tentar ver as pessoas como elas são e ajustar nossas expectativas de acordo. E, em alguns casos, isso significa simplesmente não ter expectativas.”

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