Enfermeira conta truque para animar pacientes com coronavírus: “Precisamos ser o melhor, no pior momento do outro”

Glaucia Vilanny, mãe de Gabriela, sempre se preocupou com a humanização e acredita que demonstrações de afeto são de extrema importância para a cura. Em entrevista exclusiva à Pais&Filhos, ela contou como está sendo encarar a covid-19 dentro dos hospitais

Resumo da Notícia

  • Enfermeira encontra formas de trazer cor e alegria para o hospital
  • Ela consegue transmitir a felicidade sem precisar tirar a máscara ou os itens de proteção
  • Em entrevista exclusiva, ela conta como surgiu essa ideia
Glaucia e a filha Gabriela (Foto: Glaucia Villany arquivo pessoal)

Durante a pandemia, os hospitais estão passando por um período de muita tensão. A lotação e a preocupação com esse novo vírus, tão desconhecido, causam um clima de angústia entre os profissionais da saúde. Para que essa angústia não seja passada para o paciente, que certamente também já está preocupado com a situação que se encontra, vários profissionais estão procurando formas de despir-se de algumas inquietações para conseguir tranquilizar os pacientes e ajudá-los nesse momento tão complicado. Glaucia Vilanny, mãe da Gabriela, é uma delas.

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Em entrevista exclusiva à Pais&Filhos, a enfermeira contou que está dando o máximo para melhorar o dia das pessoas no hospital em que trabalha. A humanização sempre foi o forte dela. Tudo começou quando trabalhou em um pronto socorro pediátrico. “Logo observei o pânico das crianças quando me viam de branco. Então troquei a cor do meu jaleco para cor de rosa, adquiri outros com estampa de animais, etc. Isso acalmava muito as crianças”, relembra.

Glaucia acredita que desta maneira consegue amenizar o sofrimento dos pacientes. Quando se viu frente à uma pandemia logo se preocupou em encontrar meios de humanizar a situação, como sempre fez. “Eu pensei: como demonstrar o amor? Como dizem os poetas, certas atitudes valem mais de mil palavras e sinto falta dessas atitudes atualmente”.

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Gláucia Villany desenha sorriso na máscara (Foto: reprodução Facebook / Gláucia Villany)

Preocupada em trazer o amor para o hospital sem colocar em risco os pacientes e ela mesma, ela se deparou com uma situação em que precisou agir e, graças à isso, começou a desenhar formas de acalmar o ambiente hospitalar. Em um dia, ela percebeu que uma das pacientes estava muito nervosa e precisou acalmá-la instantaneamente. Como tirar a máscara para mostrar um sorriso ou ter algum contato com a paciente estava fora de questão, Glaucia teve a ideia de desenhar um sorriso na máscara que estava usando. A ação viralizou e tranquilizou a paciente, que logo falou que viraria fã da enfermeira.

Apesar dessa ação ter ficado muito famoso, não foi a única que ela fez para amenizar as tensões do hospital. Desde que o coronavírus se tornou uma preocupação, a enfermeira começou a usar as máscaras da filha para trazer mais cores e vida ao hospital. “Minha filha é muito fã do BTS e aprendeu a usar as máscaras com frequência. Por isso tinha várias. Quando começou a pandemia, eu não pensei duas vezes em pegar as máscaras dela”, revela.

Coleção de máscaras de Glaucia (Foto: Glaucia Villany arquivo pessoal)

Hoje, Glaucia já tem uma pequena coleção de máscaras, que encantam os pacientes. “Muitos elogiam, dizem que torna o lugar menos frio. Já sabemos que o conceito do hospital não é mais só doença e cura, mas como bem estar do paciente”.

A enfermeira relata que os hospitais estão enfrentando uma realidade de tensão com o aumento dos casos e os profissionais da saúde que estão na linha de frente estão sendo consumidos pelo estresse. Apesar disso, as equipes tentam, da forma que podem, passar tranquilidade àqueles que as procuram. “Apesar de toda informação das mídias, ainda tem muita gente que quase não sabe sobre a COVID-19 e muitos pacientes acham que a confirmação é quase uma condenação à morte. Tem muito medo, angústia. É nesse momento que fazemos a diferença. Precisamos ser o melhor, no pior momento do outro”, conclui.