Esclerose Múltipla: saiba tudo sobre a doença, quais são as causas, sintomas e tratamentos

O diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento de esclerose múltipla. Apesar da doença ser rara em crianças, é importante ficar de olho nos sinais

Resumo da Notícia

  • 30 de agosto é o Dia Nacional de Conscientização Sobre a Esclerose Múltipla
  • No Brasil, 40 mil pessoas possuem a doença
  • Apesar de não ter as causas bem definidas, ela pode estar ligada a questões genéticas

Você sabia que hoje, 30 de agosto, é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla? A data reforça a importância de trazer mais visibilidade para a doença, além de alertar para o diagnóstico precoce. Apesar de não ter cura, o tratamento pode garantir uma maior qualidade de vida para o paciente. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, é estimado que 40 mil pessoas tenham esclerose múltipla.

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Para tirar as principais dúvidas sobre a condição, conversamos com o Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião do Hospital das Clínicas de São Paulo, pai de Fernando, Amanda, Lara e Fred, e com o Dr. Galileu Chagas Lourenço, Coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Vila da Serra, que explicaram sobre como o diagnóstico é feito, os tratamentos e sintomas que você precisa ficar de olho.

No Brasil, 40 mil pessoas possuem esclerose múltipla (Foto: Shutterstock)

O que é Esclerose Múltipla?

Segundo Fernando, a esclerose múltipla é considerada uma doença desmielinizante, justamente porque o corpo destrói a bainha de mielina, local onde os neurônios são envolvidos no cérebro. “Elas são, na verdade, uma capa de gordura que faz com que a transmissão elétrica seja otimizada”, explica.

Além disso, Galileu completa que a doença é também inflamatória imunomediada, acometendo o cérebro e a medula. “É a doença autoimune mais comum do sistema nervoso central (SNC), reforça o médico especialista.

Sintomas de Esclerose Múltipla

Cada um dos sintomas podem acabar variando, dependendo do ponto do sistema nervoso central onde foi acometido. Alguns dos mais comuns são:

“Deve-se sempre suspeitar de esclerose múltipla em pacientes com déficits neurológicos subagudos (que se desenvolvem ao longo de horas a dias) e então gradualmente melhoram ao longo de semanas a meses, por vezes podendo não melhorar completamente e comumente recorrendo após algum tempo”, explica Galileu Lourenço.

É mais comum em crianças?

A doença pode sim acontecer em crianças, mas é bastante rara e não é o público predominante. A Esclerose Múltipla se manifesta, principalmente, em adultos jovens, na faixa de 20 a 40 anos. Raramente o problema pode começar na infância ou na terceira idade.

Causas de Esclerose Múltipla

Até o momento, não se sabe muito bem porque as pessoas manifestam a doença, pois não existe uma causa definida. Mas, sabe-se que ela pode envolver fatores predisponentes genéticos e até mesmo ambientais. “Sabemos que se trata de uma doença autoimune e que há certa influência genética”, comenta Dr. Galileu.

Apesar da esclerose múltipla não ter cura, seus tratamentos são promissores com o avanço da ciência (Foto: iStock)

Diagnóstico de Esclerose Múltipla

De acordo com Fernando Gomes, o diagnóstico ocorre a partir de exames de imagem, como a eletroneuromiografia e exame do liquor. Mas assim que os primeiros sintomas aparecerem, é muito importante a investigação por um neurologista, que irá acompanhar todo o processo.

O diagnóstico precoce é muito importante para o sucesso do tratamento. “Se trata de uma doença de caráter progressivo, com períodos de remitência e recorrência, então a progressão das lesões no tempo e espaço é essencial para que se feche o diagnóstico, assim como a exclusão de outras lesões do sistema nervoso central, como AVC ou tumores”, explica Galileu.

Como é feito o tratamento de Esclerose Múltipla?

O tratamento multidisciplinar é fundamental e deve ser um trabalho conjunto. “Ele envolve medicamentos para reduzir o surto, fazendo com que a lesão no sistema nervoso central diminua, e também a fisioterapia, fonoaudiologia, neuropsicologia para reabilitar o paciente com as lesões que surgiram a cada momento que a lesão se manifesta”, comenta Fernando Gomes.

Após a prescrição dos medicamentos, que deve ser realizada pelo neurologista, é importante que o paciente siga à risca o tratamento para esclerose múltipla. “Eles impedem a progressão e alteram o curso natural da doença. Muitas vezes devem ser tomadas a vida inteira”, complementa Galileu.

Existe cura?

Apesar de não existir cura, o Coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Vila da Serra tem esperança com todos os avanços da ciência nos últimos dez ano. “Hoje em dia, temos tratamentos bastante eficazes para impedir a progressão das lesões. Para se ter um bom resultado, contudo, eles precisam ser iniciados em fases iniciais da doença, por isso a importância do diagnóstico precoce“, conclui.