“Estamos desamparados”, diz brasileiro sobre situação de irmão que está em bunker na Ucrânia

Leandro Rosa é irmão de Luciano, que está no bunker de um hotel em Kiev desde a tarde de ontem, 24 de fevereiro. Ele relata o sentimento de impotência e a falta de informações da Embaixada do Brasil na cidade

Resumo da Notícia

  • O Itamaraty está coordenando uma operação para a retirada de brasileiros na Ucrânia
  • Existem cerca de 500 brasileiros que estão no país do leste europeu
  • Muitas famílias brasileiras têm sofrido com a incerteza em relação aos parentes que estão impossibilitados de sair da Ucrânia
  • Leandro Rosa é irmão de Luciano, que está no bunker de um hotel em Kiev desde a tarde de ontem, 24 de fevereiro

O Itamaraty está coordenando uma operação para a retirada de brasileiros na Ucrânia, que vem sofrendo ataques da Rússia. Existem cerca de 500 brasileiros que estão no país do leste europeu. Na tarde desta sexta-feira, 25 de fevereiro, Embaixada do Brasil em Kiev anunciou que um trem vai partir da capital com destino à cidade de Chernivtsi, no oeste do país, que fica nas proximidades da fronteira com a Romênia. Essa é a primeira opção viabilizada pelo Itamaraty para a retirada de brasileiros do país.

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“Caso considerem que a situação de segurança em suas localidades o permita, cidadãos brasileiros e latino-americanos registrados junto à Embaixada poderão dirigir-se à estação. Não é necessário comprar bilhetes. A chefia da estação está avisada do assunto, e buscará atender os cidadãos brasileiros e latino-americanos. Sugere-se que os interessados cheguem com antecedência”, informou a embaixada em uma publicação no Facebook.

Pessoas esperam ônibus em uma estação enquanto tentam evacuar a cidade de Kiev, na Ucrânia (Foto: Pierre Crom/Getty Images)

Segundo informações da CNN, o governo federal também está aguardando a reabertura do espaço aéreo para fretar aviões para resgatar os brasileiros que estão no país. “Estamos elaborando um plano de contingência para a retirada dos brasileiros. Esse plano envolve contato com países vizinhos. Só vamos tirar os brasileiros dali quando tivermos condições necessárias para que isso ocorra de maneira segura e ordenada. Estamos analisando comboios terrestres, ferrovias, rodovias. O espaço aéreo está fechado, mas estamos focados”, explicou Carlos França, chanceler brasileiro, durante uma live feita com o presidente Jair Bolsonaro.

Estrutura danificada após ataques em Kiev, na Ucrânia (Foto: Chris McGrath/Getty Images)

Comunicação com as famílias brasileiras

Muitas famílias brasileiras têm sofrido com a falta de informações e a incerteza em relação aos parentes que estão impossibilitados de sair da Ucrânia. Leandro Rosa é irmão de Luciano, que está no bunker de um hotel em Kiev desde a tarde de ontem, 24 de fevereiro. “Estamos recebendo poucas informações. A última que recebi foi no começo da tarde de hoje. Eles ainda estão no bunker de hotel. Antes, tinham 30 pessoas lá, mas agora já são 70”, contou, em entrevista à Pais&Filhos.

Luciano é fisioterapeuta e mora na Ucrânia desde setembro de 2021, quando foi contratado para o time Shakhtar Donetsk. Ele está no bunker de um hotel onde é feita a concentração do Shakhtar, ao lado do filho, Gustavo, de 18 anos, que atua na seleção de base do time. Após receber uma ligação de que a Rússia começaria um bombardeio na Ucrânia, Luciano e e equipe do time deixaram suas casas e foram ao hotel. “Depois que tocou a sirene de alerta para os bombardeiros, o time foi para o hotel de concentração. Eles pegaram o que deu para pegar das casas”.

Leandro com o irmão, Luciano, no Brasil (Foto: Reprodução/Instagram)

Segundo Leandro, falta suporte da embaixada do Brasil em Kiev para os brasileiros. “Estamos nos sentindo desamparados em relação aos próximos passos. As informações saem muito na imprensa, mas a embaixada acaba não dando um suporte necessário. Como família, ficamos nessa ansiedade de que as coisas se resolvam o quanto antes. Existe uma preocupação com a falta de comida, energia ou internet no bunker. Ao mesmo tempo, eles não querem sair de lá, porque não existe segurança nas ruas”, diz.

Sentimento de impotência

Para Leandro, um dos maiores motivos de estresse das famílias brasileiras que buscam informações de parentes na Ucrânia é o sentimento de impotência. “Minha família está desesperada. Eu me sinto exausto. Acabo mergulhando em um estresse inconsciente, porque não temos o que fazer. Não adianta a gente se desesperar”.

Leandro conta que sua família aguarda novas informações de Luciano. “Não entramos em contato com a embaixada. De certa forma, meu irmão tem uma condição privilegiada por fazer parte de um time com grande alcance. Eles têm um recurso, como a possibilidade de ficar no bunker, por exemplo. Outras famílias não têm”, relata.

Luciano chegou a comprar uma passagem para deixar a Ucrânia nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, mas não pôde sair do país depois dos bombardeios, já que o espaço aéreo foi fechado e os voos cancelados. Ele é de São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde mora com a esposa e a filha, Livia.

Familiares do time estão isolados

Luciano Rosa aparece em um vídeo que viralizou nas redes sociais, em que jogadores, equipe técnica e familiares aparecem pedindo ajuda do governo brasileiro para serem retirados da Ucrânia. Na imagem, aparecem jogadores dos times Shakhtar Donetsk e Dínamo Kiev. Eles também estão no bunker onde o fisioterapeuta está.