Família

“Estava perto do auge da minha carreira, mas ao mesmo tempo longe da mãe que sonhei ser”

Dani Scapin decidiu abrir mão da vida profissional pelos filhos

Redação Pais&Filhos

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(Foto: Birth Photography)

(Foto: Birth Photography)

Para Dani Scapin, mãe de Carla e Daniel, a felicidade é o resultado do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, como várias outras mães (talvez como você) ficou durante dez anos conciliando a carreira com a vida de mãe, mas uma hora se viu obrigada a escolher entre a família e os negócios. Ela enviou sua história para a gente por e-mail, e achamos que vale a pena você ler, com certeza irá se identificar:

“Sim, posso dizer que me realizei profissionalmente muito cedo. Com apenas 22 anos, já tive a chance de iniciar, ao lado de meu marido, o projeto de nossas vidas: a fundação de uma universidade que durante os próximos anos nos renderia respeito, reputação, credibilidade, realização, reconhecimento, a Seama.

‘Que sorte a minha’, pensava baixinho. Afinal, estava fazendo parte de um grupo seleto de pessoas que tiveram a chance de descobrir sua missão, realizá-la com sucesso e ter valores e propósitos bem alinhados.

Passávamos horas a fio trabalhando sem qualquer empecilho e nem víamos o tempo passar, tamanha nossa dedicação. E como todo projeto realizado de maneira planejada e focada, em pouco tempo, já havíamos nos tornado a maior e melhor Instituição de ensino fundamental, médio e superior do Amapá. Expandimos nossa atuação para outro Estado e mostrávamos, orgulhosos, uma galeria abarrotada de prêmios e a chance única de impactar a vida de tantos jovens.

Porém, a trajetória que trilhamos é composta por momentos e circunstâncias que, quando menos esperamos, dão uma guinada no caminho, viram nossos propósitos de pernas para o ar e nos mostram que não existem certezas em um mundo de incertezas.

No decorrer deste período, realizei outro grande sonho: tornei-me MÃE. E aquela alegria de não ter dia e nem hora para voltar para casa, começou a pesar e dar espaço para o vazio existencial de saber que eu estava ajudando a educar tantos jovens e não tinha ninguém educando meus filhos dentro de casa. Sim, perdi a conta das vezes em que, ao sair para trabalhar, meus filhos sequer haviam acordado e, ao voltar, eles já estavam dormindo. Sabe aquela sensação de estar cada dia mais perto do auge de sua carreira e cada dia mais longe da mãe que um dia você sonhou ser para os seus filhos? Era este o dilema que me atormentava.

Até que um dia percebi que precisava tomar a decisão mais difícil de minha vida: dar as costas para minha carreira para ter a chance de acompanhar cada passo e cada desabrochar da vida dos meus pequenos. Vendemos nosso negócio e nos mudamos de Macapá. Uma decisão baseada na premissa de que nossos sonhos, ideais e projetos profissionais tornam-se pequenos quando comparados ao incontestável amor que sentimos pelos filhos.

Era como se, ao gerar a vida dos meus filhos, eu tivesse transformado uma vida em específico: a minha. Ser mãe me mostrou que o espelho de minha vida não podia mais refletir exclusivamente a minha imagem. O reflexo do espelho de minha vida eram meus filhos, assim como sou até hoje, ao lado de meus irmãos, o reflexo no espelho da vida de minha mãe.

É, a maternidade tem dessas coisas! Além do amor incontestável, ela traz consigo outros sentimentos: a responsabilidade de nos tornarmos pessoas melhores em busca de deixar um legado e a vontade de fazer com que nossos filhos nos admirem – contando o medo de não decepcioná-los.

Se tomamos a decisão certa, só o tempo irá dizer, pois confesso que não foi fácil abandonar a construção de um projeto profissional que nos rendeu tanto prestígio e realização. Porém, quando olho para trás e atesto o crescimento e desenvolvimento de nossos filhos – que hoje moram conosco em Portugal e estão tendo a chance única de crescer sob nossos olhares e com as oportunidades e qualidade de vida que sempre desejei – vejo no reflexo do espelho de minha vida não só a imagem dos meus filhos, mas também, ao lado de deles, a de uma mãe serena e orgulhosa.

Nossa vida é feita de escolhas nas diversas encruzilhadas do caminho. Ouvi muitas vezes que não podemos abrir mão de tudo por nossos filhos, pois eles crescem e alçam voos próprios que nem sempre incluem seus pais. Mas para que cresçam e voem alto, precisamos dar a eles o alimento e o combustível necessário: nossos valores, amor e dedicação. Eu fiz a minha escolha. E apesar de aos poucos estar retomando minha carreira, jamais permitirei perder o que de mais precioso conquistei: a chance de ser uma mãe presente que às vezes erra, pois é humana, mas procura sempre acertar, que ama intensamente, corrige, acompanha, se envolve, ri e chora ao lado de seus filhos”.

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