‘Fadiga do Zoom’: entenda a condição causada pelas relações online e veja como evitá-la

Criado nos Estados Unidos, o termo se refere ao uso excessivo de plataformas de videoconferências e tem sido muito comum em dias de isolamento social. Conheça a visão de uma psicanalista sobre o tema

Resumo da Notícia

  • Explicamos um pouco sobre o termo 'Fadiga do Zoom'
  • Criado nos Estados Unidos, o termo se refere ao uso excessivo de plataformas de videoconferências
  • É importante se atentar aos seus comportamento e da sua família, para descobrir se vocês também estão sentindo essa condição
  • Não se apavore: tem como diminuir os impactos dessa fadiga

Você já ouviu falar do termo ‘Zoom Fatigue’, ou ‘Fadiga do Zoom’? Criado nos Estados Unidos, o termo se refere ao uso excessivo de plataformas de videoconferências. Qualquer semelhança com a sua realidade não é mera coincidência: o termo vem para alertar as famílias durante a pandemia de coronavírus, momento em que as chamadas em vídeo se fazem mais presentes do que nunca no nosso dia-a-dia.

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‘Fadiga do Zoom’: entenda a condição causada pelas relações online e veja como evitá-la (Foto: Getty Images)

Aulas online, home office, reunião com os amigos e familiares: todos os encontros que costumávamos ter antes da pandemia se transformaram para se adaptar a nova realidade. Apesar das chamadas de vídeo serem um ótimo recurso para matar a saudade e fazer com que as aulas e trabalho funcione remotamente, você provavelmente já sabe: tudo que é em excesso, faz mal.

Mas qual são os sintomas dessa tal ‘Fadiga do Zoom’? A psicanalista Elizandra Souza, alerta que os sintomas não são somente as dores físicas que se apresentam, mas também um sofrimento mental. “As pessoas sentem que precisam estar mais disponíveis, já que estão em casa, como se não houvesse esforço. Mas isto é um erro, pois aumentam reclamações de dores no corpo e ‘dor de pensar’, é um estresse que chega a doer”, pontua ela.

A falta do contato humano já é por si só desgastante. “As pessoas podem ter a sensação de não existir”, explica a psicanalista. Com essa falta de contato face-a-face, algumas vezes as plataformas de vídeo chamadas aparecem como um respiro para nossa convivência com outras pessoas, mas elas também causam problemas e acabam trazendo alguns prejuízos, pois, conforme a atenção aumenta para o vídeo, mais se exige das conexões cerebrais, fazendo com que o trabalho de pensar seja exaustivo. Isso acontece principalmente porque o tempo “virtual” não costuma ser percebido como longo demais.

Além disso, nosso cérebro precisou aprender, muito rapidamente esta forma de conexão com o outro e com o mundo. Como as habilidades de comunicação comuns ficam prejudicadas, como olhares, gestos, respiração, a adaptação para entendimento do que o outro diz é mais exaustiva.

Como saber se estou com a ‘Fadiga do Zoom’?

Entre os principais sintomas da nova condição está o estresse e a ansiedade antes de uma videoconferência, o cansaço, esgotamento mental e até mesmo a ansiedade em outros momentos do dia. Existem vários motivos para isso acontecer. Como explicado pela Elizandra, um deles é falta de outros estímulos para o cérebro, como a percepção do espaço, cheiros, toques, entre outros. Além disso, os recorrentes atrasos nas respostas, que muitas vezes acontece devido a problemas de conexão, também causa a sensação de não estar sendo ouvido, como apontado por especialistas que desenvolveram o termo.

O cansaço também acontece por conseguirmos nos ver durante a conversa. Isso faz com que fiquemos muito tempo observando nossa própria imagem e como reagimos a cada situação, o que não acontece em conversas presenciais.

Como evitar a ‘Fadiga do Zoom’?

Calma! Os cenários não são os melhores, mas nem tudo está perdido! Existem algumas coisas que você pode fazer para evitar chegar nesse nível de cansaço em relação às videoconferências. A psicanalista Elizandra Souza listou alguns, confira:

1. Ter rotina de trabalho e estudo virtual;

2. Não ultrapassar 2 horas na frente do computador, sem se levantar e dar uma volta pela casa;

3. Ter atividades de lazer distante do computador;

4. Evitar ficar numa única posição durante muito tempo;

5. Sair da sala ou desligar áudio e câmera se tiver sensação de ansiedade;

6. Evitar aplicativos que abrem a câmera de vários participantes ao mesmo tempo (isso facilita nossa atenção e concentração naquilo que o outro está falando, quando somente ele aparece na tela)

7. Prefira o áudio (ao vivo). A câmera exige mais de nossa concentração e de nossa postura.