Família busca cartas que pai deixou para a filha escondidas em CDs dos Beatles antes de morrer

Karlo Schneider, que morreu de covid-19, vendeu parte da coleção após perder o emprego. As cartas deveriam ser abertas quando filha completasse 15 anos, em 2022

Resumo da Notícia

  • Karlo Schneider, após descobrir que a esposa, Alcione Araújo, estava grávida, decidiu, junto com amigos, escrever cartas para a primogênita abrir quando completasse 15 anos
  • O pai perdeu o emprego durante a pandemia e vendeu grande parte da coleção na internet
  • Infelizmente o fã não resistiu ao vírus e a família procura as cartas que provavelmente estão nos discos vendidos

Karlo Schneider, após descobrir que a esposa, Alcione Araújo, estava grávida, decidiu celebrar a chegada da primeira filha em um jantar com amigos há 14 anos. Durante a noite, todos iriam escrever cartas para a bebê, mensagens com conselhos e projeções para o futuro, que só seriam abertas quando a menina completasse 15 anos.

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Claro que o pai, fã de Beatles, teria guardado os dentro de discos da banda favorita. No entanto, esses discos fariam parte de uma coleção de aproximadamente 500 álbuns. Meses depois Barbára nasceu, com nome em homenagem à segunda mulher de Ringo Starr. Depois vieram Layla, nome tirado de um dos maiores sucessos de Eric Clapton, e Arthur, por causa do Zico. “Ele era tão fã dos Beatles que, quando a gente se conheceu, a primeira coisa que ele quis saber foi se eu também gostava da banda”, contou Alcione.

Schneider com Bárbara, para quem deixou as cartas que seriam abertas apenas quando ela completasse 15 anos(Foto: Reprodução/ Estadão)

As cartas escondidas, no meio tempo, ficaram esquecidas ou esperando o tempo para serem lidas. Com a crise econômica devido a pandemia de covid-19, Karlo perdeu o emprego como gerente geral de um hotel em Mossoró, no Rio Grande do Norte, isso porque sem turistas, o hotel precisou reduzir seu quadro de funcionários. “Meu marido sempre trabalhou. Nunca dependeu de ninguém. Por isso, depois de quase 1 ano desempregado, ele decidiu vender parte de sua coleção de discos”, contou a mãe.

Com isso, Schneider vendeu mais da metade de sua coleção de álbuns! “O sonho dele era recomprar tudo. Ele iria reaver a coleção tão logo a situação econômica melhorasse”, explicou Alcione. No entanto, um pouco antes da filha Bárbara completar 14 anos, Schneider contraiu o vírus da covid-19. “Ele tinha muito medo, se cuidava muito, usava máscara, álcool em gel… Mas também tinha fatores de risco, como pressão alta e obesidade”, disse a mulher.

Schneider e Alcione em show do Paul McCartney (Foto: Reprodução/ Estadão)

Infelizmente, o fã de Beatles não resistiu à doença, e entre as homenagens uma coisa ficou pendente: as cartas escritas para a primogênita que completaria 15 anos em 2022. “Minha filha está muito abalada pela perda do pai. Essas cartas seriam um alento, uma lembrança boa para ela”, disse Alcione.

Após revirar a estante de discos do marido, a viúva não encontrou os recados e constatou que a probabilidade maior era de que as cartas estivesses em discos que foram vendidos. “Encontrá-las seria como um presente para a minha filha. Meu marido era tão imprevisível que a mensagem que ele deixou pode ser apenas uma piada ou, talvez, a declaração de amor mais bonita que você pode imaginar”, completou.

Com isso, a procura pelos compradores dos discos de Schneider e, consequentemente, a busca pelas cartas, ganhou o impulso de uma das pessoas que estavam presentes naquele jantar em que o beatlemaníaco teve a ideia de surpreender sua filha 15 anos depois do nascimento dela.

Schneider e amigos no dia em que escreveram as cartas para Bárbara (Foto: Reprodução/ Estadão)

Ulla Saraiva, escritora e podcaster, postou no Twitter a história das cartas perdidas. O post ganhou proporções gigantescas e foi reproduzido em milhares de outras contas – ganhando espaço na mídia local e nacional. “A gente sabe que muitos colecionadores podem ter comprado um lote de discos e sequer terem aberto os encartes. Essa é uma possibilidade, já que se trata de discos raros. Estamos divulgando em fóruns de colecionadores e pela mídia. Nossa esperança é encontrar esses discos com as cartas para Bárbara”, disse Ulla.

“Schneider romantizava a vida. Ele tratava a vida como se fosse um roteiro de filme. Reencontrar essas cartas seria como um último capítulo”, completou a amiga. Muito triste com a morte do pai, a quem Bárbara era tão apegada, a menina tem esperança em reencontrar as cartas que deveriam ser lidas por ela em 2022, quando completasse 15 anos.