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Flávia Viana abre o coração após aborto espontâneo: “Me dei o tempo do luto”

A apresentadora perdeu o bebê na 10ª semana de gestação

Ingrid Campiteli

Ingrid Campiteli ,filha de Sandra e Paulo

Flávia e a família (Foto: Reprodução / Instagram)

A ex-participante de ‘A Fazenda’, Flávia Viana falou abertamente sobre o aborto espontâneo que sofreu. Em entrevista ao TV Fama, a apresentadora deu um depoimento raro sobre o caso, dizendo que ela se resguardou para repensar sobre o acontecimento e procurando sempre uma conexão com Deus.

Flávia contou que o tempo de luto foi necessário. “Eu me dei o tempo do luto, a gente ficou quietinho e eu fiquei tentando entender. Eu tenho uma conexão com Deus que somos um só, é muito direta”, contou.

Ela revelou que inicialmente precisaria passar por uma cirurgia, mas no fim não precisou. “Tanto é que no outro dia estava marcada a cirurgia e a médica me explicou que se eu estivesse bem psicologicamente eu poderia esperar que o meu corpo ia expelir naturalmente. E aí eu pensei que se foi Deus que agiu, ele ia continuar agindo naturalmente”, afirmou.

“Tudo aconteceu tão natural, foi só duas semanas depois que eu tive uma dor muito forte. O médico disse que meu útero não tinha resíduo algum, em 14 dias eu poderia engravidar novamente”, finalizou comemorando.

Já Marcelo Zangrandi, companheiro de Flávia, afirmou que o apoio dos fãs foi essencial para o casal. “Foi um susto para nós, mas é algo que é mais comum do que a gente imagina”, explicou.

Aborto espontâneo: a culpa não é sua!

Uma pesquisa sobre aborto realizada em 2015 comprovou que entre três mulheres que sofreram o aborto espontâneo, duas não conseguem contar nem para suas melhores amigas sobre o ocorrido. Triste, não é? Mas essa maré está passando e muitas mulheres estão quebrando esse tabu – ainda bem!

À medida que mais e mais mães corajosamente se abrem para o público sobre seus abortos espontâneos, nós damos uma luz sobre o que é preciso para se abrir e como essa tendência inspiradora pode mudar a maternidade para melhor – e para sempre.

Tirando a culpa 

De acordo com historiadores, desde a idade média as mulheres se culpam por não conseguirem dar filhos homens aos seus maridos. “O estigma do aborto foi em grande parte econômico”, explica Edward Shorter, professor de história da medicina. As razões para o aborto foram um mistério médico até muito recentemente, pois as mães sempre foram consideradas o problema. Nos anos 1500, o médico inglês Thomas Reynalde escreveu que dançar ou pular; sentir raiva, tristeza ou alegria repentina; e gastar muito tempo no frio poderia levar ao aborto.

Séculos depois, as consequências a longo prazo de toda essa humilhação materna e culpabilização da mãe são fáceis de ver. As mulheres tradicionalmente mantêm o segredo da gravidez até os três meses e escondem sua dor se abortarem a qualquer momento ao longo do caminho. De acordo com um estudo publicado no Obstetric and Gynecology, 41% dos casais que viveram um aborto espontâneo sentiram que eles haviam feito algo de errado. Mas na realidade, os abortos são quase sempre causados por fatores que estão fora do controle da mãe – como anormalidades genéticas no embrião.

Isso tem um forte impacto na vida dessas mães. A perda de um bebê pode ser traumatizante, isoladora, provocadora de culpa e difícil de esquecer. Uma pesquisa sobre relações familiares mostrou que a ausência de apoio de famílias e amigos nessa situação pode até mesmo fazer com a mãe tenha depressão. A maioria das mulheres que passaram por isso sentem que a melhor ajuda pode ser a de alguma pessoa que também sofreu de um aborto espontâneo.

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