‘Flurona’ não é um novo vírus ou variante: saiba tudo sobre a coinfecção e como se proteger

O Brasil têm registrado pacientes infectados com vírus da Covid-19 e da Influenza ao mesmo tempo, o que tem sido chamado de ‘Flurona”. É importante esclarecer que não se trata de uma doença nova, mas sim de uma dupla infecção

Resumo da Notícia

  • "Flurona" é o nome popularmente dado a coinfecção do vírus Influenza e coronavírus
  • O termo não deve ser usado para referir-se a uma nova doença pois não existe um vírus híbrido, trata-se de uma dupla infecção
  • Os métodos de prevenção não são diferentes e os hábitos de higiene devem continuar sendo mantidos

‘Flurona’ é o nome que está sendo popularmente atribuído a casos de infecção dupla provocada pelo vírus Influenza, causador da gripe, em conjunto ao coronavírus, causador da Covid-19. Contudo, o infectologista Dr. Gerson Salvador, pai de Laura, Lucas e Luís, aponta que esse termo não deve ser usado para referir-se a uma nova doença porque não existe um vírus híbrido, trata-se de uma coinfecção.

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“Não se trata de uma nova doença, são apenas pessoas que contraíram os dois vírus ao mesmo tempo. Isso é muito frequente em vírus respiratórios”, reforça o infectologista.

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Flurona é um nome inadequado. Não se trata de uma nova doença, mas sim de uma coinfecção entre os vírus da gripe e da Covid-19 (Foto: Reprodução/ Mashable SE Asia)

No Rio de Janeiro e no Ceará já foram identificados casos de coinfecção por gripe e Covid-19. No Estado Carioca, o diagnostico foi feito em um rapaz de 16 anos de idade, que apresentava sintomas leves, como coriza e febre baixa. Já no nordeste, três casos foram confirmados em Fortaleza, sendo os pacientes duas crianças de um ano e um homem de 52.

Os casos de infecção dupla chamaram atenção após uma mulher grávida ter sido diagnosticada com gripe e Covid-19 em Israel, na cidade de Petah Tikva. De acordo com o hospital Rabin Medical Center, onde a gestante estava internada, ela não havia tomado a vacina contra o coronavírus ou contra a Influenza, e foi diagnosticada com ambas as doenças assim que chegou à unidade de saúde.

Entretanto, esse não foi o primeiro caso de coinfecção confirmado. De acordo com a Agência Brasil, outros casos de pessoas acometidas por gripe e Covid-19 já haviam sido diagnosticados nos Estados Unidos em 2020. Portanto, não se trata de algo incomum ou inédito.

Sintomas

O paciente sentirá os mesmos sintomas causados pela gripe e pela Covid-19, como febre alta, tosse, coriza, garganta inflamada, e perda do paladar e olfato.

O infectologista explica que contrair os dois vírus ao mesmo tempo não quer dizer necessariamente que o paciente terá sintomas mais graves, a diferença é que ele ficará exposto tanto à complicações da Influenza quanto às complicações da Covid-19.

Crianças estão suscetíveis a contrair o vírus da gripe
Crianças estão suscetíveis a contrair o vírus da gripe (Foto: Getty Images)

O pediatra e pneumologista, Eduardo Rosset, pai de Sophia e Carolina, destaca que o vírus Influenza tende a ser mais intenso em crianças do que o coronavírus, o que exige atenção redobrada dos pais e responsáveis. “Nessa época em que observamos uma epidemia de gripe e seguimos lutando contra a pandemia da Covid-19, estejam as crianças devidamente vacinadas contra ambos os vírus (nos casos dos maiores de 12 anos) ou apenas contra a Influenza (todas as faixas etárias acima de 6 meses)”, diz o especialista.

Para diferenciar de forma definitiva os sintomas de Covid-19 aos sintomas de H3N2, Dr. Gerson afirma que é preciso fazer o teste molecular. “A Covid não costuma dar febre tão alta nos primeiros dias de doença, costuma ter menos coriza e é mais frequente ter alteração no paladar e olfato, mas um sintoma ou outro não são suficientes para fazer um diagnostico definitivo e saber de que vírus se trata”, explica.

Prevenção

As formas de prevenção não mudam: hábitos de saúde e higiene como lavar bem as mãos, evitar aglomerações e usar máscaras são condutas que devem permanecer. “O uso de máscara protege tanto contra a Influenza quanto contra o SARS-CoV-2, já que ela funciona como barreira de proteção que inibe o contato com vírus respiratórios”, informa o pediatra e pneumologista.

Por mais que os casos de coinfecção registrados oficialmente ainda sejam baixos, o Dr. Eduardo acredita que os diagnósticos devem aumentar consideravelmente nos próximos dias devido às aglomerações das festas de fim de ano. “A recomendação é que os pais mantenham os cuidados incentivando a higiene constante das mãos e uso devido de máscaras pelas crianças”, aconselha o pediatra.

O uso de máscaras é necessário para evitar a proliferação do vírus
O uso de máscaras é necessário para evitar a proliferação do vírus (Foto: Getty Images)

Organizações de Saúde, cientistas e médicos destacam que a vacinação contra os vírus e o uso de máscara são as melhores maneiras de prevenção contra as doenças. “Junto com as vacinas, os protocolos de cuidados com a saúde para redução dos riscos de contaminação por esses vírus são nossas melhores ferramentas de prevenção a essas doenças”, afirma Dr. Eduardo.

Vacinação

Não é necessário uma nova vacina! “Nós já temos a vacina contra a Covid-19 muito bem desenvolvida e a vacina da Influenza está se adaptando para a nova variante H3N2. Para evitar um novo surto de Influenza no meio do ano, é de extrema importância procurar a vacinação”, diz o infectologista da Oncoclinicas Dr. Filipe Prohaska, pai de Letícia e Luisa.

O Vírus Influenza H3N2 é o responsável pela alta incidência de casos de gripe. O aumento do aparecimento dessa doença entre a população pode ter relação com à falta de vacinação contra a gripe e também à flexibilização das medidas de restrição adotadas como prevenção à Covid-19, bem como o relaxamento dos critérios sanitários como higienização das mãos e o uso de máscaras.

As vacinas são consideradas a maior conquista no campo da saúde pública e os benefícios proporcionados por elas são superiores a qualquer outra intervenção preventiva oferecida. Precisamos seguir com a vacinação da gripe e da Covid-19 para evitar o avanço de infecções e coinfecções. “Não se trata de uma nova doença, então não faz sentido desenvolver uma nova vacina”, reforça Dr. Gerson.

Mas lembre-se: a dupla infecção pode acontecer mesmo entre quem foi vacinado contra ambos ou apenas um dos vírus. “As vacinas são essenciais para reduzir os riscos de complicações pelas doenças, mas não excluem a necessidade dos cuidados básicos com a saúde para evitar a contaminação. Quem foi vacinado contra Covid e contra Influenza tende a evoluir bem, com sintomas leves e sem complicações mesmo quando ocorre a coinfecção. Já quem não se vacinou tem mais riscos evoluir com mais gravidade, inclusive para a insuficiência respiratória”, ressalta Dr. Eduardo.