Gestora se pronuncia após crise de ansiedade coletiva em escola: “Angústia gerou efeito dominó”

26 crianças precisaram ser socorridos pelo SAMU em uma escola estadual no Recife na última sexta-feira, 8 de abril, com sintomas de crise de ansiedade. Depois do caso, nesta segunda-feira, a gestora da Gerência Regional de Educação Recife Norte, Neuza Pontes se pronunciou

Resumo da Notícia

  • 26 crianças precisaram ser socorridos pelo SAMU em uma escola estadual no Recife na última sexta-feira, 8 de abril
  • As crianças estavam com sintomas como falta de ar, tremor e crise de choro, típicos de uma crise de ansiedade
  • Depois da grande repercussão do caso na mídia, nesta segunda-feira, 11 de abril, a gestora da Gerência Regional de Educação Recife Norte, Neuza Pontes se pronunciou sobre o caso

26 crianças precisaram ser socorridas pelo SAMU em uma escola estadual no Recife na última sexta-feira, 8 de abril. As crianças foram socorridas por estarem com sintomas como falta de ar, tremor e crise de choro, típicos de uma crise de ansiedade. Depois da grande repercussão do caso na mídia, nesta segunda-feira, 11 de abril, a gestora da Gerência Regional de Educação Recife Norte, Neuza Pontes se pronunciou sobre o caso.

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De acordo com o que ela disse, o caso teria acontecido por conta de “uma angústia que gerou efeito dominó”.  As crianças estão em períodos de provas, as primeiras presenciais desde o início da pandemia de covid-19, conforme apurado pela TV Globo.

“O Samu estava aqui e atestou que não houve outro motivo a não ser esse, uma angústia que gerou um efeito dominó, vamos assim dizer, em que um foi vendo o outro passando mal, com falta de ar, e isso foi gerando essa coletividade nesse momento”, continuou ela relatando o que ocorreu na sexta.

Alunos têm crise de ansiedade
Estudantes de escola no Recife têm crise de ansiedade ao mesmo tempo (Foto: Reprodução/G1/WhatsApp)

Ela seguiu falando que na escola não existe um profissional para dar apoio psicológico às crianças. “Dentro da escola, nós não temos o psicólogo. Nós temos um núcleo de apoio à educação inclusive, aos direitos humanos, e esse suporte junto aos estudantes nas emoções, mas no sentido de encaminhamento. Então, a gente faz toda orientação para a escola, para a família, de como esse aluno pode ser orientado, pode ter um acompanhamento psicológico e terapêutico fora da escola”, pontuou.

O caso

O caso das 26 crianças com crise de ansiedade aconteceu na última sexta-feira, 8 de abril, na Escola Estadual de Referência em Ensino Médio Ageu Magalhães, no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. Nesse dia, os 514 alunos da unidade de ensino foram liberados por causa do ocorrido.

Nesta segunda-feira, 11 de abril, as aulas retomaram, mas nem todos os estudantes voltaram à escola. Em entrevista ao g1, realizada em 10 de abril, dois dias após o ocorrido – o pai de uma aluna do do 1º ano no ensino médio disse que a situação era assustadora, e lembrava um “cenário de filme de terror”. “Minha filha saiu da escola com uma amiga. Ela disse que o cenário era de filme de terror, com correria e tumulto. Já no ônibus, ela me ligou dizendo que tinha deixado a escola e estava indo para casa”, disse o pai.

Segundo o patriarca, a dor e sofrimento retornou à mente da filha de 14 anos. A adolescente disse ao pai que algumas amigas também estão com medo de voltar às aulas. Ainda em entrevista, o homem disse que a filha não quer relembrar o que aconteceu. “Ela diz que dá agonia de lembrar, diz que o olho escorre lágrimas”, afirmou.

Alunos têm crise de ansiedade em escola no Recife
O Samu prestou socorro aos alunos que apresentavam sintomas de crise de ansiedade (Foto: Reprodução/G1/WhatsApp)

O caso que viralizou aconteceu na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, localizada no bairro de Casa Amarela, na zona Norte do Recife.  À imprensa, o Samu disse que os jovens apresentaram sudorese, saturação baixa e taquicardia. Todos foram atendidos no local.

A mãe de outra aluna de 15 anos, que também cursa o 1º ano do ensino médio, se deslocou à escola logo em seguida de saber do ocorrido. “A escola não entrou em contato comigo na hora. Um colega de sala da minha filha me ligou e fui até a escola. Chegando lá, vi seis ambulâncias e, na entrada, vários adolescentes, alguns desmaiados, alguns chorando bastante”, contou.

De maneira geral, as razões pelas quais se deu início a crise coletiva de ansiedade, são desconhecidas. Mas, segundo a mãe da aula de 15 anos, a crise começou após uma estudante perder os sentidos. “Os alunos combinaram de esperar acalmar, mas aí o desespero tomou conta da maioria porque eles tinham medo de que fosse algo mais grave”, contou a responsável por um das alunas na escola.

A crise de ansiedade de uma aluna desencadeou uma reação em cadeia, que atingiu várias turmas da escola. Em pouco tempo, os estudantes de outras classes começaram a gritar – no qual o som podia ser ouvido pelos corredores, acentuando ainda mais o clima de tesão. Segundo o especialista Igor Lemos, psicoterapeuta cognitivo-comportamental, em entrevista ao g1 – algumas situações podem desencadear o “adoecimento partilhado”, que age em efeito dominó.

Quando a ansiedade é um sinal de alerta?

Quando o momento de tensão se torna excessivo, contínuo e traz outros sintomas na bagagem, há indicativos de que algo não vai bem na rotina da criança. “Um exemplo é a queda do rendimento escolar, mudanças nos hábitos alimentares, quando há queixas de enxaqueca e também dores que não tem uma causa física”, explica a psicóloga Dra. Ana Gabriela Andriani, mestre e doutora pela Unicamp, filha de Claudilene e Delfino. Além disso, é importante ficar de olho também em:

  • Pesadelos recorrentes
  • Dificuldades para dormir
  • Dormir excessivamente
  • Medo frequente
  • Quando a criança passa a se isolar
  • Agressividade
  • Apatia

Como ajudar a criança se acalmar?

O primeiro passo para tranquilizar a criança durante uma crise de ansiedade é manter a calma, pois desta maneira, naturalmente seu filho passa a ficar menos nervoso ou inseguro. A Dra. Ana Gabriela Andriani recomenda ainda que os pais não julguem ou briguem, mas sim que procurem entender o que aconteceu.

“É muito importante os pais mostrarem que estão presentes e prontos para ajudar e tentar entender o que a criança está sentindo. No geral, as crianças não sabem identificar os sentimentos, mas quando a família auxilia na compreensão, elas se acalmam”, comenta a especialista.

É essencial ainda mostrar para a criança que a crise de ansiedade vai passar. Mas, é recomendado que os pais procurem a ajuda de um psicólogo se o problema passar a acontecer com cada vez mais frequência e começar a atrapalhar a rotina da criança.

Tipos de ansiedade

Apesar de existirem vários tipos diferentes de ansiedade, a psicóloga listou os mais frequentes. São eles:

  • Estresse pós-traumático: quando há um fator de trauma na vida da criança
  • Transtorno de ansiedade de separação: pode estar relacionado desde ter que deixar os pais para ir a escola, ou até mesmo ao luto de perder alguém importante
  • Transtorno de pânico: é pontual e vem carregado de sintomas físicos e emocionais
  • Ansiedade comum: na qual a maior parte das crianças e adultos possuem

O que causa problemas de saúde mental em crianças?

Questões de saúde mental não ocorrem devido a situações triviais, como um menino estar deprimido porque ele tem que limpar seu quarto. Em muitos casos, as causas de depressão, ansiedade e outros problemas são uma combinação de diferentes fatores, como saúde física, traumatismo da vida, meio ambiente e até mesmo história familiar e genética.