Guarda compartilhada: mãe abre coração e fala sobre ficar longe do filho durante a quarentena

Thayná Haine é mãe de Kauê, de 5 anos, e conta que a decisão foi tomada em conjunto com o pai. Para ela, esse é um momento de pensar no bem-estar e saúde da criança

Resumo da Notícia

  • Thayná Haine optou por deixar o filho com o pai durante a quarentena
  • Ela contou que não tem sido fácil lidar com a distância, mas está pensando no melhor para a criança
  • O especialista reforça que é hora de usar o bom senso
A decisão foi tomada em comum acordo com o pai (Foto: Arquivo Pessoal)

Em tempos de coronavírus, é fundamental respeitar o isolamento social. Essa tem sido a principal medida da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à doença, evitando tanto a disseminação do vírus, quanto contaminação das pessoas. Mas como fica a guarda compartilhada em um momento como esse? Thayná Haine, auxiliar administrativa e mãe de Kauê, de 5 anos, optou por deixar o filho com o pai. “A decisão foi conversada e tomada em comum acordo, porque o pai mora em uma casa e eu apartamento, e também não tinha com quem deixá-lo quando fosse trabalhar”. 

Antonio Carlos Petto Junior, advogado especializado em direito de família, do escritório Duarte Garcia Serra Netto e Terra Advogados, esclarece que, a guarda compartilhada está relacionada às decisões sobre a vida da criança e defende decisões como de Thayná. “Dentro desse cenário todo, a palavra do momento é bom senso. Em uma situação extrema, é possível que o filho tenha que ficar em uma só casa. É importante que os pais conversem entre si e cheguem em comum acordo. Não tem porque você submeter a criança a um risco grande apenas para cumprir regime de convivência”. 

A saudade aperta

A mãe explica que contou para o filho de forma lúdica sobre a situação global. “Ele sente falta das pessoas, de mim, mas entendeu que existe uma doença que coloca em risco a vida das pessoas”, explica. Desde a última terça-feira (14), Kauê está na casa do pai e irá ficar durante 14 dias. “Infelizmente, preciso talvez me preparar para deixar mais tempo”, lamenta. Quase uma semana distante do filho, ela diz ter sido bem dolorosa essa fase. 

“Eu fico chateada de ficar, obrigatoriamente, tanto tempo longe do meu filho, mas é por uma questão de saúde. Não colocaria a vida dele em risco”, justifica. E é isso que o especialista enfatiza: “É um momento difícil, que exige paciência de ambas as partes. Os pais precisam ter tolerância e sensatez pelo bem-estar dos filhos”. Mesmo com todos os cuidados, Thayná conta: “Tenho muito medo de vacilar”, já que Kauê faz parte do grupo de risco do vírus, por ter asma. 

Thayná nunca tinha ficado tanto tempo longe do filho (Foto: Arquivo Pessoal)

É preciso pensar na criança agora

Para pessoas nessa situação, é ainda mais importante seguir as recomendações das instituições de saúde e o advogado acrescenta que esse ponto, assim como a presença de alguma pessoa idosa em casa devem ser levados em consideração na hora de combinar a guarda compartilhada. “Em casos em que a criança é levada diretamente para a casa do pai ou da mãe, sem nenhum tipo de contato externo, o regime de convivência pode ser mantido. Mas é preciso ter cuidado dos pais em entenderem que a saúde dos filhos é o que mais importa e não deve ser colocada em risco”, defende. 

“Eu nunca fiquei tanto tempo longe do meu filho, sozinha em casa. Isso aqui é um choque”. Para tentar diminuir a saudade, ela faz ligações por vídeo duas vezes ao dia. Apesar das dificuldades, a rotina completamente nova tem possibilitado à mãe se aventurar em novos projetos: “Estou fazendo mil cursos, reorganizando várias coisas em casa e me desfazendo do que percebi que não é necessário”. 

De uma geração para outra

“Eu sinto falta desse humor matinal e essa energia, mas por outro lado, me tranquiliza saber que ele está com o pai, em um local com liberdade para se mexer”, pontua. Ela explica que cada um tem seu jeito de criar, mas não significa que um seja melhor que outro: “O pai dele é tão capaz de cuidar do Kauê quanto eu”. Isso foi um aprendizado antigo de Thayná. Ela presenciou a separação dos pais quando criança e lembra como foi importante eles reforçarem que esse divórcio não significava que eles eram menos pais ou ela menos filha. 

A mãe contou os aprendizados nesse período de quarentena e o que espera para o futuro (Foto: Arquivo Pessoal)

“Meus pais sempre deixaram claro que também têm um bom relacionamento por minha causa, até hoje. Eu acabo refletindo isso para a vida do Kauê, porque quero que ele entenda que a gente é separado, mas amamos ele”, diz. As mudanças diante da pandemia são enormes e valiosas, por isso Thayná pede: “Espero que as pessoas jamais se esqueçam dessa guerra silenciosa que estamos vivendo, para que sejam mais solidárias e tomem decisões mais conscientes e responsáveis para todos nós”. Quanto a ela e o filho, deseja que saiba aproveitar melhor tanto o tempo que estão juntos quanto separados.