Homem comemora fim de ano ao lado da família após meses lutando contra a Covid-19

Dimitri Mota contraiu a doença em junho e por duas vezes a família ouviu dos médicos que o pai não sobreviveria

Resumo da Notícia

  • Homem compartilhou história de superação após lutar contra covid-19;
  • Dimitri Mota, de 40 anos, ouviu por duas vezes dois médicos que não sobreviveria;
  • Ele desabafa sobre as sequelas e conta o reencontro emocionante com a família.

Dimitri Mota, de 40 anos, natural de João Pessoa, contou em entrevista ao G1 como foram os meses de tratamento e a felicidade de estar reunida com a família completamente curado da covid-19. É a história também da esposa dele, Ana Carolina Loureiro Gama, de 37 anos, mais conhecida por Carol. Da filha Letícia, de seis anos, do filho Mateus, de 1 ano.

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O pai de Letícia e Mateus contraiu o vírus em junho. Ele não sabe ao certo em que momento isso aconteceu. Nem quer buscar “culpados”. Mas os sintomas se manifestaram no mesmo dia que abriram a vacinação para a sua faixa etária na prefeitura de João Pessoa.

No dia seguinte, fez exames e confirmou o diagnóstico. Mais alguns dias isolados, e Dimitri, aconselhado pela esposa, resolveu procurar um médico. O quadro clínico de Dimitri piorou com velocidade.  Os exames diziam   que já estava com 40% de seu pulmão comprometido. Foi internado no hospital no dia 14, mas três dias depois foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um dia mais, e foi intubado.

“A falta de ar deixa você meio mole, meio desnorteado. Então eu só lembro de alguns flashes. Em alguns momentos, é como se eu não conseguisse encaixar o quebra-cabeça de memórias”, explica Dimitri.

Dimitri segurando o filho Mateus, um ano antes de contrair covid-19
Dimitri segurando o filho Mateus, um ano antes de contrair covid-19 (Foto: Reprodução G1/Dimitri Mota/Arquivo Pessoal)

Por conta da confusão mental, Dimitri não conseguiu, por muitas vezes, lembrar exatamente o que estava fazendo, mas um dia ficou marcado: 18 de junho, dia do aniversário de Mateus e o dia em que o médico lhe disse que ele precisaria ser intubado.“Eu falei para mainha que estava morrendo de medo. Mas que eu ia tentar sair daquilo”, relembra.

Recuperação e reencontro

Após desviar duas vezes da morte, ter ficado parcialmente cego, ser extubado com fortes oscilações de humor, que foram consequências de um derrame pleural, e uma cirurgia para drenar o líquido da membrana, finalmente o homem conseguiu se sentir seguro de novo.

Foram, ao todo, 31 dias internado no hospital, 17 deles dentro de uma UTI e 13 dias intubado. Dimitri saiu do hospital caminhando, sem nenhuma sequela e com a visão 100% recuperada. O tratamento, ainda assim, seguiu fora do hospital. Fisioterapia respiratória, caminhadas, recuperação do condicionamento físico. Depois, corridas em esteira. E, por fim, musculação.

Foi para casa. Ao chegar em seu apartamento, foi ele quem abriu a porta. A esposa Carol e os dois filhos o agradavam lá. Letícia, de seis anos, pulou em direção do pai para abracá-lo, que não via há mais de um mês. E o pai teve forças suficientes para segurá-la e colocá-la no colo. “Mãe, que felicidade! Meu pai está em casa! Ele é a luz da minha vida!”, exclamou a menina, em êxtase.