Homem Pateta: mãe faz alerta após filha receber mensagens e explica como agir

Os pais de uma menina de 11 anos ficaram assustados com as ameaças que ela começou a receber e decidiram tomar uma atitude imediata para protegê-la, além de falar sobre o assunto

Resumo da Notícia

  • Uma menina de 11 anos foi alvo do Homem Pateta
  • Os pais tomaram uma atitude assim que viram as mensagens
  • Eles ainda deixaram um alerta sobre o caso
  • Veja como proteger o seu filho e o que fazer
Os pais ficaram assustados com as mensagens que a filha recebeu (Foto: Reprodução / Twitter @temadobrasil)

Na última semana, a mãe de uma menina de 11 anos contou que a filha começou a receber mensagens do “Homem Pateta” pelas redes sociais. Inspirado em um personagem da Disney, os perfis espalhados pela internet têm deixado muitos pais aflitos, pois é usado para incitar as crianças ao suicídio.

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Felizmente, neste caso a conversa não foi prolongada pela menina, que avisou os pais imediatamente quando recebeu as mensagens pela direct, no Instagram. De acordo com a delegada Elaine Benicassa, em entrevista ao Jornal Midiamax, os suspeitos costumam usar perfis com o nome “Jonathan Galindo”, e procuram por crianças de até 12 anos.

Assim que recebeu a mensagem na noite do último domingo, 28 de junho, a menina estava com toda a família. No dia seguinte, a mãe procurou a polícia e a investigação indicou que o suspeito provavelmente não seria do Brasil, pois as mensagens estavam em espanhol. “Foi uma péssima surpresa, mas a nossa sorte é que já tínhamos alertado nossa filha sobre o caso após assistirmos uma reportagem”, explicou a mãe ao site O Pantaneiro.

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Ela ainda lembrou sobre o dia: “Assim que ela recebeu a mensagem, lembrou do que havíamos conversado e nos mostrou rapidamente. Ficamos muito assustados e eu já bloqueei o perfil e fizemos denúncias”. A partir das investigações, o caso pode ser considerado ameaça, perturbação da tranquilidade ou instigação, auxílio e consumação de suicídio, com uma pena que pode chegar até 20 anos a partir das mensagens.

A delegada ainda deixou um alerta para os pais orientarem os filhos: “Os pais precisam trazer segurança e educação cibernética para os filhos, explicando sobre os males encontrados na internet”. Em casos mais extremos, ela ainda explicou que: “Se for necessário, devem instalar um programa espião para saber o que os filhos fazem na internet“, concluiu.

Quem é o Homem Pateta?

Como proteger seu filho das ameaças online (Foto: Getty Images)

Você já ouviu falar do ‘Homem Pateta’? Um alerta divulgado pela Polícia Civil de Santa Catarina nesta semana pede que pais e responsáveis prestem atenção nos perfis acessados pelos filhos nas redes sociais.

No comunicado, eles citam, principalmente, um perfil que está ficando famoso na internet recentemente: Jonathan Galindo, ou melhor, o ‘Homem Pateta’. As páginas que trazem fotos e montagens que se parecem com o personagem Pateta, da Disney, estariam disseminando conteúdos de terror para assustar as crianças e, até mesmo, induzir ao suicídio. Com uma aparência aterrorizante, a imagem do Homem Pateta vem viralizando principalmente no Facebook e Instagram, causando curiosidade entre os internautas.

Segundo a polícia, os primeiros perfis têm postagens em espanhol, porém, algumas páginas com conteúdos em português já surgiram e acenderam um alerta, com medo e preocupação, em muitos pais. A advogada e especialista em direito digital e cyberbullying, Ivanice Cardoso, nossa colunista e mãe de Helena e Beatriz, falou sobre o tema em uma live no Instagram na última segunda, 22 de junho. No vídeo, ela comenta a respeito da semelhança do novo fenômeno com perfis antigos, como a Momo e a Baleia Azul. A especialista diz, no entanto, que o novo perfil pode ser ainda mais perigoso devido ao momento pelo qual estamos passando.

“Estamos no meio de um processo de isolamento social em que as crianças estão super fragilizadas e carentes – de contato e de adrenalina. Então um fenômeno como esse acaba virando uma bomba”. Além das crianças, a advogada também comentou a respeito da situação na qual as mães e pais estão enfrentando. “Nós, mães, estamos super envolvidas com outras coisas, então a última coisa que a gente pensa é ficar vasculhando o Facebook das crianças para saber se eles estão entrando em algum desses desafios que estão aparecendo”.

‘Homem Pateta’: conheça os riscos do perfil e como proteger seu filho (Foto: reprodução Pinterest))

Para Ivanice, o primeiro passo para evitar que seu filho caia nesse tipo de desafio é ativar um controle parental – normalmente já disponível em celulares e tablets – nos equipamentos que ele utiliza e, claro, sempre conversar com ele e explicar o que está acontecendo e qual o motivo de você estar tomando tais atitudes, deixando bem explícito os intuitos desse tipo de perfil e por que ele não deve acessá-lo.

Conversar com uma criança sobre um assunto tão sério e garantir que ele entenda o recado, no entanto, pode ser um tanto quanto difícil. É preciso garantir que esse diálogo se torne um alerta e não algo para instigar a curiosidade de seu filho para pesquisar sobre o tema.

Não deixe o pânico tomar conta da sua família

De acordo com especialistas, esses desafios não devem ser o maior de todos seus medos como pai ou mãe. “Não é o tempo que a criança passa na internet, mas sim a relação dela com esse meio. Cortar totalmente o acesso do seu filho às redes sociais não ajuda. A criança fica ainda mais suscetível aos perigos e não aprende a separar o que é bom ou ruim na internet. Além disso, ela pode ter acesso a conteúdos inadequados na casa de amigos ou de crianças mais velhas”, defende Roberta Bento, especialista em educação e neurociência cognitiva, fundadora do SOS Educação e mãe de Taís. 

Focar os medos e preocupações em torno de boatos alarmistas distrai os pais dos verdadeiros riscos presentes em qualquer plataforma online. “A cada dia, vai aparecer uma história diferente nas redes. Os pais precisam deixar a ingenuidade de lado e entender que a internet não é um lugar feito para ser seguro, mas sim um espaço de profunda pluralidade. 57% da população tem acesso à internet, é impossível ter segurança em um local com mais de 4 bilhões de pessoas”, explica Ivanice Cardoso.

Como abordar esse assunto com seu filho

A psicóloga Eliana De Barros Santos, mãe de Mariana, Rebeca e Laerte, deixa algumas dicas para você evitar que seu filho consuma este tipo de conteúdo. O primeiro passo é explicar para o seu filho que aquilo tudo que está na telinha é fantasia.

Também é sempre válido conferir o que a criança está acessando, e não só como uma forma de controle, mas de curiosidade real, já que aquilo que a pessoa vê pode afetar positiva ou negativamente no seu pensamento e modo de agir ou pensar. A psicóloga reforça a importância da intimidade da relação que você tem com o seu filho. “É preciso orientar com proximidade, porque o distanciamento dos pais causa distúrbio emocional, e as crianças percebem quando eles não estão próximos e ficam mais suscetíveis e vulneráveis”, conclui.

“A conversa com a criança tem que ser sempre muito frontal. Evite ficar dando muitas voltas, seu filho precisa de uma linguagem simples para poder entender e se sentir seguro”, orienta Ana Carolina, psicóloga e psicanalista especializada em desenvolvimento infantil, mãe de Benjamín e Marina. Comece a conversa com perguntas do tipo “Você já viu? O que você pensa sobre isso? Como você se sentiria se visse esse personagem?”.

A primeira postura é escutar a criança. Quanto mais você fala ‘não faça’, mais a criança faz, porque pode despertar a curiosidade. “O que é mais importante e que os pais não têm feito é escutar. Mais do que dizer para o filho não assista, é dizer: se você ver, me conte”, exemplifica a especialista. A partir dessa conversa, esteja sempre disponível para amparar e demonstre confiança para receber o alerta de que há algo incomodando seu filho.

“É sempre a conversa que resolve. Peça para a criança mostrar a você o que ela assiste. Meu maior conselho para os pais na atualidade é que eles não podem achar que a tecnologia resolve a falta de atenção. Eles precisam ser parceiros e isso não significa ser amigo, mas sim fazer junto. Entregamos um telefone com acesso à internet na mão da criança e esquecemos que precisamos supervisionar isso também. O pai precisa se interessar pela vida do filho, tem que ouvir mais do que falar. Tem que permitir que a criança se sinta segura para falar o que está na cabeça dela”, aconselha Ana Carolina.

“O mais indicado é fazer uma abordagem contando uma história para o seu filho. Perguntar se ele viu alguma coisa diferente ou assustadora nos vídeos e, caso ele tenha visto, alertar que existem pessoas maldosas e que contam histórias mentirosas. Não temos como isolar nossos filhos do mundo digital, por isso precisamos parar para repensar a forma que estamos educando nossos filhos e sair desse modo de histeria coletiva. Se fizermos a construção desse pensamento desde cedo, a criança vai ganhando autonomia e responsabilidade para entender o que deve assistir ou não, e tem mais liberdade para conversar com os pais caso não se sinta segura”, finaliza Ivanice.