Hospital cria ‘prontuários afetivos’ para pacientes na UTI com covid-19: “O carinho é essencial”

A ideia teve como objetivo um tratamento mais humanizado o Hospital São Vicente e o projeto foi implantado no início do mês de maio

Resumo da Notícia

  • Um hospital de Jundiaí criou "prontuários afetivos" para pacientes internados na UTI com covid-19
  • Em busca de um tratamento mais humanizado o Hospital São Vicente teve o projeto implantado no início do mês de maio
  • Como todos os pacientes que ficam na ala  estão intubados e sedados, a equipe não pôde conhecer a personalidade de cada um

Um hospital de Jundiaí criou “prontuários afetivos” para pacientes internados na UTI com covid-19. Em busca de um tratamento mais humanizado o Hospital São Vicente teve o projeto implantado no início do mês de maio pela psicóloga Nayara Pancelli, para os funcionários conhecerem melhor os pacientes.

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A profissional contou que se inspirou no projeto da médica reumatologista Isadora Jochims, do Hospital Universitário de Brasília. “Assim que vi a iniciativa na internet já me apaixonei e quis adaptar pra nossa unidade. Estamos há mais de um ano trabalhando no isolamento de covid e, nesse tempo de isolamento e distanciamento entre paciente e familiares, o carinho e a atenção são também essenciais no tratamento”, explicou ao G1.

Hospital cria ‘prontuários afetivos’ para pacientes na UTI com covid-19 (Foto: Reprodução/ G1)

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Como todos os pacientes que ficam na ala onde Nayara trabalha estão intubados e sedados, a equipe não pôde conhecer a personalidade de cada um. “Não conhecemos a voz, não sabemos da história, não sabemos quem é. Até certo ponto, dá uma segurança pra não nos envolvermos. Mas o contato faz falta”, disse.

Segundo ela, a iniciativa foi muito bem recebida e até emocionou alguns membros da equipe. “Quando cheguei com o primeiro prontuário, paramos todos no leito do paciente e eu li em voz alta. Foi muito emocionante. Pudemos olhar para o paciente além do leito. Conhecer quem são como pessoas”, contou.

As informações chegam ao hospital pelos próprios familiares (Foto: Reprodução/ G1)

As informações chegam pelos próprios familiares. Em uma ligação, Nayara pergunta sobre hobbies, gostos, e característica de cada pessoa. “Muitas famílias se emocionam durante a ligação, porque parece ser algo tão simples, mas em um momento difícil, elas se apegam à essas memórias”, disse.

Depois de prontos, os prontuários são deixados nos leitos de cada paciente, e as informações ajudam também no tratamento. Segundo a profissional, a equipe tem o costume de conversar com cada um deles, mesmo que estejam intubados. “Conversamos muito com cada um. Agora, com o prontuário, podemos falar sobre coisas que eles gostam, falar dos filhos, dos netos, do time de futebol. Temos certeza que isso ajuda muito”, explica.