Imigrante gestante contrai coronavírus durante internação em São Paulo e deixa alerta

A haitiana, Joanneda de 24 anos, que mora a dois anos no país, foi infectada pelo novo coronavírus dentro da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), e e está internada em estado grave no Hospital das Clínicas

Resumo da Notícia

  •  Joanneda Renaud estava com vômitos e procurou a maternidade, Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo
  • Renaud não apresentava sinais do novo coronavírus
  • O irmão Eddy Renaud têm dificuldade para se comunicar em português e faz relato
Ela foi infectada pelo novo coronavírus dentro da UTIo (Foto: Getty Images)

Em uma maternidade de São Paulo, uma migrante haitiana, Joanneda de 24 anos, que mora a dois anos no país, foi infectada pelo novo coronavírus dentro da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), e e está internada em estado grave no Hospital das Clínicas. Sua família agora luta para vencer as barreiras linguísticas e ao menos obter notícias da gestante.

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Joanneda Renaud estava com vômitos e procurou a maternidade, Leonor Mendes de Barros, na zona leste da cidade, no dia 17 de março. O sintoma é comum no início da gestação, mas pode levar a complicações — como aconteceu com ela.

Renaud não apresentava sinais do novo coronavírus. Em 16 de abril, após 30 dias internada, com febre, ela recebeu o resultado de um teste confirmando a infeção pelo coronavírus.

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Ao longo de um mês de internação, a mulher só deixou a UTI do hospital, administrado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em duas circunstâncias. Primeiro, foi levada a um hospital onde pudesse realizar uma tomografia, depois que sua condição piorou. A maternidade não possui o equipamento, utilizado também na confirmação de diagnósticos de covid-19.Já a segunda saída aconteceu na última terça-feira 21, de abril, quando ela foi transferida para a UTI do Hospital das Clínicas, unidade de referência para casos de coronavírus.

Desde então, a família não consegue informações precisas sobre as condições de Joanneda. O irmão, Eddy Renaud têm dificuldade para se comunicar em português e desabafa. “Quando somos estrangeiros, às vezes sofremos muito preconceito, porque a gente não sabe como funciona a lei no Brasil. Imagina um caso desses. Eu estou tentando conversar com o pessoal responsável pelo hospital onde ela estava, mas não quiseram conversar comigo. Se fosse um brasileiro, isso não aconteceria. Você sabe, nós que somos negros, você sabe como funciona, tem um pouco de preconceito. Eu não ligo, mas quando acontece algo tenho que cobrar meus direitos”, afirmou ele para UOL. “Ela não entrou com a doença. Se está com covid, pegou no hospital”, completou Renaud.

O exame dizendo que a haitiana estava com coronavírus só veio após um mês de internação, em 16 de abril, dia em que o país já tinha mais de 30 mil casos confirmados.

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