Butanvac: Instituto Butantan desenvolve nova vacina brasileira contra covid-19

A nova fórmula, criada pelo Instituto Butantan, terá o pedido para a realização de testes enviado à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estudar a eficácia, segurança e também resposta imune

Resumo da Notícia

  • O Instituto Butantan desenvolveu uma nova vacina contra a covid-19
  • Será enviado um pedido à Anvisa para a realização de testes
  • Pela manhã, João Doria, governador de São Paulo, e Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, falaram mais sobre o imunizante

O Instituto Butantan está desenvolvendo uma nova vacina contra a covid-19. A instituição de São Paulo irá pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar início à testagem da nova fórmula. Nesta terça-feira, 26 de março, o governador João Doria realizou uma nova coletiva de imprensa para falar sobre o tema.

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O Instituto Butantan irá fazer um pedido à Anvisa para iniciar os testes da nova vacina contra covid-19 (Foto: Freepik)

A instituição já é produtora da CoronaVac, vacina desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Responsável pela testagem do imunizante no Brasil, ele também é o envase do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). Sobre o desenvolvimento da vacina, a informação foi confirmada à CNN no final da noite da quinta-feira, 25 de março.

O pedido que será feito à Anvisa é em relação as fases 1 e 2 dos estudos. Eles são responsáveis por analisar a eficácia, segurança e capacidade de produzir a imunidade. Futuramente, pode ser possível pedir o uso emergencial e também o registro definitivo na terceira fase de estudos.

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Butantan comenta criação de nova candidata a vacina contra covid-19

O Instituto Butantan pretende iniciar em abril os testes com a vacina ButanVac, anunciada como novo imunizante candidato para o combate da covid-19. Durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira, 26 de março, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), deu mais detalhes sobre a previsão da produção do imunizante. “Os resultados dos testes pré-clínicos se mostraram extremamente promissores, o que agora nos permite evoluir para testes em voluntários já em abril, desde que a Anvisa autorize”, disse Doria.

Doria prevê 40 milhões de doses da Butanvac a partir de julho (Foto: Reprodução / Youtube)

Doria ainda informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) receberá ainda nesta sexta-feira as informações necessárias para que as as avaliações para aprovação do uso do imunizante ‘seja iniciada imediatamente’. “Nesse momento, o senso de urgência é o senso de respeito”, ressaltou. Para pedir a autorização para a aplicação em grande escala, uma vacina precisa cumprir três fases clínicas.

O governador ainda afirmou que o governo prevê 40 milhões de doses da Butanvac a partir de julho. “Hoje a Anvisa receberá já as informações necessárias para iniciar a avaliação para permitir que a fase 1 de testes seja iniciada imediatamente. A OMS receberá ainda hoje todos os certificados. O Butantan vai iniciar em maio a produção da vacina, e terá condições de disponibilizar 40 milhões de doses já no mês de julho”, disse Doria.

De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o desenvolvimento da ButanVac não vai interferir na produção do imunizante da CoronaVac, que está sendo desenvolvida pelo Butantan em parceira com o laboratório chinês Sinovac.

Benefícios de ter uma vacina brasileira contra covid-19

Em uma conversa com a Dra. Melissa Palmieri, pediatra e coordenadora médica de vacinas do Grupo Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria, ter um modelo de autossuficiência é superimportante, além de ser um exemplo mundial. “Devem ser mantidos todos os esforços de investimentos públicos para que tenhamos um abastecimento de imunobiológicos, ou seja, vacinas, para a população brasileira. Esse é o grande benefício do desenvolvimento de uma vacina totalmente brasileira.

Além disso, a produção de vacinas pode ser um facilitador para novos investimentos e uma organização focada na valorização científica de instituições pública e pesquisadores, por exemplo. “Isso é essencial no nosso país e garante um parque industrial focado em vacinas para serem desenvolvidas agora e até no futuro”, reforça a infectologista.

Como a Anvisa vai avaliar se a vacina é segura?

Em todos os medicamentos, vacinas ou imunobiológicos, a Agência de Vigilância Sanitária tem um protocolo semelhante de avaliações. “O fato é que existe todo um processo de autorização – desde a fase 1 até a fase 3 – onde a Anvisa, como qualquer agência regulatória, independente de ser uma produção nacional ou internacional, vai checar todos os parâmetros para as devidas autorizações”.

Mas, é importante reforçar que com a pandemia esse processo tem sido agilizado, mas não realizado com menos cautela. “Eles entendem a importância de acelerar os passos”, complementa Melissa. Até o momento, o Instituto Butantan realizou o pedido para dar início aos testes, ou seja, o uso emergencial só pode ter início durante a terceira fase.

Crianças e grávidas vão poder tomar a Butanvac?

Até o momento, o Instituto Butantan não informou quais faixas etárias poderão tomar a vacina contra covid-19. Mas, é importante caminhar para que também haja estudos em crianças e grávidas. “Esses imunobiológicos, tanto de produção nacional como internacional, devem também focar seus esforços para que tenhamos dados nesses grupos e, assim, com tudo caminhando bem com os resultados, termos a liberação para a vacinação”, conclui Melissa.