Intolerância à lactose X alergia à proteína do leite de vaca: saiba identificar se o seu filho tem

Nem toda criança reage bem a alguns compostos presentes no leite animal. Identificar os sinais que o corpo dá é importante para buscar alternativas nutritivas e garantir um desenvolvimento saudável

Resumo da Notícia

  • Veja como saber se o corpo do seu filho indica sinais de alergia
  • Alergia à proteína do leite de vaca é diferente da intolerância à lactose
  • Saiba qual com qual opção você pode driblar o problema

Dificuldade em ganhar peso, falta de apetite, barriga inchada, coriza… Apesar de serem sintomas muito comuns entre as crianças, nem sempre é fácil identificar de onde eles vêm. O que muita gente não sabe é que a origem de todos esses problemas pode ser uma só e estar na alimentação – ou melhor, na ingestão de leite animal. 

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Saiba como identificar se seu filho tem intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca (Foto: iStock)

O organismo de alguns bebês e crianças não reage bem a certos compostos presentes no leite. As consequências disso aparecem como alergias na pele, mau funcionamento do intestino e dificuldades respiratórias. Não à toa, hoje muito se fala sobre intolerância à lactose e alergia à proteína do leite (APLV). Mas é preciso atenção: apesar de os sintomas serem parecidos, as duas condições têm causas e riscos bem diferentes. 

“Raramente bebês ou crianças com alergia à proteína do leite de vaca apresentam, concomitantemente, intolerância à lactose. Por outro lado, nos casos de enterocolite alérgica, podem apresentar intolerância nas primeiras semanas, de forma secundária à lesão de mucosa intestinal”, explica a nutricionista Lara Natacci, mãe de Vitor, Bárbara e Júlia.

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Qual é a diferença entre intolerância à lactose e alergia à proteína do leite de vaca (APLV)?

A intolerância à lactose tem a ver com uma reação do sistema digestivo. Ela é causada por uma dificuldade do organismo em produzir a enzima lactase. Com isso, o corpo não consegue digerir o açúcar do leite. Ao chegar ao intestino grosso, esse açúcar (conhecido como lactose) se acumula e é fermentado por bactérias. Como consequência, se formam vários gases que podem causar dores na barriga.  

Já a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), está relacionada a uma defesa do sistema imunológico. O organismo reconhece algumas proteínas do leite como “ameaças” e tenta se defender. Basta ingerir uma porção – ainda que mínima – de leite ou derivados para que o corpo acenda o sinal de alerta e o sistema imunológico entre em ação. A boa notícia é que, no caso das crianças, os sintomas costumam desaparecer com o passar do tempo. 

Quais são os sinais de que uma criança pode ter APLV ou intolerância à lactose? Como diferenciar os sintomas?

Os sintomas realmente são bastante parecidos e nem sempre é fácil diferenciar uma coisa da outra. Mas existem alguns detalhes que podem nos dar algumas pistas sobre o diagnóstico.

A alergia ao leite de vaca é mais comum entre crianças e bebês. Dificilmente adultos apresentam sintomas de APLV. Por isso mesmo, é sempre bom ficar de olho nos sinais. Se seu filho tiver diarreias frequentes, inchaço abdominal, falta de apetite, cólicas e dificuldade em ganhar peso, a recomendação é procurar um pediatra para fazer uma investigação. Mas não é só isso: coriza, crises de espirro, coceiras e manchas avermelhadas na pele também devem ser motivo para acender o sinal de alerta. É importante lembrar que, no caso da APLV, os sintomas costumam aparecer mesmo quando a quantidade de leite ou derivados ingerida é mínima. 

Alergia à proteína do leite de vaca é diferente da intolerância à lactose (Foto: Getty Images)

Por outro lado, a intolerância à lactose costuma ser mais frequente entre adultos e idosos – apesar de poder aparecer em qualquer idade. Os sintomas mais comuns são diarreia, cólica, gases e inchaço na barriga. A grande diferença é que a aparição ou não desses sinais depende do tanto de leite que foi ingerido. “A quantidade de lactose que irá causar sintomas varia de indivíduo para indivíduo. Depende de quanto e da forma que a lactose for ingerida e do grau de deficiência da enzima lactase, mas, normalmente, são transitórios e não causam danos ao trato gastrointestinal”, explica.

Quais são os tratamentos possíveis? Só a adequação da dieta já é suficiente?

Para quem é intolerante à lactose, o tratamento consiste em reduzir a ingestão de leite e derivados. Na maioria dos casos, não é preciso cortar totalmente o alimento da dieta. Em compensação, é importante fazer um acompanhamento com o nutricionista e entender o que pode ou não ser consumido. Tomar um copo de leite, por exemplo, pode ser um problema. Mas, provar um pedacinho de queijo, não necessariamente vai provocar algum tipo de reação. Mas nunca é demais reforçar: sempre consulte o médico antes de fazer qualquer tipo de mudança na alimentação. 

A alergia à proteína do leite (APLV) requer um pouco mais de cuidado e de atenção. Como o próprio nome sugere, basta ingerir uma pequena quantidade de leite para as reações começarem a aparecer. Por isso mesmo, o tratamento consiste em cortar qualquer tipo de leite animal e derivados da dieta. A saída é encontrar alternativas saudáveis e nutritivas, como alimentos em pó à base de proteína vegetal. A marca SupraSoy, por exemplo, oferece uma linha completa de produtos sem glúten e sem lactose, que podem substituir o leite animal.