Jornalista diz que teve pressentimento ruim antes de noticiar colisão: “espero que não seja meu filho”

Carlos Alberto Baldassari, jornalista que foi cobrir um acidente em uma rodovia e descobriu que a vítima era o próprio filho, contou mais sobre o momento e sobre a intuição ruim que teve antes de trabalhar

Resumo da Notícia

  • Um jornalista foi cobrir um acidente em uma rodovia
  • Se aproximando do local, ele reconheceu o carro da vítima
  • O homem noticiou a morte do próprio filho
  • Ele contou que teve um pressentimento ruim antes de sair
  • Quando ele chegou a rodovia, já sabia que o filho era a vítima

Na última quarta-feira, dia 8 de junho, um jornalista de Araraquara, São Paulo, foi cobrir um acidente entre carro e caminhão, e descobriu que o próprio filho era a vítima fatal da colisão. Carlos Alberto Baldassari possui uma página de notícias no Facebook, o Balda News, e estava fazendo uma live para informar os seguidores sobre o acidente.

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Quando Carlos se aproximou do local, descobriu que o carro envolvido no acidente era o do filho, Tiago Cequeto Baldassari, de 32 anos.  No momento, a live foi interrompida, e pouco tempo depois, o jornalista iniciou uma nova transmissão, confirmando que a vítima era o filho, que o acompanhava nas apresentações dos programas do portal de notícias. Veja o vídeo em que Carlos noticia a morte de Tiago: 

Ao G1, Carlos contou que teve um pressentimento ruim quando estava indo para o local do acidente: “Ele [Tiago] usava muito esse trecho [da rodovia]. A hora que eu estava indo para o local, eu me senti muito mal, estava com uma intuição muito ruim dentro de mim. Eu conversei com o rapaz que estava junto comigo, que a gente ia fazer um programa de estúdio, e falei: ‘só espero que não seja o meu filho, pelo amor de Deus’. Do nada. Eu vou para tudo quanto é acidente, mas hoje eu tive esse sentimento. Coisa que nunca tive em lugar nenhum.”

Tiago era o filho mais velho de Carlos, que tem 43 anos de profissão como jornalista. O homem começou a acompanhar as notícias do pai aos 12 anos, e quando ele se aposentou, passou a auxiliar na página de notícias de Carlos, o Balda News. O repórter contou sobre o momento que chegou ao local do acidente: “Mostrei o caminhão, passei pela viatura do resgate e olhei a traseira do Gol. Eu não sabia que cor que era o Gol, ai eu fui me aproximando. O carro do meu filho tinha duas faixas pretas no capô e no teto. Era um carro diferenciado. A hora que cheguei perto eu vi as faixas pretas e sabia que era ele.”

Tiago acompanhava o pai nas reportagens (Foto: Reprodução Facebook)
Tiago acompanhava o pai nas reportagens (Foto: Reprodução Facebook)

A vítima deixou a esposa, que estava grávida de três meses, uma filha de 8 anos, a família, amigos, e os pais. Carlos agora espera que a investigação descubra as causas do acidente: “Eu não sei se ele teve um mal súbito, não sei se ele dormiu. Achei estranho uma peça da suspensão jogada bem antes do acidente. Se foi o carro que deu problema e jogou ele para a outra pista. Não tem marca de freio nem do carro, nem do caminhão.”

O carro de Tiago ficou neste estado após o acidente (Foto: Reprodução Paulinho Chiari/EPTV)
O carro de Tiago ficou neste estado após o acidente (Foto: Reprodução Paulinho Chiari/EPTV)

“Eu como pai estou sem chão? Estou sem chão! A cada 10 minutos me dá uma crise de choro, mas eu estou aceitando aquilo que Deus está me dando neste exato momento e aquilo que Deus deu para ele naquele exato momento. Eu acho que Deus, nesse exato momento, apesar da dor, é o melhor que ele poderia estar dando para o meu filho. Eu me apego a Deus e eu estou de pé acho que por causa disso. Acho que Deus está fazendo as coisas da forma que tem que ser e eu tenho que ter discernimento para entender que o que aconteceu hoje é da vontade de Deus“, disse Baldassari, em relação ao luto. No Facebook do portal de notícias, Carlos publicou uma homenagem a Tiago. Veja:

Marcelo Bunholi, jornalista do Portal Morada, também estava na rodovia no momento em que Carlos descobriu que o filho havia morrido. “Ele [Baldassari] foi dando a volta no carro, né? Nisso ele acabou observando que o carro era do filho dele. Tanto que ele começou a falar ‘minha nossa senhora, que acidente feio’, saiu e me falou ‘ é, meu filho’. Confesso que não me senti muito bem também porque é uma situação muito complicada, né? A gente que trabalha com esse tipo de notícia até espera que isso possa acontecer, mas não temos preparo para isso né?”, disse Marcelo, em entrevista ao G1.

“A equipe da concessionária e o policial rodoviário não autorizaram. Dali para frente a gente viu o sofrimento de um jornalista que teve que noticiar a morte do seu filho. É uma situação muito triste, a gente não espera e não deseja isso pra ninguém, não só jornalista como pra nenhum familiar. É complicadíssimo e a gente sofre muito com isso enquanto jornalista, independente de portal ou veículo de comunicação, nesse momento todos se sentem assim consternados com essa situação e aí, apoiando a família pra que a família se recupere”, acrescentou o jornalista.