Julgamentos: mães compartilham como aprenderam a lidar com comentários de parentes sem pirar

Algumas mães que sobreviveram a essas críticas contaram como finalmente encontraram paz de espírito e sem abrir mão da união familiar

Resumo da Notícia

  • Cuidar das crianças na frente dos próprios irmãos e pais pode ser um momento de tensão
  • Lidar com os olhares de julgamentos de pessoas próximas é difícil
  • Veja como as mães lidaram com algumas situações

Cuidar das crianças na frente dos próprios irmãos e pais pode ser um momento de certa tensão. O olhar de julgamento sobre um lanche extra que você deu ao seu filho. O sarcasmo que existe ao falar sobre a rotina de dormir. Comparações de gravidez. É muita coisa, poderia virar uma lista enorme. Algumas mães que sobreviveram a essas críticas contaram como finalmente encontraram paz de espírito sem abrir mão da união familiar.

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Não existe jeito certo de criar seu filho, existe o seu jeito! (Foto: Getty Images)

Beth e a cunhada dividem uma casa alugada na praia por uma semana todo verão. Os filhos – três no total – dormem no mesmo quarto, mergulham em grandes pratos de panquecas todas as manhãs e passam os dias nadando e se divertindo em uma ciclovia. É delicioso. Mas, como costuma acontecer com a família, e especialmente com parentes, essa tradição anual nem sempre foi tão feliz.

Chegando a hora de dormir na primeira noite da primeira viagem à praia, três anos atrás, um episódio aconteceu. “Escovamos os dentes e colocamos as crianças na cama. Então, do nada, minha cunhada perguntou ao meu sobrinho se ele realmente queria dormir naquele momento”, lembra Beth. “Claro, que ele disse:‘ Não, quero assistir TV!’, então ela imediatamente o tirou da cama e o trouxe para baixo”. Foi um gesto pequeno, mas significativo: “Minhas garotas me deram um olhar de traição. Até aquele momento, eles não tinham ideia que essas coisas eram negociáveis”.

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A dinâmica aumentou durante os próximos seis dias na hora das refeições, na hora do lanche e quase todos os momentos entre eles. Beth se sentiu julgada por ser rígida. Sua cunhada se sentiu julgada por ser mais flexível. “Eu cerrei os dentes para passar por aquela primeira viagem”, relembra Beth. Mas engolir seus sentimentos nem sempre dá certo. Eventualmente, a maioria de nós vai explodir de raiva (geralmente por motivos pequenos) ou começar a fazer comentários passivo-agressivos.

É por isso que reunimos mães que lidam com todos os tipos de drama familiar e mantiveram a calma. Aqui estão algumas estratégias delas que deram certo:

Quando você está sob o mesmo teto

Karen mora com o marido e os três filhos no que ela chama de “uma casa que aceita puns”. Ela também ocasionalmente fala palavrão na frente dos filhos. O comportamento funcionou para eles até que passaram o dia na casa dos pais dela. “A linguagem mais forte que eu me lembro de minha mãe usar quando eu era criança era chamar alguém de rabugento. E soltar pum estava fora de questão”, diz Karen. Como muitos adultos, ela frequentemente se sente criança de novo quando vai para casa dos pais. E eles acabam pensando nela como uma criança também. “As avós estão acostumadas a estar no comando, e dar um passo para trás e deixar a filha ser a mãe é um novo papel”, diz a especialista em parentalidade Betsy Braun Brown, autora de Just Tell Me What to Say. Se você conseguir reunir um pouco de empatia por essa experiência, ela poderá percorrer um longo caminho. Para tornar as visitas mais tranquilas, Karen acabou contando um segredo aos filhos: a avó e o avô são um pouco rígidos, e ele são sortudos por poder ser mais flexíveis em casa!

Para o aniversário de 60 anos da mãe de Joy, a família inteira fez um cruzeiro juntos. Entre Joy e a irmã (que também tem filhos), os dois irmãos solteiros, os pais e os avós, ninguém queria fazer a  mesma coisa na viagem. “As crianças choram em todas as fotos. Mas minha irmã e eu queríamos apoiar nossa mãe”, diz Joy.

Meses depois, ela diz que não se arrepende exatamente da viagem, mas da próxima vez ela vai procurar deixar mais claro quais as expectativas de todos. “Se você está planejando, não seja vago sobre o que está querendo fazer, mesmo que a avó pague a maior parte da conta”, ela aconselha. O mesmo vale para como será o comportamento nas refeições. Quanto tempo todos passarão juntos e como os adultos conseguirão um pouco de paz individual?

Já  para Beth, que divide a casa na praia com a cunhada, foi um curso de formação de gerente no trabalho que acabou ajudando-a a se dar bem. “Percebi que os papéis que desempenhamos na criação de filhos não são diferentes dos papéis que temos no trabalho. Assim como as pessoas têm estilos diferentes de lidar com os funcionários, você pode ter maneiras diferentes, mas bem-sucedidas, de interagir com os filhos ”, diz ela. “Meu estilo é autoritário e da minha cunhada é tolerante, mas nenhum deles está errado e ambos são formas de amar”. Este é um conceito que as crianças podem entender e que Beth explicou às filhas. “Agora minhas filhas sabem que quando eu estabeleço a regra – e não me comporto como a tia delas – é por amor”, diz Beth.

Observar como você lida com desentendimentos familiares é uma ótima maneira para que seu filho aprenda a se adaptar, diz o conselheiro de pais Robin Berman, MD, psiquiatra e autor de Permission to Parent. “Uma criança flexível torna-se um adulto mais resiliente. Afinal, se você não se curvar, você quebra. É normal fazer exceções às regras habituais”.

Quando suas habilidades são questionadas

Quase dois terços das mães se sentiram julgadas pelas decisões que tomam, e essa crítica tem três vezes mais probabilidade de vir de pessoas do círculo próximo do que de fora, de acordo com uma Pesquisa Nacional de Saúde Infantil do CS Mott Children’s Hospital.

“Minha primeira experiência com o julgamento da família veio na primeira semana da maternidade, quando eu estava decidida a amamentar. Eu queria fazer isso, meu filho recém-nascido definitivamente queria fazer, mas era difícil, e todos tinham uma opinião. Minha sogra me incentivou a parar. Minha própria mãe insistia que eu devia estar fazendo algo errado e por isso não dava certo”, disse Melissa.

“Acho que entendi que eles estavam se intrometendo por amor, mas quando os mamilos estão sangrando e o bebê está gritando, quem consegue ser tão lúcido? Vou te dizer quem: um especialista. Especificamente, uma consultora de lactação, que insistia que todos saíssem da sala, disse que meus mamilos estavam sem bico e me deixou usar um protetor de mamilo que carregava comigo em uma caixa de prótese aonde quer que fosse”, lembra.

Depois disso, Melissa passou pelo perrengue da família sempre opinar sobre como “consertar” o hábito de chupar o dedo da filha, de 2 anos. “Conforme ela fica mais velha, minha sogra faz comentários cada vez mais fortes, como: ‘você não pode simplesmente dizer a ela para parar?’, ou ‘e se ela fizer isso na escola?’”, relembra Melissa. “Não quero que ela se sinta mal por causa de um hábito que faz para se sentir bem, pensando nela em primeiro lugar!”.

Em vez de ignorar os comentários da sogra, Melissa finalmente disse que ela entendeu que ela estava tentando ajudar. Então, ela explicou que está trabalhando para que esse hábito da menina vá embora, e explicou os passos que decidiu tomar para acabar com a mania da filha de chupar o dedo. “É um processo contínuo, mas que minha sogra está finalmente começando a aceitar”, diz ela.

Quando as rivalidades entre irmãos retornam

Depois que você se torna pai ou mãe, a relação com os irmãos pode ser complicada. Quando você faz escolhas diferentes, isso pode reacender tensões anteriores ou parecer que você está fazendo julgamentos um contra o outro. Enquanto crescia, Laura estava acostumada a ser comparada à irmã mais velha. Ela não estava exatamente à sombra da irmã, mas usava os vestidos de segunda mão e teve as mesmas professoras três anos depois. “Foi realmente só depois da faculdade que tivemos vidas separadas, cidades separadas, novos amigos”, relembra Laura.

As duas irmãs estavam tendo filhos, com apenas algumas semanas de diferença. “E tanto quanto eu admiro ela, eu amei ter a minha individualidade. E então, nós duas engravidamos ao mesmo tempo”, diz Laura. Rapidamente, tudo voltou a ser uma questão de comparação: quem estava pesando mais, que carrinhos de bebê iam ter, quanto tempo cada uma iria tirar de licença-maternidade . “Foi uma grande diversão, mas quando decidi parar de amamentar aos seis meses, me senti julgada por minha irmã pela primeira vez”, conta Laura. “Ela ficava perguntando se eu tinha certeza. Foi perturbador não corresponder às expectativas dela”, desabafa.

Foi neste momento que ela aprendeu a lidar com esses sentimentos. “Não sou naturalmente confrontadora. E, enquanto pensava nisso, percebi que a pessoa com quem eu precisava fazer as pazes era eu mesma. Haverão muitas coisas que faremos da mesma maneira que outras mães. Aprendi a sentir uma verdadeira liberdade de ser eu mesma”, disse.

Quando o dinheiro está envolvido

Muitos casais têm pais ou sogros que ajudam a pagar as contas. Em uma pesquisa da empresa americana TD Ameritrade com pais com idades entre 19 e 37 anos e avós com idades entre 50 e 70, os entrevistados disseram que os pais lhes dão, em média, US $ 11.000 de dólares (cerca de R$ 57 mil reais) por ano em apoio financeiro e “babá gratuita”. Cerca de 30% deles disseram que recebem ajuda dos pais ou sogros com o cuidado das crianças durante a semana, e mais da metade disse que recebeu apoio financeiro dos pais no ano passado.

Claro, toda essa ajuda tem um preço. Na série Gilmore Girls, os avós exigiram jantares de sexta à noite juntos em troca de mensalidades escolares. Sim, foi uma imposição, mas pelo menos as expectativas eram claras. Na vida real, as mães podem descrever circunstâncias mais diferentes.

Jodie diz que está “indescritivelmente grata” aos avós dos filhos, que pagaram por um treinamento profissional que impulsionou a carreira dela e também levaram a família para férias. “Graças ao apoio incrível, agora podemos pagar nossas próprias férias, mas não podemos exatamente deixá-los de fora”, diz ela. “Eles me deixam louca, mas quero respeitar o investimento que fizeram em mim, então ainda vamos passar as férias juntos”, conta.

Sarah aceita com gratidão a ajuda dos pais com as mensalidades dos filhos, mas se sente culpada porque teme que o pai tenha atrasado a aposentadoria por causa disso. Como uma nova mãe em uma pequena cidade em Indiana, nos Estados Unidos, ela sabe que tem sorte de ter creche gratuita e sogros que cuidam do filho de 9 meses, durante quatro dias por semana. Mas ela não fica muito feliz quando eles recusam as sugestões dela para lavar o mordedor ou trocar a roupa do bebê quando o tempo esquenta à tarde. “Estou aprendendo não apenas quais batalhas escolher, mas também como ter essas conversas sem chorar ou gritar”, diz ela.

Jodie e Sarah descobriram que abraçar a gratidão ajuda muito. Lembrar que os avós ajudam e se doam principalmente por amor, ajuda muito a respirar fundo e manter o controle. Assim como lembrar a si mesmo de que você têm opções. Você não precisa dizer sim a todos os presentes, mas se o fizer, deverá saber que escolheu essa opção.

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