Juliana Goes fala sobre maternidade e ciúmes entre os filhos: “Evito criar um rótulo”

Ela é mãe de Anne Liv e Liam, que tem apenas 10 meses. A jornalista e Co-Fundadora do Zen Wellness falou sobre como lida com algumas situações entre as crianças, mudança de casa e a gravidez durante a pandemia

Resumo da Notícia

  • Juliana Goes é mãe de Anne Liv e Liam, além de ser jornalista, empreendedora, criadora de conteúdo, e Co-Fundadora do Zen Wellness
  • A influenciadora contou como tem sido a vida desde a chegada do caçula, que tem 10 meses, e como tem lidado com algumas situações da maternidade
  • Juliana ainda falou sobre a fase de dentição de Liam, mudança de casa e lembrou sentimentos da gravidez durante a pandemia

Juliana Goes é jornalista, criadora de conteúdo nas redes sociais sobre autoconhecimento e maternidade, Co-Fundadora do Zen Wellness e autora do livro ‘A Liberdade de Ser quem Você é’, além do papel mais importante da vida dela: ser mãe de Anne Liv, de 3 anos e 8 meses, e Liam, de 10 meses. Durante a participação na campanha do Baby Creme, de Weleda, ela falou mais sobre maternidade, sobre engravidar durante a pandemia, e os desafios de ser mãe de dois.

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Juliana Goes é mãe de dois: Anne Liv e Liam (Foto: Reprodução / Instagram / @jujulianagoes)

Mães com mais de um filho costumam dizer que cada filho é uma experiência diferente. Você concorda?

Juliana Goes: Eu concordo. Tanto que a última pauta no meu canal do Youtube foi exatamente sobre isso. Por mais que a gente vá ganhando experiência com a maternidade de um primeiro filho, cada experiência é super única, cada personalidade, cada etapa do desenvolvimento, cada característica da criação do vínculo.  Então pode ser que você note sim algumas semelhanças entre eles, mas eu costumo pensar que quanto menos expectativa a gente criar, melhor. Aqui em casa, por exemplo, eu concordo plenamente que cada um deles é único, com algumas semelhanças sim, mas eu quero que eles sejam livres também para irem se tornando indivíduos que vão se desenvolvendo no tempo deles, do jeitinho deles. A gente vai só conduzindo um pouco esse caminho, mas eu quero que eles também tenham essa capacidade de enxergar os seus próprios caminhos, o seu jeito de ser, o seu jeito de manifestar emoções, então a gente valoriza muito essa individualidade mesmo de cada um.

Como foi a experiência de uma gravidez na pandemia?

JG: Intensa. Muito desafiador porque eu já sou uma pessoa mais sensível às emoções. Eu me senti mais ainda, eu senti medo, insegurança, uma apatia que eu ainda não conhecia. Confesso hoje, fazendo uma retrospectiva, que eu tive uma quase depressão, mas eu busquei ajuda e me abri para conversar sobre isso, para acolher isso. Tentei evitar culpa, julgamento, cobrança, que são sentimentos que vem, mas eu procurei me abrir com pessoas que confio e felizmente eu consegui sair dessa, mas foi muito intenso, bastante intenso. E também é uma forma de crescer… Depois que passa esse turbilhão todo a gente vai ver o quanto que a gente aprendeu, cresceu e até entendeu e ressignificou as formas de viver. Ressignificar algumas questões, a forma como a gente vive, se relacionar com aquilo que faz sentido, aquilo que a gente realmente sente falta e por aí vai. Por autoconhecimento, mas não é fácil, não está sendo ainda, mas que a gente possa focar também nos aprendizados porque isso nos dá mais força para seguir em frente.

A casa nova veio logo após a chegada do Liam. Ver a família aumentar foi decisivo para a mudança?

JG: Sim, já era algo que a gente sabia que poderia acontecer com o passar do tempo, que estava dentro dos nossos planos familiares. Nos últimos apartamentos, nos nossos últimos lares, a gente sabia que era eram lugares de transição mesmo, para a gente se estabelecer como família, financeiramente e dando um passo de cada vez. A gente foi se organizando ao longo dos anos para isso e agora enxergamos esse lugar como um possível porto seguro para muitos anos. Como o lugar que a gente mirou por bastante tempo, que fez parte dos nossos sonhos e que agora se tornou realidade com muita alegria, muita gratidão, muito trabalho. Então a gente está desfrutando desse novo passo. Mas quando a minha primeira filha nasceu, a gente morava em apartamento de um quarto e deu tudo certo. A gente é super a favor do quarto compartilhado, da cama compartilhada, se assim for viável para o casal, para família, para aquela configuração familiar. A gente fez e deu muito certo. E depois a gente teve o quartinho das crianças, que o Liam praticamente não usou no outro apartamento, mas que foi onde a Liliu sentiu como era ter o espaço dela. Agora a gente pretende assim ficar aqui por muitos anos, poder receber nossa família que também mora fora, ter um pouquinho mais de espaço para acomodar os familiares… Ainda mais que a gente já tá há anos sem se ver, vai ser muito muito especial poder recebê-los aqui na nossa própria casa.

Com a Anne você enfrentou os desafios de uma mãe de primeira viagem. Com o Liam, quais estão sendo os principais desafios?

JG: Com a Liliu eu me sentia muito insegura, medrosa, várias paranóias. Eu gosto muito de colocar no meu conteúdo a maternidade real, sabe? E às vezes falar de alguns assuntos que as pessoas se sentem envergonhadas em compartilhar… Uma vez eu falei sobre paranoias. Eu de verdade acolho todas as mães, não estamos sozinhas porque a nossa mente cria muitos cenários que às vezes são impossíveis de acontecer, mas faz parte do processo, né? Então com o Liam, o que eu percebo é um desafio na minha autocobrança, sobre dar atenção de qualidade para os dois, conseguir trabalhar de casa, tê-los em casa por muitos meses, uma menina que já ia pra escola e não teve escola mais. Conseguir administrar o trabalho e não ficar tanto à flor da pele, porque naturalmente quando a gente tá mais cansada, a gente fica mais à flor da pele, às vezes, a paciência está ali no limite. Então eu tenho esse desafio de procurar me manter equilibrada, dentro do possível, porque também não tem como a gente ser zen o tempo todo. Mas de conseguir fazer o meu possível e, quando eu não estiver no meu super equilíbrio, pedir um minuto, se possível, explicar o que eu estou sentindo, ser transparente com eles, ainda que eles sejam uns bebezinhos. Eu acredito no poder do diálogo desde cedo, muitas linhas educacionais e pedagógicas estudam isso. Do pedir desculpas vindo dos pais. Para que eles se tornem também adultos que saibam que existem vulnerabilidades, é importante ter transparência… Até para que respeitem os próprios sentimentos.

Juliana Goes, além de mãe de Anne Liv e Liam, é jornalista e Co-Fundadora do Zen Wellness (Foto: Reprodução / Instagram / @jujulianagoes)

Como está a fase de dentição do Liam?

JG: Os dentes vieram com oito meses, né? Importante lembrar que cada bebê vai ter seu tempo. Vieram os de cima primeiro, agora estão vindo os de baixo. Super acredito nos caminhos naturais, homeopatias. Mas também, às vezes, alguns alimentos podem ser estratégicos, então a gente gosta de oferecer uma maçã geladinha, cortada em pedaços mais grossinhos. Pepino às vezes, não precisa ser congelado, mas deixar ele no freezer pra ficar bem geladinho, vai ajudar a aliviar esses sintomas.

Há bebês que enfrentam assaduras durante a dentição. Um dos seus filhos teve essa experiência? Como tratou?

JG: Sim, a Liliu teve bastante assadura durante essa fase de dentição. Por enquanto o Liam não. Mas ela teve e a gente recorreu a produtos naturais. Eu sempre segui essa linha. Extrato de calêndula que acalma pra caramba, ajuda a regenerar a pele. Por isso o Baby Creme da Weleda está com a gente desde a primeira filha. A gente é apaixonado pelo efeito três em um, porque além de acalmar, protege e regenera. Então, ele atendeu muito as nossas necessidades e até hoje sigo usando no Liam. Está sempre por perto porque naturalmente o corpo fica mais ácido nessa fase, existe um excesso de saliva, então é natural que mude o PH e essa região da pele, do bumbum, fique mais sensibilizada.

Como é a personalidade do Liam?

JG: É engraçado que ele está manifestando [a personalidade dele] agora, depois dos oito meses, algumas características mais marcantes. Ele é muito contemplativo, bastante observador… Gosta de ficar bastante tempo observando as próprias mãos ou objetos. Ele é muito forte, tem uma força física que eu nunca vi nada igual. É determinado, se ele quer alcançar alguma coisa, ele vai, ele tenta, tenta, tenta, tenta. Às vezes, quando ele fica bravo, ele fica beeem bravo. É muito clara a forma como ele se transforma – do contemplativo para o bravo. Mas a gente tem que lembrar também que algumas manifestações, como a irritação, muitas vezes são parte do desenvolvimento. Às vezes o bebê já deu um grande passo no desenvolvimento cognitivo, mas o motor ainda não está no mesmo momento. Então o cérebro dele sabe o que quer, mas às vezes as mãos ou o deslocamento, a mobilidade, não alcança ainda, não é capaz de executar aquilo e aí eles ficam naturalmente mais irritado. Então quando eu estudei isso,  quando eu aprendi isso, eu passei a entender que muitas coisas podem ser passageiras no comportamento deles. Tanto que quando eles têm os picos de crescimento, saltos de desenvolvimento, eles mudam um pouquinho os comportamentos, né? Então a gente precisa entender também que às vezes são fases.

Como tem sido criar filhos sobre uma filosofia mais natural?

JG: Eu acredito que a gente faça o nosso possível dentro daquilo que faz sentido para a gente. Mas eu acredito que, desde o início, valorizar o natural vá criar hábitos mais naturais na alimentação, nos cuidados de higiene… A gente tem isso muito forte. Até mesmo pensando no meio ambiente, porque os produtos naturais não são poluentes, então a gente está fazendo a nossa parte incentivando que eles sejam criados nessa atmosfera, sempre respeitando o nosso possível. A gente não precisa necessariamente ter isso como uma obrigação o tempo todo porque também é faltar com respeito ao nosso momento, né? Claro, existe uma dedicação, existe o nosso estilo de vida, mas sem cobrança, sem pressão. Então, a gente faz as nossas melhores escolhas dentro do nosso possível como uma forma de tornar isso exemplo para eles.

Há algum alimento proibido pras crianças?

JG: Eu não gosto de usar a palavra proibido, mas sim, a gente nunca ofereceu açúcar para nossa filha que tem três anos e nove meses agora. A gente tem outras alternativas para que ela possa sim comer um docinho – então ela come um bolo de aniversário, ela come um brigadeiro mas feito com ingredientes saudáveis, com alternativas saudáveis. A gente usa a banana bem madura como uma forma de adocicar as receitas, as sobremesas. A gente usa muito as tâmaras. Recentemente eu comprei açúcar de maçã para também fazer receitas, então a gente acaba não privando ela, né? No caso, porque ainda está na introdução alimentar, ela também nunca comeu fritura. A gente consegue fazer alternativas na fritadeira de ar quente. E assim, a gente sempre vai construindo o porquê, né? Então, não é “você não pode isso”, é “filha a gente come assim porque é mais saudável, é melhor para sua saúde”.

Já aconteceu de em alguns momentos não ter alternativas saudáveis e a gente explicar que aquilo não era o ideal, mas que assim que fosse possível, iríamos oferecer algo pra ela. A gente evita que ela passe vontade, então, se a gente vai numa festinha, alguma coisa eu sempre tenho ali, eu levo de casa se for preciso. Algumas vezes já vai ser saudável, com salgadinhos assados e veganos, porque nós somos veganos também. Então, a gente vai muito na base da conversa, nunca a vi frustrada por causa disso porque acho que a gente sempre teve esse papel de explicar muito bem. Às vezes as pessoas que olham de fora ficam “ai, mas ela vai ficar com vontade”. Como se fosse um sofrimento pra criança… Mas pense, a gente nunca ofereceria só porque a criança teve vontade, algo que fosse prejudicial à saúde dela, né? Imagine oferecer uma bebida alcoólica ou qualquer coisa assim, que não seja adequada a uma criança, só porque ela pediu. Então tem que existir essa construção, essa explicação e até para que eles cresçam tendo a compreensão de algumas coisas até que eles façam as escolhas deles, né? A gente quer criar eles também para que no futuro eles possam fazer suas próprias escolhas, mas que com certeza o poder do hábito dos primeiros anos de vida vão se sobressair.

A Anne é muita ciumenta? Como está sendo dividir seu tempo para os dois?

JG: Eu falo em ciúmes com ela, acho que eu nunca pus nem essa palavra em jogo porque eu evito que a gente crie rótulo para eles. Eu não acho que ela tenha ciúmes não. Muitas vezes ela quer atenção para ela, mas qualquer ser humano quer atenção… até nós adultos. Eu não preciso chamar isso de ciúmes, mas sim uma necessidade de atenção naquele momento. Mas eu percebo que, em alguns momentos, ela teve um pouquinho de olhar perdido quando chegava alguém em casa, sabe? Uma avó, por exemplo. Porque as nossas convivências ficaram reduzidas nos últimos tempos, mas chegava alguém que ela estava esperando muito para ver e às vezes a direção da atenção da pessoa vai pro bebê, o que é totalmente normal, né? E daí ela ficava com um olharzinho perdido.

Ou às vezes fazia um pouquinho mais de birra em um momento em que não tinha acontecido muita coisa… Mas não tinha acontecido muita coisa para quem? Para nós que estávamos ali de fora, mas dentro dela, nas emoções dela, sim, estava acontecendo alguma coisa. Então, eu evito até de jogar isso muito no ciúmes porque eu acho que é importante evitar criar um rótulo ali, uma crença de que isso seja… Enfim, que ela seja né? Talvez ela esteja, mas a gente evita usar a palavra. Estamos conduzindo de uma forma que a gente possa sempre valorizar os comportamentos dela, os passos que ela dá.  Porque às vezes o bebezinho vai aprender a engatinhar e todo mundo comemora, mas poxa o  que ela está fazendo? “Nossa, filha, que lindo que você pintou hoje” ou “Olha como você fala bem!”. Então é buscar enaltecer também os pontos fortes da personalidade dela diariamente para que ela se sinta à vista, né? Para que ela se sinta valorizada.