Família

Juntos é possível: conheça a emocionante história de Keli, Douglas e Donatella

O casal descobriu que juntos é possível enfrentar as dificuldades e compartilhar não só as conquistas, mas também a alegria de ter uma família

Marina Paschoal

Marina Paschoal ,Filha de Selma e Antônio Jorge

Keli e Douglas provaram que juntos é possível enfrentar dificuldades e compartilhar conquistas (Foto: Bruno Marçal)

O sonho de ter um filho vem, geralmente, acompanhado de muitos planos e projetos, e ter que encarar a notícia da infertilidade é um desafio e tanto. A quebra da grande expectativa, o desgaste físico e emocional podem até abalar no primeiro momento, mas não enfraquecer. A grande vontade de gerar um bebê vai além, é o que traz motivação, renova as forças para recomeçar e tentar novamente.

Na casa de Keli e Douglas, eram apenas os dois durante dez anos de muitas viagens e cumplicidade. O casal se conheceu ainda na faculdade de Direito e logo depois do primeiro encontro, não se desgrudaram mais. “Nós tínhamos outras prioridades, queríamos aproveitar o casamento, conhecer lugares novos… Eu sempre quis ser mãe, mas esperava pelo momento certo”, ela conta. Mas em meio aos exames de rotina, veio a bomba: a endometriose.

Keli tinha dores fortes e percebeu que não eram comuns. Quando chegaram os resultados dos exames, descobriram que além de ter a doença, ela já estava em estágio bem avançado. “Foi quando tive o estalo: tenho 35 anos, não tive filhos ainda e isso pode me deixar infértil”, ela lembra.

Depois de duas cirurgias e um ano de medicações ela conseguiu se livrar da endometriose e o tratamento para engravidar virou recomendação médica. E lá foram eles encarar a indução de óvulos cheia de hormônios, a captação e a fecundação. “Foi uma fase muito difícil emocionalmente e fisicamente, porque ficava ansiosa e me sentia um caco”.

Foram quatro tentativas que duraram 5 anos até que tivessem dois óvulos saudáveis para a fecundação. O próximo passo era a implantação no útero de Keli. “Eu estava apavorada com a possibilidade de colocar e eles não vingarem. Fiquei um ano com essa falta de coragem”.

E se der medo, vai com medo mesmo!
Em meio a todos esses sentimentos de incertezas e inseguranças ela entendeu que se não tentasse, nunca saberia se daria certo. Foi então que decidiram implantar apenas um dos óvulos e deixar o outro como “reserva”.

Implantação feita, o casal teria que esperar 12 dias para fazer o exame de sangue e ter o resultado. Óbvio que ela não conseguiu aguentar todo esse tempo. “Uma semana depois eu fiz um teste de farmácia e de cara deu positivo. Duvidei. Comprei outro e deu positivo de novo. Não contente, fui na clínica no mesmo dia e fiz o de sangue. Positivo mais uma vez. Fiquei anestesiada, mas ao mesmo tempo com medo de comemorar”. Por isso e também por recomendação médica, o casal manteve segredo nos primeiros três meses. A grande notícia foi dada à família durante o almoço de Dia dos Pais e foi aquela festa.

De olho no futuro
Como o casal sempre teve o hábito de se planejar, com a chegada de Donatella não poderia ser diferente e decidiram que ela nasceria em Orlando, nos Estados Unidos, onde os parentes têm casa. Ela, que é o primeiro bebê dos dois lados da família, mobilizou todos, que fizeram questão de ir até lá para acompanhar de perto. “Fomos privilegiados, porque mesmo sendo longe, todos estavam conosco. Demorou tanto tempo, foi tão difícil… Hoje percebo que esse amor todo que temos estava guardado só esperando por ela”.

FAMÍLIA É TUDO
Essa galera das fotos esteve ao lado do casal desde o início e ajudou a segurar as pontas, provando que juntos tudo é possível. Angela e Adilson, são os pais de Douglas, e Eleni e Denirso, os de Keli. Eles quase mataram os filhos quando descobriram a gravidez só no auge dos três meses, já que queriam ter participado de todas as etapas.

Tudo é possível em família! (Foto: Arquivo pessoal)

Prova disso é a mobilização que fizeram para poder acompanhar o nascimento nos EUA – deram um jeito de trabalhar de lá e tudo! Eles não resistem à Donatella e qualquer oportunidade de dar uma passadinha no apartamento, lá estão eles. Já os tios, Ricardo, irmão dela, e Glenda, irmã dele, ganharam presente em dobro com a chegada da bebê e foram convidados para serem os padrinhos.

A madrinha Glenda, irmã de Douglas (Foto: Arquivo pessoal)

O padrinho Ricardo, irmão de Keli (Foto: Arquivo pessoal)

Mudança de prioridades
A maternidade mudou tanto a vida dela que, mesmo tendo uma carreira sólida, de 20 anos de empresa, Keli decidiu largar tudo para se dedicar aos cuidados da bebê. “Até eu fiquei chocada comigo mesma! Resolvi encarar a maternidade na cara e na coragem, mas é só olhar pra ela que eu tenho certeza de que essa foi a melhor decisão que eu já tomei”.

Atualmente Donatella tem 11 meses e é o maior xodó da casa. Como Douglas trabalha fora e não passa muito tempo em casa, qualquer momento que têm juntos vale ouro. “É só ele chegar do trabalho que ela para tudo o que está fazendo e abre o maior sorriso. Nossas prioridades mudaram, a gente passou a valorizar muito mais os momentos juntos do que as coisas”.

Para a mãe, a transformação foi ainda maior. “Estar maquiada, por exemplo, definitivamente não é minha prioridade. Agora, ter a Donatella bem alimentada, cheirosa e de laço no cabelo é tudo o que eu preciso”, ela brinca.

Sempre cabe mais um
Tanto Keli, quanto Douglas têm irmãos. Por isso, sabem bem a importância desse vínculo. Como o casal ainda tem um óvulo congelado, essa é uma opção a se pensar para o futuro da família. “Eu não me vejo sem o meu irmão, então tenho certeza de que seria algo importante pra ela. E se por acaso não vingasse, não sei se passaria por todo o processo de novo. É uma ideia para amadurecer ainda”.

Foram anos de muita luta, insistência e vontade. Mas, independente de mais um ou não, a família Moretto está, finalmente, completa. “Vai além de nós três. É a soma do que somos com nossos pais e irmãos. Estamos conseguindo ser para ela hoje o que eles foram para gente. Esses laços não se perdem”, ela finaliza.

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