Karol Conká diz que era ignorada pela mãe na infância: até que ponto os pais moldam o comportamento dos filhos no futuro?

No Big Brother Brasil, as atitudes da cantora vêm chamando a atenção e rendendo críticas. Especialista defende que Karol acaba reproduzindo comportamentos que sofreu na infância, mas que também tem sua parcela de responsabilidade

Resumo da Notícia

  • Karol Conká chegou a dizer que faria tortura psicológica e pediu que os outros participantes isolassem Lucas Penteado
  • Em conversa na casa do BBB21, a cantora contou que era ignorada na infância: "Minha mãe me ensinou assim"
  • A educadora parental Telma Abrahão defende que a violência emocional é passada de geração em geração, como no caso de Karol, mas que a cantora não agiu para mudar
 

A 21ª edição do Big Brother Brasil vem movimentando e levantando muitos debates nas redes sociais. O BBB teve o cancelamento como tema de conversas entre os participantes logo no primeiro dia. Mas desde a última sexta-feira, o comportamento da participante Karol Conká, cantora e mãe solo de um menino de 15 anos, vem chamando a atenção e rendendo críticas.

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Karol Conká disse que faria tortura psicológica com Lucas e pediu que os outros participantes o isolassem (Foto: Reprodução/TV Globo)

A discussão entre ela e o participante Lucas Penteado foi o ponto principal, que gerou mais de 35 milhões de tuítes sobre o programa em apenas sete dias — para comparar, no mesmo período o BBB20 teve 4 milhões. Muitos seguidores julgaram o comportamento de Karol como abusivo. A cantora chegou a xingar o ator muitas vezes, disse que queria jogar um copo de água na cara dele, que faria tortura psicológica e pediu que os outros participantes o isolassem, além de fazer com que Lucas almoçasse sozinho na casa.

Lucas Penteado almoçando sozinho na casa (Foto: Reprodução/TV Globo)

Na terça-feira, Karol mudou sua postura em relação a Lucas, procurando o ator para conversar e fazer as pazes. Em contrapartida, manteve o comportamento de isolar outra participante da casa: a advogada Juliette.

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De onde vem esse comportamento?

Em uma conversa com Gil, outro participante da casa, Karol contou que sua mãe a isolava quando criança: “Um dia, 8 horas excluindo e ignorando ele [o Lucas] é bom, porque aí o cara pensa. Eu já fui ignorada por horas, minha mãe me ensinou assim. Ela passava um dia sem falar comigo”.

Telma Abrahão, mãe de Lorenzo e Louise, educadora parental, especialista em educação emocional e autora do livro “Pais Que Evoluem – Um novo olhar para a infância”, fez uma publicação em seu perfil no Instagram sobre o caso, que promoveu uma reflexão nas redes sociais. “Esse post não é um julgamento, mas sim um convite a reflexão. Também não é um ataque contra os pais que já agiram assim com os filhos, mas sim uma oportunidade de rever conceitos. A violência emocional é passada de geração em geração e acabamos perpetuando atitudes abusivas na educação”, escreveu a especialista.

O comportamento dos pais moldam os filhos no futuro (Foto: Shutterstock)

Espelhos dos pais

Em entrevista à Pais&Filhos, Telma defende que o comportamento dos pais moldam os filhos no futuro. “Nascemos com um cérebro imaturo e sem repertório de julgamento, o nosso grande primeiro modelo na vida são os pais. Aprendemos muito mais com os exemplos que temos do que com as palavras que ouvimos. Se os pais ao ficarem com raiva, agem com agressividade, gritam ou batem em seus filhos, as crianças aprenderão a fazer o mesmo diante dessa emoção”, explica.

“Temos uma tendência, inconsciente, de reproduzir aquilo que tivemos como base na infância. Uma pessoa que cresceu em um ambiente tóxico, de agressividade e ofensas, acaba internalizando aquele comportamento e mais tarde age da mesma forma em suas relações, não porque é ruim, mas porque é como ela aprendeu a se relacionar com o mundo a sua volta”, defende a especialista.

Mas fica a grande pergunta: como os filhos podem se libertar desses comportamentos que sofreram com os pais e não replicar violências no futuro? “Na infância somos vítimas, mas na vida adulta não. Não tem como uma criança mudar a forma de pensar sozinha. Esse discernimento vem com a maturidade, com as experiências vividas ao longo dos anos e especialmente nas relações que temos. Como adultos, podemos parar e refletir sobre como nossos comportamentos aprendidos estão impactando negativamente ou não a nossa vida. A tomada de consciência é o primeiro passo para qualquer mudança que desejamos fazer. A partir dela é possível buscar autoconhecimento para ressignificar as crenças limitantes que foram adquiridas no passado e quebrar o ciclo da dor”, esclarece Telma.

“Karol seguiu em frente repetindo um comportamento automático sem se questionar sobre o impacto negativo de suas atitudes” (Foto: Shutterstock)

A especialista defende que Karol reproduz essas violências com outros participantes devido à sua criação na infância, mas que também tem sua “parcela de responsabilidade” como pessoa individual. “Se na infância ela aprendeu a se defender dos constantes ataques verbais, físicos ou emocionais que recebia de seus pais, ela pode acabar reproduzindo esse mesmo comportamento em suas relações com o outro. Mas claro que como adulta, ela tem sua parcela de responsabilidade, pois não agiu para mudar. Seguiu em frente repetindo um comportamento automático sem se questionar sobre o impacto negativo de suas atitudes. Cabe a ela reconhecer suas próprias limitações emocionais e buscar autoconhecimento para mudar.

Cultura do cancelamento

Após os comportamentos considerados abusivos, Karol chegou a “ser cancelada” na internet inúmeras vezes e até perdeu contratos fora da casa. Uma reportagem da revista Forbes indica que as consequências das atitudes da cantora BBB 21 podem fazer com que ela perca até R$ 5 milhões em faturamento envolvendo apresentações e contratos que foram cancelados.

Mas a tal da cultura do cancelamento pode ser perigosa. “Como sociedade, precisamos desenvolver um olhar mais empático para a humanidade. Todos nós cometemos erros, mas se ao invés de criticar, pudéssemos olhar para os desafios humanos com mais compaixão e menos julgamento, ficaria bem mais fácil resolver tantos conflitos. E essa mudança precisa começar primeiramente em nós mesmos, com um olhar mais respeitoso para as nossas próprias falhas”, define Telma.

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